Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CADERNO DO LEITOR > THE WASHINGTON POST

Algumas resoluções por um jornal melhor

23/12/2008 na edição 517

O Washington Post é um dos melhores jornais dos EUA, diz Deborah Howell. ‘Chegando fim do meu mandato’, afirma a ombudsman, ‘eu gostaria, uma vez mais, de assinalar alguns pontos em que o Post pode melhorar a acessibilidade e a credibilidade e atrair leitores.’

O Post precisa valorizar cada leitor e dar mais atenção aos que se afastam por não se verem refletidos em suas páginas. Poderiam esses leitores voltar? Não está claro, mas vale a pena tentar, diz Deborah.

Transparência

O Post deveria colocar seu admirável código de ética e padrão de orientações no sítio Washingtonpost.com para que todos pudessem ver, defende a ombudsman. É possível encontrar parte disso no sítio American Society of Newspaper Editors. O Post desafia a lógica dos outros; as políticas do jornal, escritas de forma razoável e elegante, deveriam ser públicas e fáceis de encontrar. ‘Lutei muito por isso, mas não aconteceu’.

O Post precisa melhorar ao atribuir a informação e identificar a fonte. Os leitores merecem saber de onde vem a informação. São usadas em demasia fontes anônimas – ‘fontes próximas’ a determinada autoridade, ou ‘fontes da inteligência dizem’, ou sem citação alguma de fonte. O manual de redação do Post diz que o jornal ‘se compromete a divulgar a seus leitores, na maior abrangência possível, as fontes de informação de suas matérias. Queremos que as nossas reportagens tenham a maior transparência possível para os leitores, para que estes possam saber como e onde conseguimos a informação’.

Esta é uma boa política e deve ser seguida com muito mais atenção. O mesmo para esta: ‘Devemos nos esforçar por dizer aos nossos leitores por que nossas fontes não mencionadas merecem nossa confiança. Nossa obrigação é a de servir aos leitores, e não às fontes. Isso significa evitar atribuir [informações] a ‘fontes’, ou ‘fontes bem informadas’. Em vez disso, deveríamos tentar dar ao leitor algo mais, como ‘fontes próximas ao pensamento da defesa no caso’… Quando fontes se recusam a ser identificadas, muitas vezes ajuda mostrar aos leitores que tentamos identificá-las e explicar por que não o conseguimos.’

O acesso ao Post deveria ser mais fácil, com uma lista completa de contatos no sítio e a publicação freqüente, no primeiro caderno, dos números de telefone e endereços eletrônicos das editorias e dos editores.

Comentários de leitores no Washingtonpost.com deveriam ser monitorados com mais cuidado. A reputação do Post é arranhada quando comentários racistas ou obscenos ficam ali por horas, ou dias. Também deveria ser dada mais atenção às correções. Muitas vezes, é uma luta para conseguir que publiquem uma errata e muitas delas não são publicadas. Em tempos de apertar o cinto, o Post deve manter um bom contingente de redatores. O poder da reportagem é importante, mas se os fatos não forem checados e se existirem erros de gramática ou de matemática é a credibilidade que sofre.

Responsabilidade

O Post precisa melhorar a cobertura do governo federal – principalmente agora, que estão sendo fechadas, ou reduzidas, repartições em Washington. Certa vez, Bob Woodward disse que ‘é mais importante cobrir o exercício do poder do que o poder de aquisição’. Com exceção da Casa Branca e algumas repartições de peso (Secretarias de Estado, da Defesa, do Tesouro e da Justiça), assim como da comunidade de inteligência, a cobertura do Post é sofrível. Poderia ocorrer um baita de um escândalo nas repartições ‘menores’ e o Post e seus leitores não saberiam.

É importante dedicar maior cobertura à religião, diz a ombudsman. A região de Washington é rica em religiões com matérias interessantes. Foram boas as matérias de primeira página sobre a questão do aborto, de Jacqueline Salmon, sobre as mudanças no catolicismo, de Michelle Boorstein, e a do repórter Rob Stein, sobre ciência, mas dois repórteres não são suficientes.

Diversidade

É preciso ainda fazer um esforço sério para cobrir assuntos político-sociais conservadores; o jornal tende a se afastar dessas matérias, o que deixa os conservadores se sentindo excluídos. Maior diversidade de opinião seria bem-vinda.

Há uma diversidade racial inacreditável na circulação do Post. Suas páginas de notícias e editoriais precisam refletir mais isso. Também deveria ser dado mais atenção às leitoras. Neste ano, um exemplo excelente foram as matérias de Mary Jordan e de Kevin Sullivan sobre as dificuldades e perigos das mulheres no Paquistão, Alemanha, Grã-Bretanha, Serra Leoa e Burkina Faso – e, principalmente, a comovente matéria sobre as terríveis condições de trabalho das meninas na Índia, enquanto seus irmãos recebem educação. A página de opinião também precisa de uma dose generosa de gênero e de diversidade étnica.

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