Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Bandeira numa mão, jornal na outra

05/07/2005 na edição 336

Como forma de agradecer àqueles que ‘defendem a nossa liberdade’, disse, em discurso, o presidente americano George W. Bush, os cidadãos deveriam hastear a bandeira nacional no Dia da Independência dos EUA (4/7). Ele acrescentou que as pessoas poderiam fazer mais, ajudando, por exemplo, ‘a família de militares que vive na vizinhança’.

O ombudsman do Washington Post, Michael Getler, em coluna de 3/7/05, afirma que sempre hasteia a bandeira no Dia da Independência e que, nessa data, pensa muito sobre a história do país, seus valores e a ‘importância da transparência para sua democracia’. ‘Eu estenderia meus agradecimentos aos homens e mulheres da imprensa que também enfrentam perigos para fazer a cobertura do Iraque e do Afeganistão para os americanos que estão em casa. Também tiro minha cartola de Tio Sam para aqueles jornalistas que cumprem seu papel continuando a questionar a raízes da guerra contra o Iraque’.

Getler conta que acompanhou a 2ª Guerra Mundial ainda garoto, de olho no céu para ver se não chegava algum bombardeiro alemão a seu bairro, o nova-iorquino Bronx. Depois serviu na Marinha, começando em seguida sua carreira de jornalista. Foram 45 anos na profissão, muitos deles cobrindo assuntos militares. Ele se descreve como um ‘linha-dura’ no que se refere à sua visão de como os EUA devem estar preparados para se defender. Acredita, por exemplo, que o exército americano atualmente é pequeno para atuar no Iraque, no Afeganistão, e ainda estar preparado para alguma outra eventualidade.

O ombudsman comenta que, ao longo da vida, aprendeu que as pessoas que mais agitam a bandeira no dia 4 de julho, que o público associa à defesa da segurança nacional, muitas vezes não cumprem com seu papel. Ele conhece vários casos de legisladores patriotas que aprovaram compras milionárias de equipamentos de defesa que os militares não queriam, só para beneficiar seu distrito com esse investimento. Também políticos e empresários que não se esforçaram para evitar gastos com armamentos que fazem o que prometem. Superfaturamento em compra de material bélico tampouco é difícil de encontrar.

A imprensa também falhou em diversas ocasiões, como quando não questionou com mais energia o episódio do Golfo de Tonkin, que desencadeou a escalada de violência contra o Vietnã, em 1964. Ou, mais recentemente, a falta de ceticismo quanto às alegações de que Saddam Hussein detinha armas de destruição massiva, que permitiram à Casa Branca derrubá-lo.

Ainda assim, Getler acredita que uma imprensa livre é fundamental para equilibrar a democracia americana, mesmo que, com sua liberdade, cometa erros ocasionalmente. O ombudsman ressalta que nunca viu a mídia sob tão forte ataque político e legal como atualmente, num visível esforço para prejudicar sua credibilidade. Enquanto isso, ‘uma crescente fatia da população acredita que pode obter tudo que necessita dos blogs na internet’. ‘Todos nós teremos um problema maior e estaremos menos seguros se a imprensa e seu papel fiscalizador forem diminuídos na visão do público’, conclui.

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