Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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VOZ DOS OUVIDORES >

Carlos Eduardo Lins da Silva

22/09/2009 na edição 556

‘Alberto Dines, precursor do ombudsman no país:

‘Não se meta nisso, você só vai ganhar inimigos!…’ O sábio Octavio Frias de Oliveira tentava persuadir-me a não iniciar coluna de crítica de imprensa na Folha. Como sempre, Frias acertou na mosca. Nós, jornalistas, fazemos cobranças e detestamos ser cobrados. Por isso ninguém quer passar a vida brigando com colegas de profissão. Além do mais, os criticados estão sempre em cargos de chefia.

CAIO TÚLIO COSTA, primeiro ombudsman da Folha:

Porque a imprensa se conhece e sabe o quanto seu produto acaba sendo inexato, incompleto, injusto; daí a insegurança (primeira razão) em se submeter a escrutínio público. Porque, se um concorrente se deixa escrutinar, é mais cômodo acusá-lo de ‘jogada de marketing’, não copiar (segunda). Porque é caro (terceira) manter profissional em função tão indesejada (quarta). Porque é difícil encontrar ingênuos (quinta) que aceitem a função. Porque os limites do cargo são os empresariais (sexta) e essa indústria lida de forma esquizofrênica com limites.

MARIO VITOR SANTOS, duas vezes ombudsman da Folha e uma do iG:

Porque a atividade é temida e evitada. Quando feita de maneira independente e crítica, gera agastamento com jornalistas e é fonte de problemas ‘de imagem’ para os gestores dos veículos. Ombudsmans acabam expondo a manipulação das informações, seja para uso político, obtenção de audiência, ou ambos, o que é a regra na maioria dos veículos.

MARA GAMA, ombudsman do UOL:

No limite, o ombudsman acaba por deixar evidente também a falibilidade de sua própria ação. E sendo passível das mesmas falhas de seus colegas, por que contratá-lo? Será que ele pode mesmo enxergar e atuar criticamente no confronto com seus pares? Isso pode soar contraditório e provocar descrédito. O público por vezes se revolta quando se depara com o limite da ação do ombudsman.

ERNESTO RODRIGUES, ombudsman da TV Cultura de São Paulo:

Nós, jornalistas, gostamos de denunciar, mas não de nos considerar parte desse mundo de muitos erros. Nossa arrogância costuma ser inversamente proporcional ao espaço que reservamos para a confissão de nossos erros. E nosso pior pecado é acreditar que todo o resto do material publicado é sempre correto, preciso, relevante, ético e responsável.

ROBERTO HIRAO, ex-ombudsman da ‘Folha da Tarde’ e autor do livro indicado ao final:

Atribuo o quadro ao desinteresse (ou seria receio?) dos grupos empresariais que controlam os jornais em se abrir ao público. Essa situação é agravada pela apatia de boa parte dos jornalistas.

ANDY ALEXANDER, ombudsman do ‘Washington Post’:

A crise financeira provoca demissão de ombudsmans. Há crescente sentimento de que a blogosfera pode oferecer o escrutínio que o ombudsman provê. Mas essas justificativas podem só encobrir o fato de que os líderes das empresas de comunicação não gostam de ver seu desempenho criticado.

ALICIA SHEPARD, ombudsman da National Public Radio:

Em tempos economicamente difíceis, cortar o posto de ombudsman é fácil, já que ele não é essencial para colocar um jornal ou rádio no ar. Mas é essencial para aumentar sua credibilidade.

JUDITH BRITO, presidente da Associação Nacional de Jornais:

Em primeiro lugar, porque custa. Segundo, porque, entre as opções para ser mais profissional, a criação da função de ombudsman é a mais arrojada. Requer coragem e maturidade porque o trabalho do ombudsman é expor problemas e criticar o trabalho dos colegas. Não é fácil conviver com esta situação.

ROBERTO MUYLAERT, presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas:

Porque é mais fácil e rápido, embora mais sujeito a erros, realizar trabalho de mão única, da Redação para o leitor, do que interagir com alguém de dentro de casa, cuja missão é apontar falhas. Só profissionais maduros recebem bem as críticas construtivas.

PARA LER

‘70 lições de jornalismo’, de Roberto Hirao, Publifolha (a partir de R$ 23,32)

PARA VER

‘Sabatina com o ombudsman’, na íntegra a partir de amanhã à noite nem www.folha.com.br/092591′

***

‘Onde a Folha foi bem…’, copyright Folha de S. Paulo, 20/9/09

‘ASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA

1. Edição Digital

2. Investigação de empreiteiras

3. Coluna do Ombudsman

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EDIÇÃO DIGITAL

Com enorme atraso, jornal lança sua edição digital na internet, com padrão de qualidade comparável aos melhores entre os concorrentes

…E ONDE FOI MAL

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Anúncio da novidade passa impressão errada de que a antiga edição eletrônica em textos estava desativada; ela continua disponível no endereço http://www.folha.com.br/fsp

PRÓ-MEMÓRIA

Caso a ser retomado

Ontem se completaram os dois meses ao final dos quais, segundo chamada de primeira página em 19 de julho, de 35 milhões a 67 milhões de pessoas seriam atingidas pelo vírus A (H1N1) e de 205 mil a 4,4 milhões estariamhospitalizadas;segundoomais recente boletim do Ministério daSaúde, o número de casos notificados de contaminação no país é inferior a 10 mil’

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