Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Rogério

04/12/2012 na edição 723
“Embalos de sábado”, copyright O Povo, Fortaleza (CE), 2/12/2012

“‘Você só consegue explicar aquilo que entendeu’ Joelmir Betting, jornalista

Início da manhã de sábado, 24 de novembro. Dois carros colidem em um cruzamento da Aldeota. Um dos motoristas está alterado. A suspeita é de embriaguez. A Polícia é chamada. O caso poderia ser apenas mais um do confuso trânsito de Fortaleza. Poderia, não fosse um detalhe: o motorista suspeito de dirigir embriagado e com a documentação do carro totalmente irregular é Ciro Saboya Gomes, filho de Ciro Gomes e da deputada Patrícia Saboya. E como tal, sobrinho do governador do Ceará, Cid Gomes.

Com todo esse parentesco é natural que a notícia tenha grande interesse do público. Há um antigo jargão no jornalismo que diz ‘um cachorro morder o homem não é notícia, mas se o homem morder o animal é’. Ora, não há coisa mais comum do que um acidente de trânsito. Mas uma colisão envolvendo o filho de figuras tão conhecidas e com todos esses ingredientes é tecnicamente um ótimo ponto de leitura.

Críticas

Os leitores não aprovaram a cobertura do O POVO. No Portal, 177 comentários foram deixados na nota ‘Filho de ex-ministro é levado para delegacia após acidente de trânsito’, publicada no sábado A maioria criticando a omissão de fatos. Ao ombudsman, a leitora Priscilla Luz disse ter estranhado a postura do jornal, sempre tão crítica. ‘Acabou se fragilizando por pouca coisa’.

A leitora relacionou uma série de fatos ausentes na matéria local e citados em sites nacionais: presença de droga no carro, restrição do trabalho da imprensa, etc. Outro leitor Carlos Martins também apontou falhas. ‘Filho de ex-ministro? Ora, porque não colocou logo o nome do Ciro Gomes’.

A cobertura

Vamos à ordem da cobertura. A notícia saiu no Portal às 12h54min. Falou do acidente, da prisão por desacato, da possível embriaguez e da documentação irregular. Citou a presença do delegado geral da Polícia, Luis Carlos Dantas. No jornal, o fato saiu domingo em Radar: ‘Filho de ex-ministro é detido após acidente’. Uma página com duas secundárias.

Repetiu as informações do Portal, omitindo a presença de Dantas. A cobertura terminou com matéria, também secundária, segunda-feira na editoria Fortaleza: ‘Droga encontrada em carro está na perícia’. Na cartola volta a citação ‘Filho de ex-ministro’. O assunto foi lembrado ainda na coluna Política de terça-feira e em artigo de Opinião, dia 26. Nada no Fala Cidadão de quarta-feira (28) na página onde saem matérias mais comentadas no Portal.

Dois pesos

O POVO fez certo ao divulgar o fato. Não poderia omitir tal informação. Nem dar uma simples notinha. Porém, deveria ter dado maior destaque diante dos personagens e denúncias envolvidas. Na edição de 19 de março, o filho do empresário Eike Batista atropelou um ciclista. Foi manchete. Outro equívoco é o título. Ao citar ‘filho de ex-ministro’ o título perdeu a força. Que ex-ministro? Seria do STF, do TCU? Uma charada desnecessária.

O professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade Federal do Ceará, Ricardo Jorge, discorda. ‘A celeuma me parece desnecessária (ainda que pertinente). E se fosse outro parente?’

De fato, a vida particular de qualquer figura pública pertence a ele. Uma mera menção no título não entraria nessa área, apenas informaria.

Com relação às demais observações é bom lembrar que a edição de domingo é fechada no início da tarde de sábado. Grande parte das denúncias surgiu após o fechamento. A notícia sobre a presença das drogas no carro, por exemplo, foi publicada segunda-feira. Ao Portal, sim, caberia agilidade para atualizar dados, o que não houve.

Checagem

A chefia de Redação avalia a cobertura como dentro dos padrões, destacando que O POVO foi o único a acompanhar o caso no dia seguinte. A preocupação foi evitar sensacionalismo. ‘O entendimento do jornal é de que um pai não pode ser responsabilizado pelas ações de um filho maior de idade.’ Segundo a chefia muita coisa não foi divulgada por falta de confirmação na checagem, como o caso do suborno.

No entanto ela admite ter falhado ao não mencionar, ainda no primeiro texto, a proibição do acesso da imprensa à delegacia e a pouca apuração da presença do delegado-geral no incidente. Esse, sim, um caso um caso explícito de privilégios no uso de agente público que pouca gente possui.

FOMOS BEMI

NSEGURANÇA

Matéria com mapa dos homicídios bairro por bairro em Fortaleza

FOMOS MAL

TABELÃO

Quadro com resultados e classificações sumiu do caderno de Esportes sem explicação”

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