Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > ‘O POVO’

Tânia Alves

03/03/2015 na edição 840
O tempo do jornalismo x tempo do leitor”, copyright O Povo, Fortaleza (CE), 1/3/2015

O tempo sempre é curto para os repórteres que trabalham em redação de jornais, rádios, TVs e portais. Colher os dados exige velocidade, escrever o texto requer agilidade e editar, atenção aliada à rapidez. Às vezes, no entanto, a urgência do leitor parece que não consegue sensibilizar os jornalistas. Pelo menos posso afirmar esta realidade a partir de um episódio registrado, mês passado, com os representantes do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca).

No último dia 6 de fevereiro, a Editoria de Política publicou uma matéria intitulada “Movimentos repudiam indicação de Dra. Silvana”(veja abaixo), em que as entidades rejeitavam a indicação da deputada para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. O texto afirmava que o Cedeca era “um movimento ligado ao deputado Renato Roseno (Psol)”. No mesmo dia em que a informação foi publicada, a coordenação da entidade enviou um email para os editores solicitando o reparo. Sem ter seu pleito respondido, a coordenadoria voltou a insistir por duas vezes para que fosse feita uma errata, na mesma semana. Ainda sem obter qualquer explicação, duas semanas depois, foi a vez de a ouvidoria do O POVO ser acionada.

Enviei um email alertando sobre o pedido de correção para os editores da área. Não recebi retorno até quinta-feira, 26, quando, novamente, remeti a solicitação, agora anexada à avaliação interna. Foram três dias para a resposta chegar à ombudsman e 15 dias para o Cedeca ter algum retorno do jornal. É tempo demais para atender ao leitor.

Ligação histórica

Contatado para falar sobre a questão, o editor-executivo do Núcleo Conjuntura, Guálter George, admitiu uma falha, como editor, na demora em responder ao Cedeca. “Fui acionado pelo repórter a tempo, de fato, mas razões de momento me levaram a adiar este retorno e, posteriormente, esquecê-lo. Portanto, admito ter falhado por completo neste capítulo, que é importante nas nossas relações com a fonte e o público em geral”.

O editor, no entanto, faz outra análise com relação ao que foi publicado no texto da matéria. “O que está ali, sem qualquer intenção outra que não a de dar ao leitor uma informação que avaliamos relevante, é o registro de uma relação entre o hoje deputado e o Cedeca. Há um debate semântico possível, em torno do uso do termo ‘vinculado’, mas insisto que a única intenção presente foi a de reforçar uma ligação histórica que existe, é real, entre Renato Roseno, na sua trajetória como militante e advogado, e a entidade. Aliás, se leitura for possível fazer das entrelinhas, parece muito mais factível sugerir que o interesse seria de dar mais coerência ao nome dele para comandar, na Assembleia, uma Comissão que funciona para cuidar da temática dos Direitos Humanos”.

Não tem ligação

Quando o leitor liga, escreve, envia mensagens para a Redação, quer uma pronta resposta. É preciso atenção a isso. Pela pressa em se fazer a notícia, nem sempre os jornalistas estão atentos à questão. O editor-executivo do Núcleo de Conjuntura acerta em reconhecer que demorou para atender ao Cedeca, mas escorrega quanto à necessidade de publicar uma errata. Há razão de se pedir um reparo na frase. O deputado do Psol tem uma militância na área de direitos humanos e dos movimentos sociais, mas daí a noticiar que a entidade está ligada ao mandato do parlamentar vai uma distância muito grande. É um viés dedutivo. Essa organização da sociedade civil surgiu no Ceará no esteio do Estatuto da Criança e do Adolescente, há 20 anos. Não foi criada por causa do mandato nem existe em consequência dele. Pode ser que, em algum momento, a ação dos dois se encontre, assim como pode se fundir com a de outros parlamentares que também mantenham trabalho nessa área de interesse.

Ainda sobre a Cantareira

Leitor liga para a ouvidoria para dizer que discorda do teor da coluna do Ombudsman, do último dia 21 de fevereiro, com o título “A Cantareira que encanta a gente”. Ele defende que o espaço é também dos leitores e pede para que seja reproduzida a crítica dele neste espaço. Segundo o leitor, “a insistência de manchetes sobre a Cantareira demonstra um viés ideológico já que o Estado (São Paulo) é dirigido por um político do PSDB. Isto ocorre em detrimento das notícias sobre o nível dos reservatórios cearenses”. Está dada a informação.

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Tânia Alvesé ombudsman do jornalO Povo

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