Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Assassinatos de jornalistas sobem 25% em 2010

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 30/09/2010 na edição 609


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 30 de setembro de 2010


 


PROFISSÃO PERIGO


Assassinatos de jornalistas sobem 25% neste ano


O número de assassinatos de jornalistas no mundo subiu 25% em 2010, segundo levantamento da organização não-governamental PEC (Campanha Emblema de Imprensa), sediada na Suíça.


Foram 90 mortes em 33 países desde o início do ano. No mesmo período de 2009, eram 72 os assassinatos.


De acordo com a PEC, mais da metade das mortes ocorreram em cinco países.


O México figura na posição de país mais perigoso: 13 profissionais morreram nos últimos nove meses. Eles foram vítimas de narcotraficantes ou morreram após serem atingidos em confrontos entre as forças de segurança do governo e os criminosos.


No segundo lugar do ranking mundial, com nove mortes cada um, ficaram Honduras e Paquistão -sendo a fronteira com o Afeganistão a região mais perigosa para jornalistas.


Em seguida na lista vêm Iraque, Rússia e Filipinas, cada um com cinco casos.


O levantamento também apontou aumento nos assassinatos de jornalistas no Oriente Médio, principalmente no Iraque, que registrou três casos só na última semana e teve um atentado a bomba contra o carro de um âncora de TV -ele se feriu.


O secretário-geral da PEC, Blaise Lempen, fez um apelo para que o Conselho de Direitos Humanos da ONU analise o problema ainda neste ano.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Últimos lances


No topo das buscas de Brasil no Google News, com agências, ‘Pesquisas mostram que Rousseff evitaria segundo turno’. Sem atenção às pesquisas, na home do ‘Washington Post’, o enviado Juan Forero ouviu analistas para destacar que, ‘No rastro do popular presidente brasileiro, espera-se vitória de ex-radical’. O texto abre avisando que Lula não se candidatou, ‘mas você nem perceberia’, tamanha a presença na campanha. E faz longo perfil de Dilma.


O presidente prosseguiu na campanha, ontem, em comercial contra aqueles que vêm ‘do submundo da política para inventar mentiras’, contra os e-mails com boatos de cunho religioso contra Dilma.


A reação de Lula foi citada aqui e ali, mas os portais fecharam o dia com outra manchete. Por G1 e Terra, ambos destacando Gilmar Mendes, o Supremo adiou a decisão sobre os documentos. No início da noite, ‘Gilmar Mendes’ liderou os ‘trending topics’ do Twitter no mundo, em meio a palavrões.


REALITY VS. DEBATE


A Record programou a primeira eliminação do reality show ‘A Fazenda’ para hoje à noite, no horário do debate presidencial na Globo, informou o iG.


Segundo a ‘Veja’, o debate entre governadores, anteontem na Globo, não passou de 17,5 pontos em São Paulo, contra 20 da estreia de ‘A Fazenda’.


ESPERANÇA DEMAIS


O ‘Financial Times’ deu a contracapa ontem para as ‘Grandes esperanças’ em torno do Brasil, a um passo da eleição. Repisa conquistas do país, mas destaca que o sucessor de Lula ‘terá trabalho’, porque continua injusto etc. Sublinha que deve evitar ‘hubris’, excesso de confiança, um alerta feito pela ‘Economist’ já no ano passado, na edição ‘O Brasil decola’


‘WHAT’S A GIRL TO DO?’


David J. Rothkopf, ex-integrante do governo Bill Clinton e referência da ‘Foreign Policy’, escreveu sobre ‘Os desafios de escolher o predecessor certo’. Avisa que Dilma ‘pode estar começando com um ponto contra’, pois Lula ‘é talvez o espetáculo mais difícil de substituir no mundo’. Diz que, ‘apesar dos esforços de alguns analistas em derrubá-lo um ou dois degraus, o carismático presidente do Brasil fez trabalho notável’, que incluiu ‘boom econômico, grandes reformas sociais e a elevação do país aos rankings mais altos das nações no mundo’.


E ‘a pergunta é: O que uma garota pode fazer?’. A exemplo do ‘FT’ (acima), afirma que Dilma deve ‘herdar um país com grandes expectativas’. Mas avalia que, ‘cercada pela equipe talentosa que produziu tanto progresso no Brasil nos últimos oito anos, ela está bem posicionada para manter o impressionante momento do país’.


DESAFIOS


Em série de entrevistas sobre ‘O que falta ao Brasil?’, a BBC ouviu de Michael Reid, da ‘Economist’, que o próximo presidente precisa ‘evitar que a receita do petróleo corrompa as instituições públicas’ e ‘aprofundar a qualidade da educação pública’.


Salil Shetty, da Anistia Internacional, afirma que ‘deve ampliar esforços contra a desigualdade, como Bolsa Família’, para aproveitar a chance histórica de romper ‘o longo legado de discriminação e violação dos direitos humanos dos cidadãos mais pobres’.


Jim O’Neill, do Goldman Sachs, dá só ‘um pequeno conselho: não baseie o crescimento em modelos que não funcionaram bem no mundo’, neste momento de transição de ‘emergente’ para ‘industrializado’.


Entre diversos outros, Detlef Nolte, do Instituto Alemão de Estudos Globais, insiste que ‘reduzir a diferença entre ricos e pobres é ainda o maior desafio para o Brasil se tornar realmente um país desenvolvido’.


DIANTE DA GUERRA CAMBIAL


Martin Wolf dedicou a sua coluna de ontem no ‘FT’ e uma longa entrevista ao ‘Valor’ para comentar a ‘guerra cambial mundial’, denunciada pelo ministro Guido Mantega, e os riscos para os emergentes. Em suma, ele avalia que o Brasil terá inevitavelmente de administrar o ingresso de capital, para evitar a próxima grande crise que, diz, deve ter como palco um país em desenvolvimento inundado por recursos externos.


Por outro lado, conforta ele, ‘o consumo interno será a grande saída para sustentar o crescimento’.


 


 


ELEIÇÕES


ANJ e OAB criticam decisão contra Datafolha no PR


A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) criticaram a decisão judicial que proibiu a divulgação de pesquisas eleitorais no Paraná. A proibição foi pedida pelo candidato do PSDB ao governo, Beto Richa.


‘A ANJ considera medidas judiciais dessa natureza como censura prévia e violação ao princípio da liberdade de expressão assegurada pela Constituição’, diz nota da entidade de jornais.


‘O intuito de subtrair à opinião pública informações sobre o andamento da disputa eleitoral fica evidenciada pelo fato de que as edições anteriores das mesmas pesquisas, enquanto apontaram vantagem do reclamante, não foram por ele questionadas’, continua o texto.


O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou ontem que é ‘preocupante’ o impedimento de publicação de pesquisas. ‘Quando candidatos e partidos, sob qualquer argumento, inibem a divulgação de pesquisas eleitorais estão bloqueando informação para o eleitor’, disse.


Foi a segunda vez que Richa barrou a divulgação do Datafolha, alegando irregularidades no levantamento.


A decisão foi do juiz Nicolau Konkel Júnior, do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná). Ele disse ontem ter ficado surpreso que o Datafolha tenha, na segunda pesquisa impugnada por ele, incorrido no que ele considera as mesmas irregularidades que motivaram a proibição de outro levantamento.


O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, contestou as críticas. Disse que ‘não há vício na pesquisa’ e que ‘todas as exigências do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] foram cumpridas’.


 


 


Fotógrafo da Folha é ferido em confronto entre militantes


Marcado pela violência entre militantes aliados de Joaquim Roriz (PSC) e Agnelo Queiroz (PT), o debate entre candidatos ao governo do Distrito Federal realizado pela TV Globo anteontem deixou ferido o repórter fotográfico da Folha Alan Marques.


O profissional foi atingido na cabeça por uma pedra enquanto registrava o tumulto. Teve de ser hospitalizado e levou sete pontos. Um cinegrafista, um auxiliar da TV Globo e um policial militar também ficaram feridos -assim como ao menos três manifestantes do PT e do PSC.


Minutos antes do debate, os militantes transformaram a rua em frente à emissora num campo de batalha. A Polícia Militar, que estava com um efetivo de apenas 16 homens, só conseguiu controlar o tumulto após reforço.


O confronto teve início com a chegada da candidata Weslian Roriz (PSC). Cerca de 200 manifestantes, até então em lados opostos da rua, se aproximaram da entrada da emissora. Do alto do carro de som, um aliado de Roriz provocava os militantes do PT: ‘É o povo do vermelho, da guerra, da destruição’.


 


 


Ana Flor, Catia Seabra, Bernardo Mello Franco, Ranier Bragon e Márcio Falcão


Último capítulo


Com a disputa presidencial indefinida, como mostra a pesquisa Datafolha publicada hoje, o debate de encerramento do primeiro turno, hoje à noite na Rede Globo, adquiriu importância vital para as campanhas dos três principais candidatos.


A coordenação de campanha de Dilma Rousseff (PT) afirma que não vai atacar os adversários e evitará fazer perguntas diretas a José Serra (PSDB). Seu foco será na defesa do governo Lula.


Segundo assessores, no entanto, caso atacada, Dilma ‘estará pronta’ a rebater.


A campanha acredita que o formato do debate da TV Globo é o mais ‘confortável’ para a petista. Como ela ainda usa a bota ortopédica -fruto de uma lesão nos ligamentos-, a organização do evento desistiu do formato em que os candidatos caminhariam pelo palco.


Apostando em mais um embate entre Dilma e Marina Silva (PV), José Serra (PSDB) investirá numa linha light.


Embora tenha recolhido munição para ataques ao governo, Serra torce para que se repita o cenário do debate de domingo, na TV Record, quando a crise na Casa Civil foi abordada 12 vezes. Nenhuma delas por ele.


O candidato reconheceu a interlocutores que teme, porém, a imprevisibilidade de Marina. Como Serra terá que endereçar suas perguntas à verde, ele se preocupa com a agressividade das respostas.


A exemplo de domingo, Serra pretende evitar perguntas diretas a Dilma.


‘Quando você pergunta, a última palavra fica com ela’, alegou a interlocutores.


Sua intenção é falar ao eleitor de renda familiar inferior a cinco salários mínimos – exaltando promessas como o 13º salário para os beneficiários da Bolsa-Família e o salário-mínimo de R$ 600.


Como munição, o candidato reúne informações sobre Correios e aumento das tarifas do setor elétrico.


MARINA


Marina promete repetir a performance mais incisiva do debate da Record, domingo passado, quando conseguiu acuar Dilma e Serra. Aliados falam num comportamento ‘assertivo e afirmativo’, diferente do exibido pela candidata nos encontros anteriores, em que ficou à sombra dos rivais.


Ela preparou novas perguntas sobre o escândalo na Casa Civil, que reduziu as intenções de voto em Dilma, e os gastos do governo paulista na gestão Serra.


‘Os assuntos estão aí para serem esclarecidos à sociedade. Se não forem abordados por outros candidatos, a Marina vai tratar deles’, diz João Paulo Capobianco, coordenador da campanha.


A avaliação no PV é que Marina teve seu melhor desempenho na Record e conseguiu capitalizá-lo no dia seguinte na cobertura dos jornais, que deram destaque às suas declarações.


A senadora cancelou os compromissos marcados para ontem e dedicou todo o dia à preparação num hotel na Barra da Tijuca, no Rio.


RETROSPECTO


Nos encontros da Band (5 de agosto), da Folha/ UOL (18 de agosto), Folha/RedeTV! (12 de setembro) e Record (26 de setembro), os três fizeram uns aos outros 39 perguntas -13 cada um.


Líder nas pesquisas de intenção de voto desde o início da temporada de debates, Dilma quase sempre usou a estratégia de fazer perguntas que lhe dessem chance de desfilar números do governo.


Apesar disso, não teve como escapar dos embates com Serra -a quem chamou de ‘caluniador’-, a responder sobre vazamentos na Receita e lobby na Casa Civil.


Serra iniciou a série de debates de forma agressiva. No último debate, entretanto, os questionamentos mais duros a Dilma couberam a Marina.


Já Marina fez o oposto: com atuação suave e ‘apagada’ no início, passou a ser mais enfática.


 


 


INTERNET


Tuíte pago pode chegar a US$ 100 mil


As mensagens patrocinadas no Twitter até recentemente estavam em fase de teste, sendo utilizadas por empresas como Coca-Cola, PepsiCo e Starbucks. Os tuítes patrocinados são as mensagens que aparecem em primeiro lugar quando o usuário realiza buscas no microblog.


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos


Instituto aciona Ministério Público contra TV para bebê


O Instituto Alana, ONG que atua nos direitos da criança e do consumidor, encaminhou anteontem uma manifestação ao Ministério Público de São Paulo, contra o Baby TV, novo canal da Fox, voltado a bebês.


Com programação 24 horas dirigida a bebês de zero a 3 anos, o Baby TV está disponível na Oi TV, e a Fox tenta negociar sua inclusão em pacotes de outras operadoras.


Para Isabella Henriques, coordenadora do projeto Criança e Consumo, do Alana, o problema ‘está no fato de o canal vender a ideia de que beneficia bebês’.


‘Não há consenso científico quanto a isso, e muitas pesquisas apontam que menores de 2 anos não devem ser expostos à televisão’, diz.


Parte da programação do Baby TV ia antes ao ar nas manhãs do Fox Life, até se tornar um canal 24 horas.


Em fevereiro, o Alana enviou representação ao Ministério Público questionando a forma como a programação era divulgada. ‘Os pais devem ser informados, no canal, de pesquisas que dizem que TV não faz bem a bebê.’


Procurada, a assessoria da Fox não se manifestou até o fechamento desta edição.


DONA DO BAÚ


Paulo Zulu grava com Cynthia Falabella (que é a cara da Débora), vilã de ‘Corações Feridos’, trama de Íris Abravanel que o SBT estreia em novembro


Galinheiro 1 Alckmin ou Monique Evans? ‘A Fazenda’, que estreou anteontem com a ex-modelo e famosos afins, foi líder de audiência. Marcou 20 de média contra 17 da Globo, que exibiu, em parte do horário do reality, o debate com candidatos ao governo (dados preliminares do Ibope da Grande SP, onde cada ponto equivale a 60 mil domicílios).


Galinheiro 2 No dia 12, a Cultura lança concurso no www.cocorico.com.br. Pais e filhos que derem as melhores respostas para ‘com que brincadeira se divertir com a turma do ‘Cocoricó’ e por quê’ ganham produtos do infantil.


Craque O ator Cauã Reymond teve performance admirável anteontem como o viciado em crack de ‘Passione’.


Pelé é libra O rei do futebol nasceu no dia 21 de outubro e não no dia 23, como está no registro. É de libra e não de escorpião. A história está em ‘70 Vezes Pelé’, que a ESPN Brasil exibe de amanhã até 23/10, em comemoração ao 70º aniversário do ex-jogador.


Terra do Lula A TV Brasil, do governo federal, começou a produzir um programa a ser apresentado por Jorge Mautner. Em ‘Oncotô’, o cantor comanda jovens que viajarão por Estados nordestinos.


Eleição No domingo, boletins começam às 8h30, na Gazeta. No SBT, serão 140 profissionais na cobertura. Na Cultura, Heródoto Barbeiro comanda a programação. E até na ‘Fashion TV’, o voto é tema, amanhã, do ‘Lado H’.


 


 


Nina Lemos


Estreia de ‘A Fazenda’ diverte com mundo B das celebridades


Tem como duvidar de que um programa que junta na mesma casa celebridades B como Sergio Mallandro, Monique Evans e Geisy Arruda vá fazer sucesso?


O elenco da terceira temporada do reality ‘A Fazenda’, que estreou anteontem na Record, é mais diverso do que os do Big Brother. Afinal, o público vai poder acompanhar o dia-a-dia da drag queen Nany People, do maquiador Carlos Carrasco, da Mulher Melancia e do jogador de futebol Viola.


‘A Fazenda’ faz sucesso porque o mundo das celebridades lado B é mais democrático do que o dos aspirantes a famosos que dominam os realities convencionais. Ali, não existe ditadura da idade. Em uma das cenas, Sergio Mallandro e Monique Evans tentam descobrir quem é mais velho.


A ‘turma das gostosas’ tem a participação de Mulher Melancia (que na estreia não parou de exibir a bunda). E Nanny People quebra todos os preconceitos quando aparece sem maquiagem. O reality, quem diria, é um dos programas com maior diversidade da TV Brasileira…


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 30 de setembro de 2010


 


ELEIÇÕES


Ted Sorensen, The New York Times


O debate entre Kennedy e Nixon


Esta semana faz 50 anos o ‘Grande Debate’ entre o vice-presidente Richard Nixon, candidato republicano à presidência, e o senador democrata John Kennedy. O evento foi acompanhado por 70 milhões de espectadores, a maior audiência de um programa político já registrada na história americana. Existem seis mitos sobre o embate histórico. Como alguém que ajudou Kennedy a se preparar, gostaria de esclarecer o que houve meio século atrás.


1. ‘Nixon venceu no rádio’, pois os ouvintes não puderam ver sua aparência exausta e tensa nem seu rosto suado e seu olhar nervoso. Na verdade, os que acompanhavam pelo rádio eram um número pequeno demais para conferir significado a uma ‘vitória’. Mesmo assim, os ouvintes puderam perceber a surpreendente relutância de Nixon em relação a muitos temas.


2. ‘O debate não mudou um número suficiente de intenções de voto para fazer a diferença.’ Ao enfatizar que a questão era qual ponto de vista e qual partido o eleitor gostaria de ver na liderança do país, Kennedy fortaleceu sua base entre os democratas, que tinham dúvidas sobre sua pouca idade e religião, e aumentou sua aceitação entre os independentes, que pouco sabiam a seu respeito. No dia seguinte, em Ohio, sentimos na pele o resultado quando o senador democrata conservador Frank Lausche decidiu participar de uma carreata que atraiu um número surpreendente de eleitores. Kennedy não ganhou a eleição na noite do debate, mas, numa disputa acirrada, seu desempenho fez diferença.


3. ‘Kennedy estava nervoso ao enfrentar Nixon’, muito mais experiente, que havia vencido, em debate, o líder soviético Nikita Khruchev. Na verdade, Kennedy chegou em Chicago na véspera e passou a manhã estudando as perguntas enquanto tomava sol no telhado do hotel (diferentemente do que foi dito, o bronzeado dele na TV não era da campanha na Califórnia). Ele estava relaxado a ponto de tirar um cochilo antes do encontro. Quem estava nervoso? Nixon pareceu perturbado pela expressão confiante de Kennedy.


4. ‘Debates entre candidatos à presidência são um dos pilares da democracia.’ É verdade que eles podem aumentar o interesse dos eleitores, conscientizá-los e levá-los às urnas em maior número. Mas isto é tudo o que podemos esperar dos debates. Candidatos não tomam decisões importantes em respostas de dois minutos e meio.


5. ‘Os quatro debates sinalizaram uma mudança na hostilidade à oferta de tempo gratuito para os candidatos.’ Apesar de as emissoras terem continuado a realizar debates presidenciais, elas ainda exigem que as campanhas arrecadem imensas quantias para apresentar aos eleitores seus candidatos e plataformas de governo na TV, facilitando a corrupção que mancha o sistema político americano.


6. ‘Kennedy ganhou com base na sua aparência e na maneira de falar.’ Na verdade, houve muito mais substância naquele primeiro debate do que naquilo que hoje aceitamos como debate político em nossa cultura cada vez mais comercializada. Apesar de, na época, ter parecido um embate entre duas visões opostas, não havia vastas diferenças entre os dois. Kennedy provavelmente teria espaço no Partido Democrata de hoje, mas é improvável que Nixon recebesse as boas-vindas do movimento Tea Party. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL


É EX-ASSESSOR E CONSELHEIRO DO PRESIDENTE JOHN F. KENNEDY


 


 


LIBERDADE


Alexandre Barros


Liberdade na internet também


A discussão sobre a liberdade de informação é ótima, mas está centrada na mídia tradicional. Sem liberdade de circulação de ideias tudo para, dos pequenos prazeres às grandes inovações.


Mas pouco espaço tem sido dedicado à manutenção da liberdade na internet. Como ela é livre, poucos se lembram da importância de preservá-la assim.


Quem cresceu sem internet acha-a interessante, mas a maioria não explora todas as suas virtudes e liberdades. Quem cresceu com ela é mais audaz em buscar seus meandros mais interessantes e ousados, mas a estes falta a noção de como era o mundo sem internet.


A internet livre é o que mais se aproxima do mercado perfeito de Adam Smith, John Stuart Mill e Milton Friedman. Na internet você acha tudo o que quiser e faz praticamente o que bem entender, do mais interessante ao mais enjoativo. Se todos concordassem a respeito do que é interessante ou enjoativo, não teríamos apostas nem discussões.


Há muitas gente poderosa que quer censurar a internet. O controle pode ocorrer, acabando com a neutralidade da rede (que permite que todas as ideias circulem com a mesma velocidade e amplitude) ou censurando-a por acharem que ela é um depósito de informações perigosas.


Mas perigosas para quem? Se levarmos em conta as diversidades culturais, a internet serve tanto para defender o direito de Sakineh de não ser apedrejada quanto para defender a cultura que acredita que ela deva ser apedrejada.


Da diversidade e do embate das ideias é que surgem novidades criativas. Com censura as pessoas não podem informar-se sobre alternativas nem discuti-las.


Muitos acham inútil e perigoso que adolescentes passem horas sem fim navegando ou jogando com alguém do outro lado do mundo. Quem inventou a internet não pensou nisso, nem em que as pessoas poderiam comprar, vender, discutir, debater, namorar, casar ou encontrar almas irmãs para compartilhar os mais esdrúxulos (não necessariamente malévolos) gostos e preferências.


Dito assim parece chocante, mas a diversidade dos interesses humanos é muito maior do que imaginamos. Pessoas que visitam países ‘exóticos’ porque tiveram dinheiro e interesse em lá ir comentam achar estranho que na Coreia se coma carne de cachorro ou que na China se cozinhe com gordura de iaque.


A internet permite-nos tudo isso de graça. Mais importante do que apenas preferências, a internet oferece a oportunidade a um enorme número de pessoas, que nunca teriam acesso a mais informações do que seus cinco sentidos e seus recursos econômicos permitem, de andar por caminhos impensados há 30 anos.


Nos início da internet a coleção de artes do Vaticano ficou famosa e competia em pé de igualdade com receitas para fazer bombas, como uma vez disse um senador da República, justificando a necessidade de censurar a internet.


Mas não nos esqueçamos de que a excentricidade tem livre trânsito na internet e dela surgem grandes invenções.


Foi preciso que Ford e outros excêntricos atinassem com a solução de colocar um motor na carruagem para as pessoas pararem de pensar que a solução para transportes mais rápidos seriam cavalos mais rápidos.


Outro excêntrico, menos conhecido porque muitas de suas ideias circularam limitadamente num mundo que ainda não estava pronto para elas, foi Nikola Tesla. Ele foi o inventor da corrente alternada que sai da sua tomada e alimenta todos os seus eletrodomésticos, das lâmpadas aos computadores. Tesla ficaria no anonimato, restrito a poucos entusiastas, se não fosse pela internet. Interrompi este artigo e busquei Tesla no Google: 14,7 milhões de referências. Sem ela poucos saberíamos que Tesla sequer existiu.


Prepare-se para as invenções dele. Estão sendo aplicadas no carro elétrico da marca Tesla, já lançado em mercado restrito. Tem a performance de uma Ferrari, sem consumir combustível fóssil. Daqui a alguns anos a sua tomada elétrica ficará obsoleta porque a transmissão da eletricidade se dará sem fios. Adeus àquela confusão das casas nas quais os fios se embaraçam pelo chão e dão choques nos cachorros (que retornaram, no Google, 37 milhões de resultados).


Falei só do pitoresco, mas quem gosta de ir ao cinema e pouco se interessa por internet não imagina que os jogos de internet já faturam mais do que a indústria cinematográfica.


Precisamos incluir a preservação da liberdade na internet quando nos queixarmos dos ataques do governo à mídia.


A internet, do ponto de vista da mídia, permite até que a mídia impressa, falada e televisiva multiplique seu alcance muitas vezes. Este artigo que você pode estar lendo aqui, no Estadão impresso, está disponível na internet inteiramente grátis. Milhões de pessoas têm acesso a ele. Diariamente, em torno de 1 milhão de pessoas acessam o estadao.com.br, sem precisar gastar papel ou dinheiro.


A internet merece respeito, carinho e proteção. Boa parte das coisas que você estará consumindo daqui a 25 anos ainda não foi inventada e a internet é o principal ambiente em que essas ideias e invenções serão compartilhadas, difundidas e aperfeiçoadas. Sem liberdade na internet os benefícios do progresso científico demorarão muito mais tempo.


E o que um censor proíbe hoje pode ser a salvação de milhares ou milhões, ali na esquina ou espalhados pelo mundo.


A aids, nos seus primórdios, não tinha financiamento de pesquisa do governo americano por ser considerada castigo divino para comportamento sexual inadequado ou pecaminoso.


A hepatite C assola 170 milhões de pessoas no mundo (e mata anualmente mais de 10 mil) e se transmite de maneira parecida com a aids. O desenvolvimento de remédios para ela pode ser muito mais rápido com liberdade na internet.


CIENTISTA POLÍTICO, É DIRETOR-GERENTE DA EARLY WARNING: OPORTUNIDADE E RISCO POLÍTICO (BRASÍLIA)


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Globo planeja esticar Ti-ti-ti em 40 capítulos


Sucesso de audiência na faixa das 7 da Globo, o remake de Ti-ti-ti pode ter suas alfinetadas esticadas. A trama, que tinha no planejamento inicial 209 capítulos e fim previsto para março, pode ganhar cerca de 40 capítulos a mais, chegando ao final apenas em maio de 2011. A mudança, discutida anteontem na Globo, tem a ver com a produção da sucessora no horário, Robôs e Dinossauros, de Walcyr Carrasco, que terá gravações no Japão. Procurada, a autora Maria Adelaide Amaral garante que o final de Ti-ti-ti já está acertado para 18 de março, e diz que desconhece o prolongamento da trama. ‘Em maio, como? Vamos transformar Ti-ti-ti em Redenção?’, questiona ela.


18 pontos de média foi a audiência alcançada pelo debate com candidatos ao governo de São Paulo, anteontem, na Globo.


‘O que é isso? O Mais Você copiando na cara dura o A Tarde É Sua!’ Sônia Abrão, no Twitter, acusando a Globo de copiar quadro em que a apresentadora lê jornais do dia


O debate realizado anteontem pela Globo, com candidatos ao governo de São Paulo, foi marcado por problemas de áudio. Microfonia e ruídos altíssimos foram contornados por Chico Pinheiro, o mediador, que chegou a chamar o intervalo antes da hora.


Dilema de Willian Bonner no debate com presidenciáveis, hoje, na Globo: qual gravata usar, uma vez que a peça não pode ser nem vermelha (PT) nem azul (PSDB) nem verde (PV).


Assim como fez com seu pacote de futebol/2011, a Globo também abriu uma sexta cota de patrocínio para temporada 2011 de F1. As cinco habituais cotas da competição devem ser renovadas – a R$ 58,9 milhões cada -, e a sexta cota tem grande chance de ficar com uma empresa do segmento de telefonia celular.


Luiza Brunet será apresentadora da atual edição do Menina Fantástica, do Fantástico, na Globo. A partir do dia 17, Luiza vai mostrar a casa onde as 12 finalistas ficarão durante cinco semanas, e as eliminatórias do concurso.


O GNT estreia no dia 7 a versão ‘reality’ da série de lésbicas The L Word.


Batizada originalmente de The Real L Word, a série acompanha o estilo de vida de seis americanas homossexuais que inspiraram a série da Warner.


A série S.O.S Emergência já tem data para voltar ao ar na Globo: 24 de outubro, logo após o Fantástico. Vai socorrer a emissora contra uma possível epidemia: A Fazenda 3, que estreou anteontem na Record já na liderança, com média de 20 pontos de audiência.


Araguaia, nova trama das 6 da Globo, em seu segundo dia no ar brilhou menos do que os dentes com clareamento do índio amaldiçoado da novela, Apoena. Registrou média de 21 pontos de ibope na terça, ante 26 pontos da estreia.


 


 


 


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