Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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VOZ DOS OUVIDORES >

Erivaldo Carvalho

18/06/2013 na edição 751

“‘A mídia não é apenas a mensagem. A mídia é uma massagem. Estamos constantemente sendo acariciados, manipulados, ajustados, realinhados, e manobrados’ Joey Skaggs, performático de mídia americano

Olá, leitores e internautas. Em uma das melhores fotos de capa das últimas edições, O POVO destacou, na sexta-feira, 14, uma imagem que poderia ser o resumo da semana na Capital. Em um terço de página, o jornal mostrou, pela lente da repórter fotográfica Sara Maia, o ponto alto do movimento Fortaleza Apavorada. Tendo como pano de fundo mais segurança pública, o protesto levou milhares de pessoas à avenida Barão de Studart. Mas, sem nenhum demérito – muito pelo contrário – do valor jornalístico da multidão sufocada por uma grande mancha escurecida, a síntese da semana foi outra. Quase nem foi mencionada na página inteira dedicada à pauta: a força da organização coletiva via mídia social. O movimento já tem lugar garantido nos especiais que os veículos de imprensa costumam trazer todo final de ano. Talvez até sejam publicadas, muito antes disso, análises de especialistas tentando explicar, de forma mais decantada, as motivações e o alcance do protesto. Mas, de imediato, já é possível dizer que nenhuma das avaliações poderá deixar de lado a forma como foi organizado. Esse dado tem potencial demarcador. Assim como deixa assinalado, para nós jornalistas, como será o futuro, já presente, desse tipo de cobertura.

Na mesma sexta-feira, ouvi elogios de leitores, repassados à Redação, no relatório interno. Um deles mencionou o fato de o jornal estar cobrindo o movimento desde o nascedouro, no Facebook. Acrescentaria que o jornal teve os cuidados e precauções necessárias, como não engolir números de quantas pessoas estavam presentes, sempre um problema, nem abrir espaço para políticos de carreira, que deram o ar da graça na avenida.

Sinal dos tempos

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a imprensa se desdobra para acompanhar o escândalo dos rastreamentos telefônicos e de conexões à internet por parte da Casa Branca. Vejam a grande ironia: é a mesma grande rede que lastreou o caminho para a chegada de Barack Obama ao poder, em 2008. Evidentemente, a transmissão de dados por rede é o grande filão nos filtros e relatórios de espionagem. Pela estrutura montada, mundialmente, passam todos os tipos de mídia. Inclusive, a própria telefonia. Entretanto, para além do epicentro da crise de credibilidade por que passa o democrata e o debate sobre privacidade versus segurança nacional, há um desafio ainda maior: partindo-se da constatação de que há tempos não existe jornalismo sem internet, como as empresas de comunicação de todo o mundo, inclusive as instaladas entre nós, produzirão, com a tranquilidade necessária, conteúdos em que ser crítico a governos não seja uma preocupação em si mesma? Como fica a garantia constitucional da inviolabilidade da fonte? O que fazer quando bisbilhotices povoarem a imaginação de políticos quem se acham incomodados com o noticiário?

As lições da copa

Mergulhada em uma experiência ímpar, a imprensa brasileira, de maneira geral, e o Grupo de Comunicação O POVO, em particular, começam a cobrir, neste final de semana, o resultado dos jogos da Copa das Confederações. Mas o placar jornalístico já registra uma grande vitória fora das quatro linhas. Apesar dos pequenos percalços de qualquer processo não totalmente conhecido – até porque muito foi sendo construído ao longo do caminho -, as coberturas mostraram-se, relevantes e na direção certa. Muitas vezes, subsidiando e alertando os próprios organizadores – públicos e privados. Entre nós, não há paralelo de esforços de mídia que tenham mantido em evidência, e com qualidade, tantas questões de nosso dia a dia, como segurança pública, mobilidade urbana, qualidade dos serviços de hospedagem e lazer, além, evidentemente, de todos os detalhes do torneio que começou neste sábado. O tempo dirá que tipo e o tamanho da herança que esta e a Copa de 2014 deixarão para o Ceará e o Brasil. Para a imprensa, o legado já está garantido. Até aqui, fizemos muito bem nossa parte. Que os atletas façam as deles.

FOMOS BEM

VAZAMENTO DE ÓLEO na Praia do Futuro. Mostramos bem os motivos, as consequências e as responsabilidades

FOMOS MAL

REORDENAMENTO URBANO. No balanço da semana, concorrência mostrou melhor o panorama dos avanços”

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