Carlos Eduardo Lins da Silva | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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VOZ DOS OUVIDORES > FOLHA DE S. PAULO

Carlos Eduardo Lins da Silva

09/12/2008 na edição 515

‘A Ilustrada faz 50 anos nesta quarta-feira. Perguntei a ex-editores do que ela precisa para ser um ator relevante no debate cultural do país. Abaixo, sínteses das respostas.

PARA MAIORES DE 30

A Ilustrada envelheceu. Continua falando muito bem para os que foram jovens e nela tinham o seu canal de expressão. Conseguiu segurar uma audiência de pessoas com mais de 30 anos. Tem dificuldade em conquistar os mais jovens, menos propensos ao suporte do papel jornal e mais ligados nos meios interativos. (Caio Túlio Costa, 1981 a 1982)

LEITOR PARTÍCIPE

Precisa ser novidadeira, assertiva e atrevida, atender expectativas, mas saber surpreender e incomodar, dosar serviço com reportagem investigativa e ser campo fértil para idéias novas. Mas isso tudo não bastará. Vai precisar atuar além dos limites do caderno impresso e do próprio endereço pontocom. O novo leitor tem vocação para partícipe. (Marion Strecker, 1987 a 1989)

CRÍTICO AO MERCADO

O problema é encontrar denominadores comuns numa confederação de guetos. A saída é ser cada vez mais crítico ao mercado, fugir das armadilhas do deslumbramento, da superficialidade e da ingenuidade, as pragas do jornalismo cultural. O xis da questão é que essa receita custa caro. (Mário Cesar Carvalho, 1989 a 1991)

PRAZER DA RUPTURA

Ampliar o repertório da reportagem; recriar-se como rede informativa; submeter as políticas culturais públicas e o marketing da indústria de entretenimento à investigação jornalística; aprimorar os serviços; recompor o valor intelectual e polêmico da crítica; retomar o entusiasmo pelo debate, o gosto da provocação e o prazer das rupturas e das descobertas. (Alcino Leite Neto, 1993 a 1994)

LOCALIZAR O DEBATE

A Ilustrada é filha de período em que o debate cultural era mais coletivo e concentrado em poucos lugares, por onde circulava aparentemente toda a gente envolvida. Isso mudou radicalmente, nos faz desconfiar que nem haja mais linguagem e terreno comum para haver debate. Talvez a tarefa principal seja atar as pontas dispersas. (Bia Abramo, 1994 a 1995)

PINÇAR O ORIGINAL

O número de manifestações culturais só tende a crescer exponencialmente. Cobertura ‘universal’ seria virtualmente impossível. Mesmo assim, a tendência é abraçar essa ‘cauda longa’. O diferencial será a capacidade de pinçar nessa ‘cauda longa’ as manifestações mais originais, capazes de formar, elas mesmas, suas próprias ‘caudas’. Para isso, apostar naquilo que é totalmente inusitado. (Zeca Camargo, 1995)

MÚLTIPLAS OPINIÕES

Se há uma coisa de que eu sinto falta é da multiplicidade de opiniões. No mais das vezes nem é dada a palavra ao artista, mas sim ao crítico, ao colunista, ao articulista, sem que haja tampouco o confronto das idéias. Que seja dada a palavra aos criadores. (Luiz Caversan, 1995)

TRIPÉ DE BASE

Análise, interpretação e crítica. A Ilustrada do futuro deveria se basear nesse tripé. A cereja no bolo seriam reportagens exclusivas. E uma medida a ser tomada ontem: jogar fora tabelas e roteiros. Comem papel, cada vez mais caro, e estão mais bem dados no Guia da Folha ou on-line. (Sérgio Dávila, 1996 a 2000)

ETERNA JUVENTUDE

Como a tendência do leitor de jornal é envelhecer sem se renovar nas mesmas proporções, creio que a vontade de eterna juventude (valorizar o novo pelo novo, sem pôr em xeque sua consistência) pode ter ficado anacrônica. Para satisfazer e manter fiel público mais maduro será necessário esforço mais amplo de aprofundar informação e opinião. (Cássio Starling Carlos, 2004 a 2005)

A FORÇA DA MARCA

Não creio que o principal desafio da Ilustrada seja transformar-se num ator relevante do debate cultural, o que me parece um pleito nostálgico. O desafio é fazer jornalismo qualificado para leitores do século 21, cuja atenção é atraída para uma infinidade de outros veículos.

A Ilustrada deveria aproveitar sua marca forte, com credibilidade, para produzir conteúdo diferenciado para plataformas diversas. (Marcos Augusto Gonçalves, 1986 a 1987 e atual editor desde 2006)

***

‘Para corrigir uma injustiça’, copyright Folha de S. Paulo, 7/12/08.

‘Esta coluna cometeu um erro e, em conseqüência uma injustiça, ao afirmar na semana passada que no Brasil não há outro grupo de comunicação (além do Folha) com seu próprio instituto de pesquisas.

Em Santos (SP), o centenário jornal diário ‘A Tribuna’ criou em 2005 o Ipat Instituto de Pesquisas A Tribuna, que já realizou cerca de cem estudos.

Em 2008, suas pesquisas eleitorais tiveram acerto médio acima de 80%.

Além do trabalho eleitoral, fez importantes projetos como o perfil da terceira idade na Baixada Santista e o perfil das religiões em Santos, além de um sobre o porto da cidade, que se transformou em livro (‘O Grande Porto’, de Alcindo Gonçalves e Luiz Antonio de Paula Nunes, Editora Realejo).’

***

‘Para ler’, copyright Folha de S. Paulo, 7/12/08.

‘‘Pós-Tudo, 50 anos de cultura na Ilustrada’, de Marcos Augusto Gonçalves, Publifolha, 2008 (a partir de R$ 50,92) – a história da Ilustrada, num volume dinâmico, diversificado, interessante e muitíssimo bem editado

‘As Ilusões Perdidas’, de Honoré de Balzac, tradução de Leila de Aguiar Costa, 2007, Estação Liberdade (a partir de R$ 54,06) – demolidora descrição de como funcionava o jornalismo cultural em Paris no século 19

PARA VER

‘A Malvada’, de Joseph Mankiewicz, com Bette Davis e George Sanders, 1950 (a partir de R$ 19,90) – magnífico filme, que traz o melhor personagem de crítico de teatro da história do cinema, Addison DeWitt, vivido por Sanders, que ganhou o Oscar pelo papel

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3. Haverá esquema especial de vigilância para cumprir a Lei Seca no Trânsito no país nas festas de fim de ano?’

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