Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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VOZ DOS OUVIDORES >

A guerra, o oportunismo e suas vítimas

Por Sobre artigo de Michael Getler em 25/01/2005 na edição 313

No dia 21/7/03, o Washington Post publicou matéria do repórter Peter Finn sobre uma mulher iraquiana de 41 anos que alegava ter sido estuprada e torturada pela polícia de Saddam Hussein. Contada com detalhes, a história de Jumana Michael Hanna era chocante, e o governo dos EUA, adotando-a como um exemplo de que a invasão do Iraque era necessária, resolveu conceder-lhe asilo, junto com o que restava de sua família. O vice-secretário de defesa, Paul Wolfowitz, chegou a elogiar, diante de um comitê do Senado, a coragem da mulher em apresentar aquelas ‘informações muito provavelmente críveis’.

Na semana passada, no entanto, o Post informava que o relato de Jumana era falso. E a verdade só veio à tona graças à investigação feita por Sara Solovitch para uma reportagem publicada na edição de janeiro da revista Esquire. A jornalista havia se proposto a escrever um livro sobre a iraquiana e, ao entrevistá-la, foi se dando conta de que a mulher estava mentindo. Para a repórter da Esquire, ela chegou, inclusive, a inventar lorotas ainda maiores, como, por exemplo, que os torturadores haviam escrito a palavra ‘traidora’ em seus seios com ferro em brasa e que havia freqüentado a Universidade de Oxford, na Inglaterra. A reportagem da revista ainda desmentia o fato de que o marido de Jumana havia sido morto na prisão, o que ela havia contado a Finn.

A gravidade da farsa exigia uma retratação e o Post a fez. O correspondente admitiu que deveria ter investigado mais a fundo e refuta a hipótese de que seu encontro com Jumana teria sido favorecido pelo governo dos EUA. A correção, no entanto, saiu com menos destaque do que gostaria o ombudsman Michael Getler, segundo sua coluna de 23/1/05. Ele observa que já havia comentado anteriormente que reportar o relato de vítimas da guerra é algo importante, porém arriscado. Seria necessário sempre deixar claro ao leitor que as histórias não puderam ser totalmente verificadas e, se for o caso, que foram intermediadas por um intérprete.

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