Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

Capas mais opinativas

17/07/2012 na edição 703
Sobre artigo de Patrick B. Pexton, de Washington (EUA). Tradução: Larriza Thurler

Se você é um leitor regular da edição impressa do Washington Post, provavelmente deve ter notado mais colunistas aparecendo nas capas, comentou, em sua coluna (13/7), o ombudsman Patrick Pexton. Na terça-feira passada, por exemplo, Ezra Klein, editor do popular blog Wonkblog, analisou o risco de enfraquecimento da economia em um confronto entre o presidente Barack Obama e os Republicanos por conta da extensão dos cortes de impostos na administração de George W. Bush. Na semana anterior, Steven Pearlstein assinou uma análise noticiosa que destacou a história da terceirização de empregos nas vésperas de declarações entre Obama e o candidato republicano Mitt Romney sobre o tema.

Pearlstein e Klein são colunistas talentosos que transformam assuntos complexos como economia e política em textos claros, acessíveis e interessantes. No entanto, indaga Pexton, seus artigos deveriam ser publicados na capa? Quando assumiu o cargo no ano passado, o ombudsman achou dissonante a publicação de colunistas na capa; na sua opinião, o tão prestigioso espaço deveria ser reservado a notícias importantes locais e internacionais.

Leitores também não gostaram e muitos escreveram a Pexton para reclamar ou obter explicações sobre a publicação de artigos opinativos na primeira página. Uma das razões é fazer com que a edição impressa fique mais semelhante à online. Uma característica que distingue o Post digital do impresso é que o online sabe muito mais sobre os hábitos de seus leitores. Na web, a popularidade de cada matéria ou coluna pode ser medida por índices como “páginas vistas” ou “visitantes únicos”. Já o impresso tem pouca noção do caminho que os leitores percorrem.

De olho na audiência

Dados online mostram claramente que comentários e análises são populares e atraem leitores para o site. Por isso, no site do Post as colunas ficam no topo da página ou junto às notícias de última hora sobre o mesmo tema. Leitores querem saber o que estas “vozes distintas”, como são chamadas no jargão das novas mídias, têm a dizer. Os colunistas esportivos Tom Boswell e Sally Jenkins, por exemplo, consistentemente atraem mais audiência do que as próprias matérias sobre os jogos.

Estes motivos levam o Post a, ocasionalmente, colocar colunas na primeira página e explicam por que vozes do jornal que conquistaram primeiramente suas audiências online – como Klein – agora aparecem na página A2. “Temos uma coleção de colunistas proeminentes, especialistas em seus campos, eloquentes na sua escrita, e há ocasiões em que estes colunistas fazem um trabalho mais eficiente para esclarecer um tema do que uma matéria noticiosa”, explicou a chefe de redação, Liz Spayd, que decide o que vai para a capa da versão impressa. “Não acho que devemos colocar colunas na primeira página que tomem lado de uma disputa política ou que tenham um clara tendência ideológica”.

O ombudsman acha, entretanto, que isto pode ser confuso para os leitores. Ele ressalta também que há colunistas que são híbridos – como Klein, que é analista e toma posições (ele coapresenta um programa na MSNBC e já foi de uma revista de tendências de esquerda). Para Pexton, quando uma coluna de opinião for publicada na capa, ela deve vir com uma etiqueta anunciando ser análise noticiosa. Já as publicadas na página A2 devem ter uma etiqueta “opinião” ou “análise de notícia”, pois os leitores merecem transparência.

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