Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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VOZ DOS OUVIDORES >

Carlos Eduardo Lins da Silva

03/02/2009

‘Das 40 colunas que publiquei neste espaço, as que trataram de temas relativos a educação geraram maior número de reações positivas.

A mais recente questionava o quanto este jornal tem feito para estimular o hábito da leitura entre jovens além de publicar dois suplementos semanais dedicados um a crianças e outro a adolescentes.

Dezenas de leitores escreveram para comentar o assunto. Alguns, como Luiz Carlos Gonçalves, de Divinópolis, e Maria Marta Botelho, de Ribeirão Preto, relataram que usam a Folha como material didático em sala de aula, com resultados que consideram positivos.

Outros, como Orestes Romano, de Jundiaí, recordaram o tempo em que este jornal desenvolvia um projeto de cooperação com escolas e o avaliaram também como muito produtivo.

Tomei conhecimento que a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) coordena o trabalho de 64 diários brasileiros na cooperação com escolas. Em 2008, cerca de 67 mil professores e 1,8 milhão de alunos participaram dele.

A Folha não está entre esses jornais. Perguntei à sua direção por quê. Recebi a seguinte resposta: ‘Em anos anteriores [entre 1993 e 2005] o jornal organizou projeto de estímulo à leitura de jornal em escolas paulistanas, o Folha Educação. O projeto foi descontinuado a partir da avaliação de que necessitava de muitos ajustes para modernizar e ampliar o seu escopo. No momento, o jornal discute novas formas de encaminhar a questão e deve observar também a experiência acumulada pela ANJ’.

Em 22 de abril de 2007, este jornal afirmou em editorial: ‘Falência do ensino exige de governo e sociedade reação vigorosa, com adoção e perseguição de metas realizáveis’.

No primeiro dia de 2009, outro excelente editorial, ao tratar da reforma ortográfica, fez vigorosa defesa da ‘experiência da leitura sistemática e [d]a exposição constante a textos…’.

Infelizmente, ele não faz o que recomenda ao governo e à sociedade. A cobertura de temas educacionais no jornal tem sido frágil, pelo menos desde abril de 2008, quando assumi este cargo.

Ele não lhes dá prioridade (como para saúde e ciência), cobra pouco das autoridades públicas responsáveis por eles, não investe em reportagens de fôlego sobre ensino.

Pior: não tem feito nada para incentivar a leitura em escolas, algo indispensável até mesmo em defesa de seu próprio interesse material imediato.’

***

‘Grampos, gastos e assédio’, copyright Folha de S. Paulo, 1/2/09.

‘No dia 24, o jornal acertou ao usar o adjetivo ‘suposto’ em referência ao célebre grampo contra o presidente do STF. Mas, quando o tema era manchete diária, não foi cauteloso. Não demonstrava dúvida sobre o ‘grampo ilegal’.

Esse episódio, em que o jornal embarcou acriticamente em informação sem a ter obtido ou comprovado autonomamente, deveria servir para estabelecer determinação pétrea: nenhuma informação exclusiva revelada por outros pode ser considerada verdadeira sem confirmação própria.

Na quinta, o jornal deu manchete para a ampliação de R$ 873 milhões em gastos sociais do governo federal. Ressaltou ter ocorrido um dia após cortes no Orçamento de R$ 37 bilhões, que não estiveram na capa de quarta.

Se o que envolvia valores maiores não era relevante para a primeira página, por que 3% deles foram manchete? Havia assuntos mais importantes, como os entraves a importações e o pacote econômico de Obama.

Minha primeira reação ao artigo de Roger Abdelmassih na página A3 de quarta foi positiva. Achei que era garantia do direito de defesa.

Cartas de leitores que o criticavam me mudaram a opinião.

O espaço de ‘Tendências/ Debates’ é para discutir ideias, não para tratar de crimes comuns. O artigo não analisa o tema do assédio sexual, só defende um acusado de tê-lo cometido.

O jornal já lhe vinha dando espaço nas reportagens. Se queria dar mais, deveria tê-lo entrevistado.’

***

‘Para ler’, copyright Folha de S. Paulo, 1/2/09.

‘-’Uma História da Leitura’, de Alberto Manguel, tradução de Pedro Maia Soares, Companhia das Letras, 1997 (a partir de R$ 49,69) – Extraordinário e sofisticado esforço bem-sucedido de contar a aventura humana de ler ao longo do tempo e sob as mais variadas perspectivas

PARA VER

-’O Carteiro e o Poeta’, de Michael Radford, com Philippe Noiret, 1994 (a partir de R$ 19,90) – Comovente história de como um poeta ajudou a nutrir num carteiro o amor pela leitura e pela escrita

PRÓ-MEMÓRIA

Quando é breve?

Em 23 de novembro, o jornal prometeu que ‘em breve’ a nova versão eletrônica da Folha, com reprodução fiel das páginas, estaria no ar. Após sofrer uma semana com a leitura do que existe atualmente, espero mais do que nunca que o ‘em breve’ seja breve

ASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA

1. Caso Abdelmassih

2. Caso Battisti

3. Temas de economia

DE QUEM É O PAINEL?*

Cartas do leitor – 44

Cartas do noticiado – 14

Centímetros do leitor – 345

Centímetros do noticiado – 177

*De 24/01/09 a 30/01/09

ONDE A FOLHA FOI BEM…

BOLÍVIA

Mais uma vez graças ao trabalho de enviado especial, jornal faz boa cobertura do importante referendo da nova Constituição da Bolívia

COLINA DO SOL

Na quarta, é justo o espaço dado aos acusados em nebulosas denúncias de pedofilia na comunidade naturista Colina do Sol (RS)

CONSTRUÇÕES E ENCHENTES

Reportagem na sexta que relaciona enchentes em São Paulo com excesso de construções segue o caminho certo do jornalismo preventivo

…E ONDE FOI MAL

DESEMPREGO ONDE?

Na terça, pela segunda vez em poucas semanas, título de submanchete da capa passa a impressão de que números de desemprego se referem ao Brasil, embora sejam internacionais

ENSINO PÚBLICO E PRIVADO

Tratamento dado a problemas do ensino superior público é muito mais crítico que o usado com os das escolas privadas; jornal não deve ser complacente com ninguém

VERBAS PARA ONU

Mais um corte no Orçamento em prejuízo do interesse nacional (verbas para honrar compromissos com a ONU) só é divulgado um mês depois de feito’

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