Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

VOZ DOS OUVIDORES > ‘O POVO’

Erivaldo Carvalho

06/08/2013 na edição 758
“Em defesa do consumidor”, copyright O Povo, Fortaleza (CE), 3/8/2013

“O consumidor geralmente está errado, mas as estatísticas indicam de que não há lucro em lhe dizer isto’ Aleister Crowley, ocultista britânico

Por que as pessoas leem jornal? A pergunta, básica, deveria ser feita, diariamente, ao menos inconscientemente, por todos que fazem esse tipo de veículo impresso. Do porteiro ao dono ou dona da empresa. É dessa resposta, como já dito por este ombudsman, que sai a decisão sobre comprar ou não um exemplar avulso ou fazer uma assinatura. Procuramos nos manter informados – o que, eventualmente, inclui ler jornal -, para nos manter atentos ao mundo. No caso do jornalismo econômico, uma dos supostos motivos é encontrar subsídios para minimizar prejuízos na relação de consumo. Em outras palavras, a velha e mais atual do que nunca defesa do consumidor.

Manchete do O POVO na última quarta-feira: ‘Cadastro positivo: Crédito fica mais fácil para bons pagadores’. Para os incautos, não poderia haver notícia melhor. É preencher alguns dados, enviar e, a partir daí, ter acesso ao que há de melhor no mundo do financiamento facilitado, a taxas módicas. Simples assim. Foi isso o que o jornal disse, na capa e internamente. O conteúdo, entretanto, passou longe. Há pouquíssimos traços do que poderia ser considerada informação relevante e de orientação ao leitor.

Conforme registrei no relatório interno, o jornal afirmou que a vida do consumidor será facilitada com o cadastro. Mas não diz como. Apenas reproduzimos a lábia de quem tem interesse no assunto. Entidades representativas do comércio foram unânimes em comemoração à lei que entrou em vigor na última quinta-feira. Afinal de contas, que empresa não gostaria de atuar em um mercado a partir de um banco de dados filé mignon, com inadimplência zero? A íntegra da lei federal (12.414/11) pode ser acessada no seguinte link: http://bit.ly/jkZnLI

As perguntas

Questionei, entre outros pontos, por que não procuramos um representante de órgão de defesa do consumidor, o básico do básico em matérias do tipo. Não por coincidência – mais pela pertinência da pauta -, acompanhei uma entrevista sobre o assunto na rádio CBN, no dia anterior à manchete. Em Fortaleza, a programação da emissora paulista é retransmitida por uma das rádios do Grupo de Comunicação O POVO. Registro isso apenas para evidenciar que tínhamos bons ganchos em casa. Do áudio, extrai as seguintes questões, enviadas ao núcleo de Negócios, responsável pelo conteúdo: Quais os critérios e garantias que os cadastrados terão para acessar taxas de juros menores? Montar e manter banco de dados implica em custos. Não será repassado? Como ficam os consumidores diante de eventual assédio das empresas para se cadastrarem? Por que um único desequilíbrio financeiro pode implicar em risco permanente por 15 anos?

A pauta em questão foi apenas um ponto ilustrativo. Defesa do consumidor deve ser algo perene. Por isso, no email que passei, sugeri que os editores ficassem ‘à vontade para citar seções ou colunas que tratem especificamente da defesa do consumidor’.

A resposta

Diante do que foi levantado acima, eis o que disse o núcleo: ‘Delimitamos a pauta no impacto para o consumidor. Por isso, não incluímos os custos do Cadastro no texto, já que quem paga por ele são as empresas que consultam os dados. Sobre o assédio, avaliamos que é cedo para dizer que ele existirá. Mas devemos voltar à pauta em breve e podemos abordar ambos os aspectos. As demais perguntas foram respondidas na matéria’. Particularmente, este ombudsman considera a resposta do Núcleo de Negócios abaixo do mínimo necessário para justificar uma tréplica ou comentários adicionais, se fosse o caso. Mas, como geralmente registro, cabe ao leitor tirar a conclusão final. Apenas repito a pergunta do início desta coluna, agora feita por outro ângulo: é para isso que as pessoas leem jornal?

FOMOS BEM

RESERVAS HÍDRICAS.

Demos o melhor panorama do nível de açudes monitorados pelo poder público no Ceará.

FOMOS MAL

CIDADE DO FUTURO. Chegamos depois e mostramos o projeto menor do que está sendo pensado.”

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