Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

A verdade está nas mãos da imprensa

Por Sobre artigo de Michael Getler em 17/02/2004 na edição 264

No dia 29 de janeiro, o ex-inspetor de armas americano encarregado de investigar o suposto arsenal de destruição em massa de Saddam Hussein, disse acreditar que tais artefatos não existiam. Isso colocou em cheque a prerrogativa utilizada pelo presidente George W. Bush e seus apoiadores para invadir o Iraque. Em sua coluna de 15/2, o ombudsman do Washington Post, Michael Getler, se diz decepcionado com o pouco destaque que os jornais, de forma geral, deram às vozes discordantes da guerra, antes de ela acontecer. Ele localiza algumas situações em que os diários americanos deram espaço a pessoas do governo que alertavam para alguns erros que estariam sendo cometidos. No entanto, sempre em meio a uma montanha de outras notícias, o que acabava por não ser o suficiente para abrir os olhos da opinião pública, apesar de que, claro, nem tudo referente à guerra podia sair na primeira página.

Agora, o presidente Bush aceitou a formação de uma comissão independente para investigar como foi o trabalho de inteligência que subsidiou a operação no Oriente Médio. Mas, talvez não por acaso, suas conclusões só serão anunciadas após a eleição presidencial. Essa situação lembrou Getler de uma outra história, ocorrida em 1975. Naquela época, com o presidente Gerald Ford no poder, foi criado o ‘Time B’, equipe de 16 experts, entre eles o atual sub-secretário de Defesa, Paul Wolfowitz, para avaliar o trabalho da inteligência militar. Wolfowitz acreditava que o poderio militar e econômico da União Soviética estava sendo subestimado. O governo contava então com alguns elementos que o assemelham ao atual: Dick Cheney (atual vice-presidente) era chefe de pessoal da Casa Branca, Donald H. Rumsfeld era secretário de Defesa pela primeira vez, e George H.W. Bush (pai do atual presidente) era diretor da CIA. A equipe especial tirou diversas conclusões polêmicas e gerou muita agitação.

Getler apóia a reedição da superequipe de investigadores. No entanto, pelo prazo dado à nova comissão, acredita que o mais provável é que a imprensa terá de ser o novo Time B. ‘Então esteja certo de ler a página A17, ou seja lá em que parte aparecerá a próxima peça desse quebra-cabeça’, conclui.

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