Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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VOZ DOS OUVIDORES > THE NEW YORK TIMES

A importância de ouvir os dois lados

14/11/2006 na edição 407

Ouvir os dois lados de uma história e mostrá-los aos leitores é o trabalho básico de repórteres e editores. Esta é a receita para se criar um jornal imparcial – para os leitores e para as instituições e pessoas que são tema das matérias, analisa o ombudsman do New York Times, Byron Calame, em sua coluna de domingo [5/11/06]. Isto ajuda a assegurar que os leitores tenham um ponto de vista completo e preciso de uma cobertura jornalística. Infelizmente, diz Calame, o NYTimes tem em seu histórico recente diversos casos em que os personagens das matérias não tiveram oportunidade de fazer comentários.

Citações perdidas

No mês passado, um erro de informação em uma matéria sobre a disputa ao Senado em Connecticut poderia ter sido evitado caso o princípio de imparcialidade tivesse sido seguido. O artigo tratou da ‘guerra de palavras sobre a guerra no Iraque’ entre Joseph I. Lieberman, candidato independente, e Ned Lamont, candidato democrata – que venceu a disputa. Um artigo publicado no fim de outubro observava que Lamont, em sua campanha, acusava freqüentemente Lieberman de apoiar a política da administração Bush com relação ao Iraque. Segundo a matéria, Lieberman alegava que a acusação era errônea e baseada em declarações fora de contexto.

Para esclarecer o desentendimento entre os dois candidatos, o jornal fez uma extensa busca de dados relacionados a comentários sobre a guerra do Iraque feitos por Lieberman desde o dia 11/9/01. Foram procuradas citações em 362 diferentes discursos, debates, conferências, releases e artigos. Com base nestas informações, a matéria declarou que Lieberman ‘repetidas vezes elogiou o presidente Bush, mas o criticou muito mais vezes’ e ‘fez três vezes mais comentários negativos sobre os companheiros democratas do que comentários positivos’.

Entretanto, quatro dias antes da publicação do artigo, Jodi Rudoren, subeditora da seção metropolitana, teve a idéia de procurar especificamente a expressão ‘manter o rumo’ (‘stay the course’) – que constava nas acusações feitas por Lamont a Lieberman. Ela nada encontrou, mas foi descoberto, mais tarde, que Lieberman havia realmente usado tal expressão.

Erros do jornal

Para Calame, Lamont deveria ter sido procurado para comentar a pesquisa feita pelo jornal – que desmentia as acusações feitas por ele. Isso, entretanto, não foi feito. Além disso, a pesquisa deveria ter sido feita com relação aos dois candidatos, o que também não ocorreu. ‘Em retrospecto, depois de checarmos o erro, deveríamos ter falado com Lamont novamente’, diz Jodi, sem, no entanto, concordar que isto seria mandatário para a imparcialidade jornalística. No dia seguinte à descoberta do erro, o NYTimes publicou uma correção formal e um artigo sobre o caso, afirmando não estar clara a razão para a pesquisa não ter encontrado a expressão.

O caso Lieberman motivou o ombudsman a checar quão freqüentemente o NYTimes dá às pessoas o direito de comentar erros escritos sobre elas. Pesquisando as notas de editores desde 1994, Calame notou que a prática ocorreu com mais freqüência nos últimos três anos do que em toda a década passada. Para ele, isto se deve a uma maior transparência e abertura às reclamações dos leitores depois do escândalo do repórter-plagiador Jayson Blair, em 2003. Outro fator seria a pressão para satisfazer o apetite crescente da versão online para matérias, vídeos e áudio com informações sempre atualizadas.

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