Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > THE NEW YORK TIMES

A controvérsia sobre o aquecimento global

08/12/2009 na edição 567

Diante do encontro entre líderes mundiais, esta semana, para discutir o aquecimento global, em Copenhagen, céticos dizem que e-mails hackeados de um servidor de uma universidade britânica evidenciam que a conferência pode fazer muito alvoroço por nada. Segundo eles, as mensagens mostram uma conspiração entre cientistas para exagerar a influência humana no clima – e muitos acusam o New York Times de não tratar o episódio de maneira correta, informa em sua coluna de domingo [6/12/09] o ombudsman Clark Hoyt.

Embora o NYTimes tenha sido um dos primeiros jornais a divulgar os tais e-mails, em um artigo de capa no mês passado, tendo continuado a publicar matérias sobre o assunto quase que diariamente no site e em sua versão impressa, leitores levantaram diversas questões. Alguns alegam que Andrew Revkin, veterano repórter que escreve sobre o meio ambiente e que tem coberto o que os céticos batizaram de ‘Climategate’ (algo como Climagate, em referência ao escândalo Watergate), estaria envolvido em um conflito de interesses porque é mencionado em algumas das mensagens que a Universidade de East Anglia diz terem sido roubadas.

Outros leitores reclamaram que o diário não disponibilizou os e-mails no site e zombaram da explicação de Revkin, em seu blog, de que eles continham ‘informações privadas e declarações que não tinham a intenção de se tornar públicas’. ‘E os papéis do Pentágono?’, rebateram, lembrando do escândalo denunciado pelo NYTimes em 1971 sobre a história do planejamento interno e da política nacional da Guerra do Vietnã.

Conflito de interesses?

Assim que soube que Revkin foi mencionado nos e-mails dos cientistas, Erica Goode, editora de meio ambiente, consultou-se com Philip Corbett, editor de padrões do jornal. Ela leu as dezenas de mensagens que continham o nome de Revkin e viu que se tratava apenas do repórter pedindo informações para matérias, sem ‘nenhuma relação próxima com os cientistas, além do fato de conhecê-los’. Por isso, a editora e Corbett decidiram que não havia conflito de interesses que justificasse o afastamento de Revkin da pauta.

Em relação a publicar os e-mails, Revkin reconhece que poderia ter usado outras palavras para explicar o motivo de não torná-los públicos, seguindo um conselho de um advogado do NYTimes, George Freeman. De acordo com Freeman, há uma grande distinção legal entre documentos do governo, como os papéis do Pentágono, e e-mails particulares de indivíduos. A Constituição protege o vazamento de informacão do governo, a não ser que seja de valor jornalístico e que não tenha sido obtida ilegalmente. Mas os e-mails roubados estão cobertos pelas leis de proteção americana e britânica.

Na semana passada, Revkin disse em seu blog que estava pedindo a opinião de uma variedade de pesquisadores sobre se os e-mails contribuem para modificar o nosso entendimento sobre o aquecimento global. Um deles, Roger Pielke Sr, da Universidade do Colorado, crítico do que chama de ‘oligarquia do clima’, respondeu que não. Segundo ele, a medida da temperatura feita pelo grupo da universidade britânica era apenas um dos muitos fatores que mostravam uma tendência de aquecimento global a longo prazo e que não tinha dúvidas de que o dióxido de carbono produzido por humanos seria um dos maiores causadores. Revkin reconhece que há um debate entre cientistas sobre o quão rápido a Terra está se aquecendo, o quanto a atividade humana está contribuindo para isso e o quão severo será o impacto.

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