Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

A escassa cobertura local

19/10/2010 na edição 612

Há quase uma década, durante uma reunião de planejamento em um hotel na Flórida, chefes de redação da equipe do Washington Post ouviram uma avaliação da cobertura local do diário. Jo-Ann Armao, então editora de notícias locais, descreveu uma ‘transformação extraordinária’ na seção metropolitana, que contava com 110 repórteres, 30 editores seniors e dezenas de outros editores e assistentes. A equipe de cobertura de Maryland havia aumentado para 38 repórteres, com novas sucursais em oito condados. Para a Virgínia, havia 32 repórteres e sucursais em sete condados e na capital. Apenas em Washington, D.C. a equipe havia sido reduzida – porque a população havia diminuído.

Hoje, não há mais esta vasta rede. A necessidade de corte de custos fez com que a seção metropolitana diminuísse para 40 repórteres e o número de editores foi cortado à metade. Apenas um pequeno número de repórteres permanece nos subúrbios. Ao longo do último ano, o ombudsman Andrew Alexander vem recebendo reclamações de leitores destas áreas, que alegam que a cobertura jornalística de suas comunidades é escassa.

Candidatos a cargos políticos também reclamam que recebem pouca atenção, e pais dizem ser ignorados nas suas demandas, comenta Alexander em sua coluna de domingo [17/10/10]. O porta-voz das escolas do condado de Fairfax, Paul Regnier, observou uma considerável redução nas matérias sobre as escolas locais, incluindo o acalorado debate sobre o orçamento, que afeta diretamente os contribuintes. ‘Não há muito interesse no dia a dia do que está acontecendo no sistema escolar’, desabafou.

Os chefes de redação, entretanto, não devem ser culpados pelas reduções de equipe, avalia o ombudsman. Cortes dramáticos foram necessários por conta da recessão e consequente queda nos anúncios, o que colocou as finanças do Post no vermelho. Houve, portanto, um caminho lógico em colocar a equipe reduzida focada nos tópicos mais importantes e não distribuída geograficamente.

Cobertura desequilibrada

Ainda assim, Alexander vê dois problemas com a atual operação de notícias locais. Primeiro, a cobertura não é equilibrada. Uma avaliação de 450 matérias locais mostra que 40% estão focadas em Washington – muito mais que os condados de Montgomery, Fairfax e Prince George juntos. No entanto, a tiragem dominical e diária em Montgomery e Fairfax é imensamente maior do que em Washington e apenas um pouco menor do que em Prince George.

A disparidade pode ser explicada pela aquecida disputa nas eleições primárias à prefeitura do Distrito de Columbia. Além disso, o interesse no local é alto por conta da região ser um centro de empregos e entretenimento. A cobertura pode, ainda, ser influenciada pelos locais onde a equipe do Post mora. Uma análise dos endereços mostra que mais da metade mora em Washington, com poucos em Maryland e menos ainda na Virgínia. Assim como os leitores, jornalistas tendem a focar em suas próprias comunidades.

Um outro problema é que os repórteres locais trabalham na redação do Post, e não em sucursais nos subúrbios. Ao trabalhar diretamente dos locais onde ocorrem os fatos, os repórteres poderiam produzir matérias com mais impacto e profundidade. Segundo a chefe de redação Liz Spayd, estas questões estão sendo discutidas e mudanças serão anunciadas após a substituição do editor de notícias locais Emilio Garcia-Ruiz, que ocupará um novo cargo envolvendo projetos digitais.

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