Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > FOLHA DE S. PAULO

Carlos Eduardo Lins da Silva

22/12/2009 na edição 569

‘Como era previsível, o calor do quase verão traz chuvas pesadas, que provocam novas tragédias em São Paulo, às quais o jornal responde com o habitual registro factual das mortes, enchentes, congestionamentos.

Como fazem os meios eletrônicos quando os fatos estão ocorrendo, com muito mais drama e utilidade para o público, pelas razões óbvias da essência mesmo de cada tipo de meio de comunicação.

O que só o jornalismo impresso pode fazer é mostrar com profundidade as razões por que esses desastres anunciados continuam ocorrendo, por meio de trabalho detalhado de reportagem e investigação.

As pistas estão aí, como no livro indicado ao final. E em muitas outras fontes. Mudanças climáticas, prioridade para o transporte individual, obras mal planejadas, opção equivocada de ampliar vias asfaltadas às margens de rios, incentivo à ocupação habitacional de várzeas ribeirinhas, deficiência na coleta de lixo e na educação para ela, fragmentação na administração de ações ambientais e econômicas nos diversos níveis de governo: são muitos os temas a serem explorados para tentar dar conta do problema.

E o jornal deveria cobrar soluções das autoridades públicas durante o ano todo para contribuir para minimizar desgraças futuras e tentar engajar os leitores em esforço conjunto em benefício de todos. Com raras exceções, como as excelentes reportagens de quinta e sexta sobre a escandalosa situação do Jardim Pantanal, bairro que ficou pelo menos 11 dias alagado com a população em situação higiênica e sanitária deplorável, o jornal fez muito pouco além de ser pontualmente reativo.

Tudo indica que em São Paulo e outras metrópoles brasileiras o futuro será parecido com o previsto para Los Angeles em 2019 no filme abaixo recomendado. Muita chuva será rotina. É preciso se preparar para enfrentá-la.

PARA LER

`Inundações Urbanas na América do Sul`, De Carlos E. M. Tucci, Juan Carlos Bertoni (organizadores), ABRH, 2007 (a partir de R$ 45)

PARA VER

`Blade Runner, o Caçador de Androides`, de Riddley Scott, 1982 (a partir R$ 13,90)’

***

‘Esquerda e direita no Chile’, copyright Folha de S. Paulo, 20/12/09

‘Uma das decisões editoriais recentes mais acertadas deste jornal foi dar prioridade à cobertura de temas da América do Sul, região vital para o Brasil, mas historicamente relegada a segundo plano no jornalismo nacional.

Recentes eleições presidenciais nos países desta área têm merecido o envio de jornalistas de bom nível técnico para o local da ação e espaço e destaque dignos na edição.

Não foi diferente na semana passada com o Chile. O esforço resultou em material de boa qualidade, que deu ao leitor a possibilidade de entender com profundidade a razão por que o pleito chileno lhe diz respeito diretamente, como a boa análise das relações econômicas entre as duas nações (dia 10) e o ótimo balanço do desempenho do governo Bachelet (dia 12).

Dois erros graves, no entanto, ocorreram no final da cobertura.

No domingo, a manchete principal do noticiário internacional trata a Concertação, coalizão que vem governando o país há 20 anos, como de `esquerda`.

Como se sabe, faz parte desse grupo (inclusive fornecendo o candidato na cabeça da atual chapa presidencial, o ex-presidente e filho de ex-presidente Eduardo Frei) o Partido Democrata-Cristão, que mesmo na geleia geral em que se transformaram as ideologias não se pode classificar como `esquerda`.

Em textos e artes chamou-se, mais adequadamente, a Concertação de `centro-esquerda`. Mas o impacto da manchete sobre o leitor não pode ser subestimado; fica a impressão de que, para o jornal, Concertação é esquerda.

Na segunda-feira, a manchete decretou: `Chile tem 1ª vitória da direita desde 1958`, embora a eleição tenha ido para segundo turno, os candidatos da Concertação ou dela egressos tenham obtido 55% dos votos e ela tenha tido mais votos que a Aliança para Mudança (de direita) nas eleições para a Câmara e o Senado.

PARA LER

`O Longo Adeus a Pinochet`, de Ariel Dorfman, tradução de Rosa Freire D`Aguiar, Companhia das Letras, 2003 (a partir de R$ 24,90)

PARA VER

`A Morte e a Donzela`, de Roman Polanski, 1994 (a partir de R$ 10,36)’

***

‘Onde a Folha foi bem…’, copyright Folha de S. Paulo, 20/12/09

‘Assuntos mais comentados da semana

1. Censura a `O Estado de S. Paulo`

2. Folhateen

3. Coluna do ombudsman

Onde a Folha foi bem…

Mão de obra

Manchete de quarta aborda problema estrutural importante para o país e subestimado no debate público: falta de pessoal qualificado para as necessidades de crescimento

Endividamento

Manchete de domingo alerta para o tipo de situação que levou os EUA à grande crise que o acomete desde 2008: excesso de dívida familiar

…e onde foi mal

Brasileira na Suíça

Jornal relembra na quinta precipitação do governo no caso da brasileira que falsamente alegou ter sido vítima de neonazistas na Suíça, mas omite que o jornalismo do país incorreu no mesmo erro

Castelo de Areia

Como em quase todos os casos espetaculares precedentes, após o alarde inicial em que suspeitas da PF ganham grande espaço, desdobramentos caem no limbo

Pró-Memória

Caso de suposta rede de pedofilia em Catanduva (SP) mereceu destaque no início do ano, mas foi esquecido na semana passada quando dois julgamentos estavam programados para começar’

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