Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > ‘THE NEW YORK TIMES’

De olho em 2016, jornal escala repórter para cobrir Hillary Clinton

20/08/2013 na edição 760
Sobre artigo de Margaret Sullivan, de Nova York (EUA); tradução de Larriza Thurler

Quando Hillary Clinton abriu uma conta no Twitter, em junho, seu perfil descrevia seus muitos papéis: ex-primeira-dama do Arkansas e dos EUA, ex-secretária de Estado e ex-senadora por Nova York. Em relação ao futuro, dizia apenas: “a ser determinado”. O New York Times,aparentemente, quer estar bem perto de Hillary para ver o que o futuro lhe reserva. Pouco depois do primeiro tuíte da ex-secretária da Estado, Amy Chozick, repórter que cobria temas de mídia, foi escalada para a seção de política para cobrir em tempo integral os Clinton – em especial, a senhora Clinton.

A ombudsman Margaret Sullivan [17/8/13] não entendeu o propósito do jornal. Margaret questiona como o Times beneficiaria leitores e cidadãos ao destacar um recurso precioso para esse fim, considerando que Hillary não ocupa ou concorre a algum cargo público e que as eleições presidenciais só ocorrem daqui a três anos.

Segundo Carolyn Ryan, editora política do diário, Hillary “é a opção mais próxima para um candidato presidencial para 2016”. Estar dedicado ao tema cedo permite que o NYTimes desenvolva fontes e se destaque. “Com os Clinton, há uma certa opacidade e uma cobertura superficial em todos os lugares. Amy pode penetrar fundo nisso”, ressalta ela, elogiando o potencial da repórter.

Dois artigos publicados na semana passada mostram como Amy está indo na tarefa. No primeiro, a jornalista cobriu um discurso de Hillary em São Francisco, no qual ela pediu por esforços para proteger os direitos dos eleitores, e também detalhou uma premiação recebida por ela. No segundo – que foi destaque de capa, escrito com Nicholas Confessore –, examinou as finanças e a mudança de foco da Fundação Clinton de maneira mais substancial. Amy planeja escrever uma variedade de matérias sobre os Clinton. Ela nota que outras organizações de notícias americanas também já começaram a cobrir fortemente Hillary, como oWashington Post e o Politico. Como há expectativa da parte de editores e até da editora-executiva Jill Abramson, ela diz “viver em constante medo” de perder um furo para outro veículo.

Relação difícil com a verdade

Tom Rosenstiel, diretor-executivo do American Press Institute, levantou a questão de que dedicar um repórter em tempo integral para cobrir Hillary Clinton poderia consolidar a percepção de que ela é inevitavelmente a indicada democrata à presidência. Além disso, ele questiona se a imprensa não deveria resistir à tentação de perpetuar uma campanha permanente.

O veterano jornalista Carl Bernstein, repórter do escândalo Watergate e autor de uma biografia de Hillary, A Woman In Charge, afirma que ela tenta escrever sua própria história e que “tem uma relação difícil com a verdade”. Para ele, ao destacar uma repórter agressiva cedo, o jornal mostra um esforço louvável para publicar “a melhor versão que pode ser obtida da verdade”.

Quem se beneficia?

Quando um jornal toma essa iniciativa, o candidato em potencial pode ou não se beneficiar. Um monitoramento constante pode não ser bem-vindo, mas o tratamento dado pelo NYTimes a Hillary como uma candidata não declarada a ajuda. O leitor também pode ser beneficiado ou não; se forem produzidas matérias que servem ao propósito de promover uma candidatura, o leitor-cidadão perde. Se a cobertura vai além para mostrar o que não é conhecido, o leitor-cidadão ganha. Jodi Kantor, repórter da seção de política que cobriu o presidente Barack Obama e sua família para o NYTimes e escreveu o livro The Obamas,diz que a melhor campanha acontece antes da campanha oficial. “Uma vez que ela começa, a frieza, a rigidez e a defensiva tornam a reportagem muito mais difícil”, sentencia.

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