A vitória de Bloomberg e o que não foi dito sobre ela | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DO LEITOR > THE NEW YORK TIMES

A vitória de Bloomberg e o que não foi dito sobre ela

17/11/2009 na edição 564

Na manhã após a eleição à prefeitura de Nova York, o New York Times reportava que o meio político tinha sido surpreendido com a vitória do atual prefeito Michael Bloomberg por uma margem de menos de cinco pontos e revelava detalhes de sua campanha. Um artigo descrevia como pessoas que trabalharam na campanha de Bloomberg vendiam uma imagem de ‘vitória inevitável’, enquanto secretamente preocupavam-se com os baixos números nas pesquisas. Além disso, a matéria fala dos esforços para que a Casa Branca evitasse que o presidente Barack Obama ajudasse o candidato democrata, William Thompson.

Alguns leitores ficaram indignados por não terem tido acesso a este tipo de informação antes das eleições, alegando que isto poderia ter mudado a opinião dos eleitores. Segundo eles, o jornalão teria segurado informações cruciais e deixado de ver que muitos eleitores ficaram ofendidos com os esforços de Bloomberg em mudar a lei para conseguir se eleger em um terceiro mandato.

Para Michael Barbaro, um dos repórteres que escreveram sobre a campanha de Bloomberg, não houve esforço para segurar nenhuma informação. A maior parte dos dados do artigo foi apurada nas 48 horas anteriores ao pleito. Sua editora, Carolyn Ryan, lembra uma frase conhecida de jornalistas políticos: aqueles que participam de campanhas políticas e querem vencer só revelam certas informações após o término da eleição.

A pressão sobre a Casa Branca também deixou alguns leitores enfurecidos. Esta informação, segundo Barbaro, só foi confirmada às nove da noite de segunda-feira, horas antes dos nova-iorquinos começarem a votar. Matérias publicadas anteriormente não forneciam este detalhe, mas certamente deram a entender que a campanha de Bloomberg – candidato independente – estava agressivamente sondando a Casa Branca e que Obama, por este motivo, estariam pedindo apoio do prefeito para sua reforma no sistema de saúde.

Não há evidências para apoiar as suspeitas de leitores de que o jornal estava deliberadamente segurando informação para influenciar os resultados, afirma o ombudsman, Clark Hoyt. Barbaro e seus editores publicaram a matéria no momento em que puderam. Se a cobertura contribuiu para exagerar a invencibilidade de Bloomberg – assim como sugeriu toda a mídia de Nova York – é outra questão, diz Hoyt.

Joe Sexton, editor da seção metropolitana; David Chen, que monitora a cobertura da prefeitura; e Carolyn discordam sobre a acusação de que o jornal tratou a eleição como uma atribuição de vitória para Bloomberg. ‘Fizemos tudo o que um jornal responsável deve fazer: escrevemos biografias extensas dos dois candidatos, examinamos seu passado e campanhas, tratamos Thompson como um sério concorrente e descrevemos o que sua administração seria’, afirma Carolyn. Dois artigos publicados antes das eleições mostravam dúvidas sobre a vitória de Bloomberg. Além disso, não houve pesquisas patrocinadas pelo NYTimes por conta de uma decisão financeira, afirmou, contrariada, a editora Janet Elder.

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