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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Paulo Rogério

11/12/2012 na edição 724
  “Ombudsman comenta reportagens investigativas do O POVO”, copyright O Povo, Fortaleza (CE), 9/12/2012

“'Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe'. Máxima do jornalismo investigativo

Melhor que qualquer prêmio conquistado, o jornalismo do O POVO teve muito que comemorar. A semana foi marcada por duas vitórias. Duas aulas de jornalismo recompensadas pelo reconhecimento da Justiça. Primeiro com a cassação do mandato de um deputado acusado de práticas ilegais em campanha eleitoral. Depois, com o julgamento – enfim – de implicados no 'escândalo dos banheiros'.

As duas irregularidades foram fruto do bom trabalho de jornalismo investigativo feito pelo O POVO em 2010 e 2011, respectivamente. Nada mais gratificante e estimulante para quem ama o bom jornalismo. No caso do parlamentar – Carlomano Marques, do PMDB –, a matéria serviu como prova da irregularidade da troca de voto. Uma prática obtida graças ao uso do anonimato. Ferramenta esta prevista no Guia de Redação e Estilo do O POVO.

Compromisso

A coluna do ombudsman de 26 de setembro de 2010 comentou o fato no tópico 'Bons Exemplos'. Vamos recordar uma parte. '…O jornal saiu da denúncia simples, cômoda e fácil e comprovou in loco o abuso. O flagrante foi garantido pelo anonimato, um recurso ético totalmente válido dentro do jornalismo quando se trata da apuração de irregularidades…'

Pois bem. Essa fórmula vem sendo utilizada com sucesso na seção 'Entrei na história' garantindo boas histórias. O deputado criticou o jornal e o jornalista pelo uso do anonimato, como se isso fosse algo anormal. Reclamação esta publicada e devidamente respondida. A chefia de Redação avalia que o julgamento dos casos 'reafirma nosso compromisso com a fiscalização dos agentes públicos, sejam eles quais forem'. Vou mais adiante. Isso reafirma o verdadeiro sentido do 'fazer jornalismo'.

Falha nossa

Noticiar a morte de alguém não é nada agradável. Todo cuidado com os detalhes nunca é demais diante de momento tão sensível. Falhas como O POVO cometeu na morte do empresário João Carlos Clemente Soares, assassinado no dia 3, comprometem toda uma história. Do jornal e da vítima. 'O que desejamos é que jornal, antes de publicar uma notícia, principalmente sobre acontecimento tão comovente, apure com precisão os reais acontecimentos'.

A bronca é de Vitória Clemente, filha de João Carlos, e é dada com toda razão. Primeiro o jornal errou o sobrenome da vítima durante dois dias – chamou de Clemente Fernandes quando o correto é Clemente Soares. Depois, informou que ele era comerciante – era empresário. E por último, a matéria afirmou a Fábrica de Panelas Ironte, pertencente à família, estava extinta. Segundo Vitória, a empresa continua funcionando.

O Erramos foi publicado. A editoria disse que só soube da falha depois da família avisar, por e-mail. Não vi qualquer sensacionalismo nas matérias do jornal conforme acusou Vitória Clemente. Houve, sim, equívoco na apuração. Erro semelhante ao cometido quando denominou a BR-222 de BR-020, em 26/11, ou grafou errado o nome de outra vítima – o professor Gustavo Braga.

Debate quente

Um título impostor. Esse é a definição dada pelo professor Ricardo Jorge, dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade Federal do Ceará, sobre a manchete da edição do dia 27 de novembro: Fortaleza está 3º C mais quente. 'Quem lê apenas o título acredita que Fortaleza estava 3 graus mais quente na média de novembro'. Ele só percebeu que o texto falava que a temperatura aumentou em relação a outros períodos do ano posteriormente.

O Manual da Folha define título como 'uma síntese precisa da informação mais importante'. O título impostor seria aquele que vende algo que a matéria não informa. Para a chefia de Redação, a palavra 'impostora' não se aplica ao caso. 'A cidade está 3 graus mais quente. É fato. Quantificamos uma situação que vinha sendo comentada por boa parte da população'.

Na avaliação interna também senti falta dessa comparação com meses de novembro anteriores. Como diz o professor, o calor sempre aumenta nessa época do ano. Isso é próprio do nosso clima. Mas afirmar que há inverdade no título não seria justo. A matéria diz o tempo todo que a cidade está mais quente em relação aos meses anteriores. E isso é verdade. A meu ver há, isso sim, imprecisão na abordagem. É como comparar março, mês de chuvas, com agosto, época dos ventos.

Esquecido pela mídia

Promessa de denúncias de irregularidades na campanha para prefeito de Fortaleza

FOMOS BEM

CRIATIVIDADE

Especial com homenagem a Oscar Niemeyer, publicado quinta-feira

FOMOS MAL

PORTOS

Jornal não informou investimento previsto para o Porto do Pecém”

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