Quarta-feira, 20 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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VOZ DOS OUVIDORES >

Suzana Singer

11/06/2013 na edição 750

“A Folha enterrou o caderno ‘Equilíbrio’, concebido há 13 anos com a promessa de ajudar o leitor a viver com ‘menos estresse’.

O que era um tabloide semanal de oito páginas sobre saúde e comportamento, com seis colunistas, vira um arremedo do que foi, agora publicado como uma página em ‘Cotidiano’, nos mesmos moldes do ‘Folhateen’ na ‘Ilustrada’.

O fim do suplemento foi anunciado num corte que incluiu o fechamento de 24 vagas na Redação (6% do total) e o desligamento da colunista Danuza Leão. É a segunda leva de demissões em um ano e acontece na sequência das feitas pelo ‘Estado de S. Paulo’ e pelo ‘Valor’ –a Editora Abril começou sua ‘reestruturação’ na sexta-feira passada.

Parece que os jornalistas brasileiros estão vivendo o pesadelo que os colegas americanos enfrentaram nos últimos anos. Nos EUA, onde se registrou queda violenta da circulação e da receita publicitária, as vagas nas Redações de jornais encolheram 26% desde 2007.

Hoje, esses veículos empregam 40.600 profissionais, um pouco menos do que em 1978, quando eram 43.000. É um retrocesso de 35 anos.

A sangria dos anunciantes do impresso, nos EUA e na Europa, não vem sendo compensada pela publicidade na internet. Os jornais americanos calculam que, para cada dólar ganho com publicidade nos seus sites, tenham sido perdidos US$ 15 no impresso (dado de 2012).

A situação é melhor na Ásia, graças ao crescimento de vendas de jornais na China e na Índia.

Por aqui, os jornais não cansam de divulgar dados otimistas sobre si mesmos. A Folha publicou, em março, que a publicidade em jornais cresceu 0,7% no ano passado. Segundo o ‘Estado’, a circulação geral aumentou 1,8% nesse período.

Se está tudo bem, por que sacrificar o produto? A Secretaria de Redação diz que o caderno ‘Equilíbrio’ foi extinto porque ‘não era mais viável economicamente’.

Sobre as demissões, afirma que ‘o fraco desempenho da economia obrigou a Folha a fazer ajustes pontuais em suas despesas’.

Segundo a Secretaria de Redação, ‘o crescimento da receita publicitária é menor que a inflação’ e o aumento de circulação veio principalmente dos ‘jornais populares’.

A situação econômica da Folha é boa, a empresa não tem dívidas, mas, segundo a direção, ‘as Redações do futuro deverão ser cada vez mais enxutas, assim como o produto impresso’.

É uma fórmula difícil de dar certo: estruturar um jornal menor, mas mais sofisticado para fazer frente às informações gratuitas oferecidas na internet, com uma equipe reduzida e menos experiente, encarregada também de manter um site de notícias 24 horas.

Enquanto um novo modelo de negócio não se impõe, é assim que as empresas de mídia estão tocando o barco. Aos que acreditam que o jornalismo de qualidade faz bem à democracia resta torcer para que a travessia dê certo.

Aos fãs de Rosely Sayão: a colunista continuará escrevendo na página de ‘Equilíbrio’, no ‘Cotidiano’.

A celulite da campeã

A Folha sentiu a força e a fúria das redes sociais nesta semana. Uma nota machista na ‘FolhaCorrida’ virou assunto na internet e resultou em 172 mensagens ao jornal.

Acima da foto da tenista Maria Sharapova, que mostrava um pouco de celulite na sua coxa, saiu o título ‘Quase Perfeita’ e um texto dizendo que a tenista ‘supera a chuva, mas não a celulite’.

As leitoras ficaram furiosas. Em vez de pedir desculpas pela grosseria, a Redação justificou-se dizendo que ‘foi uma tentativa de usar humor com a imagem da atleta, que tem status de celebridade não só pelos resultados em quadra mas também por sua aparência’.

Os moços da Redação deveriam prestar mais atenção a uma das máximas do colunista Xico Sá: ‘homem que é homem não sabe, nem procura saber, a diferença entre estria e celulite’.”

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