Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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VOZ DOS OUVIDORES >

Daniela Nogueira

Por em 28/01/2014 na edição 783

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O jornalismo e os jornais vêm, há muito, se adaptando ao imediatismo do online (driblando, claro, para não perder a audiência dos meios tradicionais). Dentro desse ecossistema imenso que está sempre se renovando na mídia, os blogs de jornalistas assumem funções valiosas. O POVO abriga vários deles. Alguns são escritos por jornalistas do Grupo. É o caso do Blog do Eliomar (http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/), produzido pelo jornalista Eliomar de Lima, que também responsável pela coluna Vertical, no jornal impresso.

A página da web é conhecida por trazer atualizações constantes, dada a rede de contatos e credibilidade que o jornalista mantém. Como colunista, tem suas fontes cativas e, por vezes, surpreende com notícias exclusivas. O recurso de interatividade do Blog do Eliomar é utilizado por meio de comentários, compartilhamentos nas redes sociais, além do envio de imagens e notícias pelos leitores internautas. É o blog de mais audiência do portal O POVO Online, como informa Juliana Matos Brito, editora-executiva do portal.

Queixas

Nessa semana que passou, recebi várias queixas de internautas que não conseguiam utilizar o blog de modo costumeiro. Reclamavam que não podiam comentar as notícias, compartilhar no Facebook ou simplesmente atualizar a página. Algo estava errado. “Isso prejudica a imagem do blog”, foi uma das mensagens deixadas na secretária eletrônica. Os lamentos haviam chegado uma semana antes. Recorri à equipe de suporte do blog e fui informada que os problemas estavam sendo solucionados. Mas não foram. E parecem ter aumentado, haja vista o número de reclamações na semana.

Miúcha Pinheiro, coordenadora de Projetos Digitais, me explicou: ocorria uma atualização e uma otimização das configurações no ambiente em que os blogs estão hospedados. “Esse procedimento está causando problemas de acesso e funcionamento de alguns recursos. Estamos monitorando diariamente, pois em cada dia da semana temos uma audiência diferente, corrigimos eventuais erros e semana que vem finalizamos esse processo”, comentou.

Agilidade

A audiência do Blog do Eliomar já é consolidada. Os leitores não deixarão de ir à página por conta desses problemas, mas certamente não é a qualidade que se espera do blog mais lido do portal. O problema é pontual, como enfatizam as responsáveis pela coordenação do blog. Porém, a agilidade em resolvê-lo deve ser proporcional à audiência que ele gera – que não é pequena.

Estupro e nome do acusado

Na edição de quinta-feira, 23, o jornal publicou a matéria “Empresário é preso por abuso sexual”, em que relatava o caso de um homem preso acusado de estuprar seis crianças. Dentre elas, a filha. Ao fim da matéria, O POVO explicou que não publicava o nome do empresário como forma de contribuir para a não identificação da filha dele. Foram várias mensagens questionando O POVO por omitir o nome do acusado. Alguns alegaram que o procedimento ocorria devido à classe social do empresário.

Constrangimento

Sobre o caso, responde a editora-executiva do Núcleo de Cotidiano, Tânia Alves: “Em respeito ao Estatuto da Criança e Adolescentes (ECA) – artigos 17 e 18 – e ao Código de Ética dos Jornalistas – artigo 7, O POVO não publica o nome de acusados que sejam próximos às vítimas, para evitar que elas sejam identificadas e passem por constrangimento. No caso específico: o empresário era vizinho das crianças. Além disso, uma das meninas era filha dele. As matérias devem proceder assim, sem distinção de classe social ou da profissão dos envolvidos”.

Houve quem comparasse o caso com a história da menina Alanis, encontrada morta em 2010, após ser raptada e estuprada, no bairro Conjunto Ceará. À época, o nome do acusado foi divulgado pela imprensa. Tânia explica a diferença: “O caso da Alanis é diferente. Publicamos o nome dela porque a menina estava desaparecida. Nesta situação, admitimos publicar o nome na tentativa de encontrá-la. Depois que a Polícia desvendou o crime, publicamos o nome do assassino. Ele não era parente, vizinho e sequer conhecido da família da menina. Além disso, Alanis havia sido encontrada morta”.

O jornalismo deve ser responsável. Mais do que satisfazer ao desejo de saber o nome dos envolvidos, a instituição deve prezar pela integridade da vítima – psíquica, sobretudo. Estamos lidando com crianças e adolescentes. O amparo, portanto, deve ser redobrado.

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