Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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VOZ DOS OUVIDORES >

Carlos Eduardo Lins da Silva

07/10/2008 na edição 506

‘Entre 1911 e 1926, os paulistanos escolheram seus prefeitos por eleições com grau de legitimidade reduzido. Reconquistaram esse direito em 1953, mas só por dois anos porque o regime militar voltou a lhes impor administradores nomeados.

Em 1985, iniciou-se o período mais longo sem interrupções de pleitos diretos para a prefeitura. Já são 23 anos. Começa a virar rotina, o que ajuda a entender a relativa indiferença em que correu a campanha para o primeiro turno deste ano.

O ombudsman de plantão sempre sofreu intensa pressão dos leitores nas votações municipais passadas. Desta vez, nem tanto.

Talvez por essa bem-vinda normalidade democrática. Talvez porque as pesquisas sempre deixaram claro que haveria segundo turno e que um dos finalistas seria Marta Suplicy. Talvez porque a Folha esteja fazendo cobertura razoavelmente equilibrada.

Pelas minhas contas, o jornal publicou 12 reportagens negativas sobre Gilberto Kassab, seis sobre Marta Suplicy e três sobre Geraldo Alckmin. Houve muitas reportagens negativas aos três juntos.

Acho natural a concentração de críticas no atual e na ex-prefeita, pois quem passa pelo cargo deixa mais flancos abertos a acusações.

Alguns desses textos contra Kassab e Marta foram injustos ou exagerados. Coisas pequenas, quase irrelevantes, como impostos que não foram pagos ou firmas desativadas não declaradas à Justiça, foram tratados como escândalos contra a candidata do PT.

O prefeito foi vítima também desse tipo de arroubo moralista, como no caso do clipping da prefeitura com notícias sobre a campanha. Alckmin foi o mais poupado.

A Folha abusou, infelizmente e como de hábito, do jornalismo de declarações, ataques e fofocas, que não leva a nada, não esclarece ninguém e torna o noticiário aborrecido e irrelevante.

Mas teve momentos muito bons, como a série de reportagens com propostas dos seis principais candidatos para políticas públicas específicas e principalmente para os problemas levantados pelo excelente caderno ‘DNA paulistano’, o ponto alto do jornal.

Checagem de fatos incorretos divulgados pelos candidatos em debates ou propaganda foi outra contribuição positiva dessa cobertura.

Clichês, como as insuportáveis fotos de candidatos em refeições, também não faltaram, mas houve ótimos momentos fotográficos, como na capa de quarta-feira, em que as expressões faciais dos três principais candidatos sintetizavam com perfeição o seu momento nas pesquisas.

O jornal deu pouco espaço à eleição para a Câmara Municipal e o desperdiçou às vezes com bobagens como sobre em que candidato a vereador celebridades do vulto do ator Dan Stulbach iriam votar, como se isso pudesse orientar a decisão do leitor.

Felizmente, a Folha Online supriu um pouco essa deficiência com a colocação no seu site do perfil de todos os aspirantes à Câmara.

A cobertura da campanha nos outros Estados foi pequena e fraca. Só nesta sexta, um material mais amplo e analítico apareceu. É uma pena, mas não se pode deixar de reconhecer que a Folha não é um jornal nacional; é um diário paulistano de repercussão em todo o país.’

***

‘‘E se as crianças perguntarem? O que respondo?’’, copyright Folha de S. Paulo, 5/10/08.

‘Uma das vantagens usufruídas pela Folha da instituição do ombudsman são as muitas sugestões de pauta que a Redação recebe de leitores.

Surpreende que às vezes relute em aceitá-las. Em 23 de setembro, recebi de José Antonio Pessoa de Mello Oliveira idéias excelentes sobre perguntas mal, pouco ou não respondidas pelo jornal sobre a crise econômica americana.

Questões aparentemente simples, mas de difícil apuração. Como: ‘O que acontece com os mutuários inadimplentes com suas hipotecas? Saíram dos imóveis? Estão morando onde? Não ouvi coisa alguma sobre legiões de sem-teto vagando pelos Estados Unidos. E os imóveis retomados? Estão vazios? Serão ofertados ao mercado? Qual o efeito de uma oferta maciça no mercado imobiliário? Com certeza implodiria os preços. Ou nada disso está acontecendo? O cidadão não paga, continua no imóvel e o governo paga a conta? Também não consegui descobrir se o governo americano quer comprar os títulos ‘podres’ com recursos do Orçamento ou se simplesmente vai ligar a impressora de dólares.’

Passei as perguntas à editoria Dinheiro no mesmo dia. Eu também não tinha visto no jornal o que o leitor procurava e acho que seria útil para todos ter essas respostas agrupadas num só texto ou, de preferência, num só gráfico.

Até sexta, embora o jornal esteja com quatro jornalistas nos EUA, o leitor continuava sem saber o que indagou.

Pedi explicações aos editores. Eles me disseram que ‘algumas das respostas foram dadas ao longo das edições e duas não conseguimos responder: onde as pessoas despejadas estão morando e o que aconteceu com os imóveis arrestados’.

Deveriam tentar mais e voltar a publicar, consolidadas, as respostas que dizem já ter respondido. Afinal, como argumenta José Antonio: ‘E se as crianças me perguntarem? E aí, o que eu respondo?’.’

***

‘Para ler’, copyright Folha de S. Paulo, 5/10/08.

‘‘Erundina, a Mulher que Veio com a Chuva’, de José Nêumanne, Época e Tempo, 1989 (R$ 11) – grande reportagem que relata a vida de Luiza Erundina, com destaque para a campanha eleitoral em São Paulo vencida por ela em 1988

PARA VER

‘Jânio a 24 Quadros’, de Luiz Alberto Pereira, 1981 (em sites de compra e venda, a preço não determinado) – documentário inteligente e crítico sobre a vida política de Jânio Quadros, com destaque para a primeira eleição para prefeito da história da cidade, em 1953, vencida por ele

ONDE A FOLHA FOI BEM…

Caças da FAB

Na quinta, reportagem relatou com segurança e clareza como foram os bastidores da decisão do governo de escolher os três candidatos finais para a licitação da compra de novos caças para a FAB

Simpson na bolsa

Na terça, foto de primeira página com o boneco de Homer Simpson em pânico na Bolsa de Chicago deu um indispensável toque de humor ao lúgubre ambiente da crise financeira

Rafael Correa

Entrevista exclusiva com o presidente do Equador em meio à crise com empresa brasileira e logo após referendo constitucional no país ajudou o leitor a se esclarecer

…E ONDE FOI MAL

Sarah Palin

Na quarta, com base em comentários de três colunistas políticos, manchete de página sugeriu que candidata a vice dos EUA Sarah Palin poderia ser trocada na chapa de John McCain, hipótese altamente improvável

Secretárias

Jornal deu destaque a brindes oferecidos por empresas a secretárias do Palácio do Planalto e à firme e rápida reação do governo, que lhes ordenou devolvê-los, mas não cobrou por que medida similar raramente é tomada em escalões superiores da hierarquia administrativa

Assuntos mais comentados da semana

1. Eleições municipais

2. Greve da polícia civil de São Paulo

3. Assuntos esportivos’

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