Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > ‘O POVO’

Erivaldo Carvalho

03/09/2013 na edição 762
“Cocó - as perguntas não feitas”, copyright O Povo, Fortaleza (CE), 1/9/2013

“‘A justiça pode irritar porque é precária. A verdade não se impacienta porque é eterna…’ Ruy Barbosa, jurista, escritor e político brasileiro

Neste sábado, 31, os jornais de Fortaleza deram o segundo maior destaque de capa à decisão da União, que resolveu suspender as obras de viadutos no bairro do Cocó. Provavelmente, a pauta teria sido a manchete, não fosse o furor dos protestos de trabalhadores do transporte público da Capital. Com mais um revés ao empreendimento tocado pela Prefeitura de Fortaleza, chegamos, em cerca de dois meses, a quase uma dezena de idas e vindas no projeto do entroncamento das avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santa Júnior. A imprensa local tem dado o merecido destaque à cobertura. No O POVO, toda decisão é levada à vitrine. É justo registrar, inclusive, as análises inseridas nos desdobramentos. Mas ainda não se tocou no cerne da questão: a extrema judicialização da obra. Por mais de uma vez, tenho chamado a atenção da Redação para este aspecto. Afinal de contas, por que tantos questionamentos e recursos de um lado e de outro? Estamos conseguindo dizer a todo o conjunto de leitores o que está acontecendo? O fenômeno é pontual ou promete ser o script daqui para frente? Dirijo tais questões, especificamente, à cobertura do jornal, porque tem a ver com a relevância do que publicamos nesses tempos de novas mídias. Detalhes a seguir.

Para ir além

Mesmo antes de a internet vir ao mundo, os melhores conteúdos publicados eram os que agregavam ao noticiário do dia anterior questões a partir dos fatos, propriamente. Tornou-se regra. Um acidente de trânsito com vítimas nos leva a abordar a segurança ao volante; uma greve puxa os transtornos para as pessoas e um crime nos remete a uma abordagem sobre segurança pública. A judicialização em torno da obra dos viadutos nos leva a quê? Se não conseguirmos responder a perguntas como esta, entregaremos ao leitor, no dia seguinte, a mera repetição do que sites, blogs e redes sociais já deram no dia anterior. Alguns, em tempo real. Isso nos torna irrelevantes. Estudiosos do ramo não têm dúvida: ou o jornalismo impresso parte para a seara da reflexão, do debate e dos porquês ou deixará de existir. Só reproduzir decisão judicial da vez é jornalismo de gabinete. Precisamos ir além.

Obrismo e autocrítica

Embora num nível abaixo do que muitos esperavam, a sociedade brasileira deu um salto, de junho para cá. A imprensa precisa acompanhar e se inserir nessa evolução. Não faz muito tempo, a mídia adotava o discurso do obrismo. Que o diga a Fortaleza projetada a partir das copas de futebol e outros empreendimentos. Ainda não encontrei nenhuma autocrítica dos veículos de comunicação, admitindo mudança de visão, se for o caso, entre um tempo bem recente e as últimas liminares.

Faltando um pedaço

Na coluna anterior, registrei um problema com a manchete do O POVO do último dia 23, que destacou o caso Cocó. Citei a gravidade de o jornal não ter informado o lugar onde a Prefeitura de Fortaleza pretende erguer os viadutos, quando é, justamente, esse o ponto da discórdia. O problema do gênero volta a se repetir. Desta vez, em matéria sobre o arquivamento de um pedido de cassação do mandato do vereador de Fortaleza, Leonel Alencar. Publicada no dia 28, a matéria tem vários elementos jornalísticos necessários. Menos a informação sobre as acusações que pesavam contra o representante do PTdoB. Nos dois episódios, levamos ao leitor duas histórias incompletas. Incompreensíveis para os que já não vinham acompanhando. Em cada uma faltou um pedaço. Justamente o mais importante.

FOMOS BEM

MAIS MÉDICOS.

Mostramos bem a resistência da categoria no Ceará e seus desdobramentos

FOMOS MAL

APAGÃO NO NORDESTE.

Concorrência teve mais capilaridade, com relatos do Interior do Estado”

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