Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1071
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VOZ DOS OUVIDORES >

Seria este o último ombudsman do jornal?

19/02/2013 na edição 734

Patrick Pexton pode vir a ser o último ombudsman do Washington Post. Ele deixa o cargo no fim do mês, e o jornal ainda não decidiu se dará continuidade ao posto – que existe há 43 anos. O ombudsman é o representante dos leitores; por isso, diz Pexton, mantê-lo requer muita coragem e confiança do jornal, que emprega um crítico em tempo integral.

A administração do Post ainda discute como responder às críticas e reclamações dos leitores sem um ombudsman independente. Marty Baron, novo editor-executivo do diário, debateu com Pexton os prós e contras do cargo. “Há um valor em ter alguém internamente com quem os leitores podem se comunicar quando sentem que não estão satisfeitos com a equipe do jornal. Essa pessoa deve pegar as dicas dos leitores e os assuntos cobertos e não ser apenas uma pessoa com uma opinião sobre o que estamos fazendo”, acredita ele.

Em relação aos contras, Baron elaborou uma lista maior. Na era digital, diz, “há uma crítica ampla de nossa performance vinda de fontes de fora do jornal, inteiramente independentes da redação, e não pagamos seus salários”. Críticos de mídia bombardeiam constantemente o jornal no Twitter e em blogs – muitas vezes, injustamente, afirma. Além disso, há a questão financeira. O salário de um ombudsman é semelhante ao de um editor sênior.

Atitude míope

Pexton faz sua defesa. Ao contrário dos seus antecessores, ele diz não ser totalmente focado na coluna dominical ou em escrever o que o Post deve ou não deve fazer. Apesar do ponto de vista de Baron, 80% das colunas e posts do ombudsman foram inspirados por ideias de leitores. Outros 10% vêm de repórteres. O restante é do próprio ombudsman tentando dar sentido ao ambiente midiático atual, onde (quase) tudo é de graça e ninguém consegue lucrar.

A coluna dominical toma de 25% a 30% do tempo de Pexton a cada semana. No restante do tempo, ele e sua assistente, Alison Coglianese, interagem com os leitores. Durante as noites, os finais de semana e os feriados, os dois respondem e pesquisam para dar conta do volume de reclamações e preocupações de leitores que chegam por email, carta ou telefone – uma média de 5 mil emails por mês.

Ao escutar os leitores diariamente, diz o ombudsman, eles evitam cancelamentos de assinaturas. Com uma assinatura de US$ 383 (quase R$ 750) por ano, eles ganham seus salários em assinaturas salvas. Na visão utópica das mídias sociais, repórteres e editores deveriam responder a cada reclamação de leitor instantaneamente, online, eliminando a necessidade de um intermediário. Na prática, porém, repórteres e editores têm mais demandas do que nunca e não dão conta de mais esta tarefa. O ombudsman, portanto, é aquele que dá uma resposta direta sem medo ou favor. Pexton não pode afirmar que o cargo dá mais credibilidade ao jornal, pois não há um bom estudo comprovando isso. Mas a confiança na mídia está declinando. Eliminar o posto parece, em sua visão, uma atitude míope.

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