Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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A responsabilidade na cobertura eleitoral

04/11/2008 na edição 510

Com a proximidade das eleições presidenciais, jornalistas americanos começaram a pisar em ovos nas últimas semanas. Trata-se de um período muito arriscado, onde é preciso evitar exageros e especulações na cobertura, pois estão em jogo a credibilidade do veículo de comunicação e o direito dos eleitores em decidir seu candidato sem se influenciar pela mídia.

‘Acabou. Avaliei as pesquisas e o mapa eleitoral por meses e não acredito mais que John McCain possa vencer’, escreveu, há duas semanas, o colunista Charles M. Blow, do New York Times. Tudo bem, Blow ainda escreve para a página editorial do jornalão. Mas o que dizer de capa recente da revista Newsweek, que dizia ‘Como o presidente Obama governaria uma nação de centro-direita’. Na semana passada, a revista New York foi na mesma onda: ’20 de janeiro de 2009: como seria a administração de Obama’.

Para o ombudsman do NYTimes, Clark Hoyt [2/11/08], é preciso haver responsabilidade na divulgação de informações durante a campanha eleitoral. O diário nova-iorquino e outras organizações de mídia já erraram uma vez este ano, nas primárias de New Hampshire. A cobertura, que refletia pesquisas de opinião e a visão dos repórteres em campo, mostrava que Obama venceria Hillary Clinton no estado. O NYTimes chegou a publicar um artigo de capa no dia da votação que citava um membro da campanha de Hillary considerando a possibilidade de que ela não venceria em New Hampshire. Dois dias depois, o jornal se perguntava como as pesquisas e as organizações de mídia não conseguiram prever a derrota de Obama.

Recorrente

Agora, editores e repórteres estão atentos para não correrem o mesmo risco. Ainda assim, já foi criada uma expectativa na vitória de Obama e também dos democratas no Congresso. Se isto não acontecer, o NYTimes e outras organizações de mídia terão muito o que explicar, diz Hoyt. ‘É difícil, mesmo que se faça uma edição atenta, não deixar passar a idéia de quem pode ser o vencedor’, reconhece a chefe de redação Jill Abramson, acrescentando que o jornalão tem evitado o tom especulativo nas matérias.

Na opinião de Richard Stevenson, editor encarregado da campanha eleitoral, há um alto grau de otimismo por parte dos democratas. ‘Obama está em melhor posição que McCain. Esta é a realidade e não vamos fingir que não é’, diz. O repórter político Adam Nagourney concorda. ‘Não acho que [o pleito] já está decidido, mas temos que refletir o que está acontecendo. Obama está à frente nas pesquisas nacionais’, alega. Nagourney já escreveu matérias afirmando que não será fácil, mas não é impossível, a vitória de McCain.

A última pesquisa do NYTimes e da CBS News, divulgada no dia 31/10, revelou que Obama estava à frente na disputa por 11 pontos. No entanto, as eleições presidenciais não são decididas por votos populares, mas sim pelo número de votos de cada estado – e estas pesquisas variam muito. Na semana passada, 10 pesquisas sobre os eleitores da Pensilvânia mostraram que Obama estava à frente por 4 a 14 pontos percentuais. ‘Não tenho idéia de quem possa ganhar. O que a pesquisa do New York Times/CBS News diz é o que estava na mente das pessoas quando foram entrevistadas’, explica Janet Elder, editora encarregada das pesquisas.

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