Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

Protestos em Washington precisam de cobertura

24/07/2012 na edição 704

Sobre artigo de Patrick B. Pexton, de Washington (EUA). Tradução: Larriza Thurler

Nunca se sabe quem dará início a uma revolução, até que ela se inicie. Por isso, repórteres devem estar sempre antenados aos movimentos dissidentes, defende, em sua coluna [20/7/12], o ombudsman do Washington Post, Patrick Pexton. Ele e os leitores ficaram desapontados com a falta de cobertura do Post e da mídia local de um protesto pequeno realizado no dia 13/7 no National Mall. Houve discursos e uma passeata, reunindo, segundo organizadores, de três mil a cinco mil pessoas.

Para os padrões de Washington, não foi um evento grande, mas os presentes estavam empolgados e protestando, de maneira pacífica, contra um dos maiores e mais autoritários regimes do mundo, o da China. A manifestação foi organizada pelo Falun Gong, movimento espiritual que contém elementos do budismo, taoísmo, meditação, exercícios tradicionais chineses e uma dedicação de “exatidão, compaixão e tolerância”.

O governo chinês proibiu o Falun Gong em 1999, depois que o grupo organizou um protesto pacífico do lado de fora do principal complexo do governo em Pequim, reunindo 10 mil pessoas. O tamanho da manifestação assustou o governo, que decidiu banir o movimento do país. Estima-se que metade dos prisioneiros chineses em “reeducação” nos campos de trabalho siga o Falun Gong. Desde a proibição, todo mês de julho, membros do grupo encontram-se em Washington para reunir seus seguidores e protestar, com o objetivo de manter a causa viva aos olhos do público e do Congresso americano.

Fora da mídia

Não se pode culpar totalmente o Post pela falta de cobertura – ninguém do Falun Gong avisou sobre o protesto ou pediu que fosse coberto. Além disso, outras notícias importantes aconteceram no mesmo dia. Críticos rejeitam o grupo pois alegam que ele tem tendências muito “cult” – seu líder misterioso e iconoclasta, Li Hongzhi, mora em Nova York e evita ao máximo a atenção da mídia. Seus ensinamentos parecem, muitas vezes, moralistas e apocalípticos. Ainda assim, reforça o ombudsman, trata-se do maior grupo dissidente organizado da China.

É hora de o Post pensar criativamente sobre como cobre protestos; eles são parte da capital do país e atraem audiência local, nacional e global. O jornal deve considerar manter uma cobertura permanente de manifestações, usando redes sociais e ferramentas de engajamento para ajudar grupos a comunicar os eventos ao jornal. Não é preciso se limitar a uma matéria e uma fotografia na edição impressa. O diário poderia, ainda, como o ombudsman anterior havia recomendado, contratar um serviço para fornecer aos leitores uma contagem mais precisa do número de participantes das manifestações, pois a polícia se recusa a fazer isto.

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