Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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ENTRE ASPAS >

Carlos Eduardo Lins da Silva

12/05/2009 na edição 537

‘Uma das vantagens do jornalismo sobre a apuração em buscas na internet é a possibilidade de com ele o leitor obter informação organizada, estruturada, consolidada. Essa é uma missão básica do jornalista.

Quando o jornal se limita a divulgar dados que contradizem outros publicados antes e não esclarece as incoerências, ele se abstém de um dever essencial e deixa de aproveitar um dos mais importantes diferenciais que justificam sua existência e relevância.

Em dez meses poucos temas mobilizaram tanto a opinião pública quanto a Lei Seca no trânsito, regulamentada em junho de 2008.

Como tem sido infelizmente comum e tenho apontado neste espaço com frequência, a Folha pouco fez para municiar a sociedade com material para ela se posicionar e influir nas decisões durante a tramitação do projeto de lei.

Este jornal parece achar menos importante informar ao público sobre a agenda do Congresso do que noticiar cruzadas moralistas, fofocas e factoides.

Quando a lei entrou em vigor, ele fez um bom trabalho inicial. Encomendou pesquisa ao Datafolha, que comprovou imenso apoio popular à medida, publicou instigantes artigos a favor e contra, editou reportagens bem feitas sobre sua aplicação.

Quando começaram a aparecer conclusões sobre a eficiência da lei, seu comportamento passou a ser de despejá-las sobre o leitor mesmo que umas negassem as outras.

Cobrei insistentemente na crítica diária das edições que o jornal juntasse os cacos para compor um mosaico com sentido. A bem da justiça, ele fez isso na edição de 19 de janeiro deste ano.

Concluiu-se que existe um viés de resultados positivos atribuíveis à lei, mas a extensão dos benefícios é indefinida, que ela só tem impacto quando há fiscalização intensa e que ela não pode ser vista como solução milagrosa.

O problema é que mais quatro meses se passaram, novas pesquisas de fontes diversas voltaram a ser anunciadas e a Folha tornou a oferecer ao leitor seus resultados às vezes opostos entre si sem nada para evitar confusão.

A publicação periódica e isolada desses dados sem comprovação da acuidade científica e metodológica dos trabalhos que os geraram e sem fio norteador para dar coerência com o publicado antes só faz atrapalhar o leitor.

Não há dúvida sobre a relevância do tema. Ninguém pode aceitar que pessoas como o personagem de Nicolas Cage no filme indicado abaixo andem por aí colocando em risco a vida de outros. Os dois livros apontados abaixo mostram bem a gravidade do problema.

Mas não se pode tampouco aceitar como boas soluções que não sejam eficazes de fato. E ainda não se sabe se a Lei Seca no trânsito funciona mesmo.

PARA LER

‘Impacto da Violência na Saúde dos Brasileiros’, Ministério da Saúde, 2005 (disponível no site http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/impacto_violencia.pdf)

‘A Mudança Cultural que Salva Vidas’, de Fernando Moreira, Arquimedes Edições, 2008 (R$ 23, à venda pelo telefone 0/ xx/21/ 2524-7242)

PARA VER

‘Despedida em Las Vegas’, de Mike Figgis, com Nicolas Cage, 1995 (a partir de R$ 12,90)’

***

‘Longa vida para a Folhinha’, copyright Folha de S. Paulo, 10/5/09.

‘A Folhinha lança excelente iniciativa: fazer o ‘mapa do brincar’ no Brasil. Ou seja: ‘descobrir como andam se divertindo meninos e meninas de norte a sul do Brasil’.

Essa preocupação com a brincadeira que deveria sempre ser a principal atividade humana na infância é muito saudável. Os resultados do mapeamento, se forem representativos, constituirão importante contribuição para a pedagogia, a antropologia, a cultura do país.

Além disso, ele coloca o suplemento em contato direto com o que há de mais importante para o seu leitor. E mostra que a Folhinha está, aos 46 anos, viva e jovem como deve.

Uma grande notícia. Ainda mais porque chega um mês depois de um jornal paradigmático no mundo, o espanhol ‘El País’, ter decidido sacrificar no altar da crise econômica o seu semanário para crianças, ‘El Pequeño País’, que circulava desde 1981.

A decisão de ‘El País’ constitui autêntico haraquiri. Como um jornal quer sair da crise se corta os vínculos com seus futuros leitores?’

***

‘Onde a Folha foi bem…’, copyright Folha de S. Paulo, 10/5/09.

‘DIRETOR DE ESCOLA

Entrevista com diretor de escola na segunda prova que há esperança para o ensino público

BÔNUS DEMOGRÁFICO

Ótima reportagem no domingo mostra como mudanças demográficas ajudam economia brasileira

MAUS PAGADORES

Boa manchete na quinta sobre devedores fiscais que, mesmo com vantagens, não saldam compromissos

…E ONDE FOI MAL

BALANÇA COMERCIAL

Manchete de terça destaca detalhe menor e conhecido do perfil das exportações brasileiras em vez do aumento expressivo do saldo

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