Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Carlos Eduardo Lins da Silva

29/09/2009 na edição 557

‘Na sua autobiografia, ‘Magnificent Desolation’ (Magnífica Desolação), lançada para comemorar os 40 anos da chegada do homem à Lua, o astronauta Edwin Aldrin, que com Neil Armstrong desembarcou no satélite em 20 de julho de 1969, fala sobre o pai, um coronel da Força Aérea, que ele chama de ‘opressor’.

Ele não confirma a história muitas vezes contada de que as primeiras palavras do velho Aldrin quando o filho chegou em casa após a missão da Apolo 11 foram: ‘Nem lá em cima você consegue ser o primeiro?’. Mas relata situações em que o pai deixou claro que segundo ou terceiro lugares obtidos pelo filho não representavam muito em sua avaliação.

Pais não são os únicos que exageram no rigor com que cobram o desempenho de alguém. Veículos de comunicação também. Às vezes, eles criam enormes expectativas em relação a algum personagem público ou fato e se elas não se cumprem, mesmo que os resultados sejam bons ou mesmo ótimos, os desclassificam desproporcionalmente.

A Folha tem sido exemplar nesse sentido. Uma de suas atuais manias é usar a torto e direito a palavra ‘fiasco’ para qualquer coisa que saia dos planos. O termo significa fracasso retumbante, desastroso, vexatório.

Mas, nestas páginas, serve para classificar qualquer coisa que não vá muito bem. No domingo passado, a manchete do caderno de economia decretava: ‘Mercado projeta ‘fiasco’ fiscal pela primeira vez’. Qual era o vexame prognosticado? O superavit primário do governo federal em 2010 ficar em 2,5% do PIB em vez da meta fixada de 3,3%.

Não é preciso ir muito fundo e discutir se é bom procedimento dar como certa previsão de mercado num ambiente econômico volátil em que se erra tanto nas antecipações do futuro. Nem ressaltar que a declaração do ministro da Fazenda reafirmando que os 3,3% serão atingidos saiu na terça numa notinha mínima ao pé de uma arte em página interna.

O que é notável é que num país que colecionou déficits fiscais durante décadas um possível superavit cerca de 30% abaixo do previsto seja considerado um fiasco, mesmo com as aspas que foram colocadas nele.

Em esporte, fiasco é rotina. A palavra aparece 2.213 vezes numa busca do arquivo do jornal. A Argentina perder do Brasil no futebol, o país não conseguir medalha nos mundiais de judô e atletismo, tudo é fiasco. Na Olimpíada de Pequim, o leitor Andrei Guilherme Lopes reagiu quando leu no jornal que Jardel Gregório tinha sido um fiasco no salto triplo: ‘Um atleta que fica em sexto na maior competição esportiva do planeta é um fiasco?’

Se Edwin Aldrin, o pai, fosse editor da Folha a manchete do jornal de 21 de julho de 1969 poderia ter sido: ‘Aldrin faz fiasco na Lua’.’

***

‘Seção de saúde não é supérflua’, copyright Folha de S. Paulo, 27/9/09

‘Uma das boas novidades deste jornal em 2008 foi a página diária de saúde, criada em outubro. Quando a analisei, disse que suas pautas se confundiam com as de ciência e do suplemento Equilíbrio e lamentava a preferência dada a temas de saúde pessoal sobre os de saúde pública. Esses problemas persistem. Em 21 de junho passado, referi-me de passagem à página de saúde e disse que não raramente ela resvala para o supérfluo. Fui injusto, e fiquei de admitir o erro em público quando chegasse a oportunidade. Nesta quinta, saiu importante reportagem sobre AVC, que mereceu do leitor Octávio Pontes, neurologista, mensagem em que diz que ‘infelizmente a doença só tem sido abordada pela mídia quando faz vítimas ilustres’, mas que neste caso ‘o tema foi abordado com isenção’ e profundidade. Desde junho, só uma vez a página tratou de tema que poderia ser considerado supérfluo. De fato, ela não seria nunca leitura da Frente de Liberação dos Calvos, entidade de uma das divertidas crônicas do livro abaixo indicado, nem dos personagens que buscam a eterna juventude no filme citado a seguir.

PARA LER

‘Histórias que os Jornais Não Contam’, de Moacyr Scliar, Agir, 2009 (a partir de R$ 27,57)

PARA VER

‘A Morte lhe Cai Bem’, de Robert Zemeckis, com Meryl Streep, 1992 (R$ 28,90)’

***

‘Onde a Folha foi bem…’, copyright Folha de S. Paulo, 27/9/09

‘LIMPEZA EM SP

Cobertura crítica do jornal ajuda a reverter corte de verba de limpeza pública

TV PAGA

Boa reportagem no domingo faz diagnóstico do serviço

…E ONDE FOI MAL

JUIZ SUSPENSO

Jornal cobre mal erros e suspensão do juiz de Cruzeiro e Palmeiras

VEREADORES

PEC dos vereadores é aprovada sem o jornal promover debate sobre ela

VACINA DO HIV

Capa de sexta deixa de registrar avanço no combate à Aids

LOBO ANTUNES

Ilustrada gasta de novo na quinta espaço para noticiar namoro de escritor português’

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