Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Carta Capital

28/07/2009 na edição 548

ESTUDANTES VS IMPRENSA
Augusto Chagas, novo presidente da UNE

A mídia na contramão

‘O tratamento dispensado por parte da grande mídia às organizações do movimento social no Brasil sempre foi o da desqualificação, criminalização e combate aberto. Com a UNE a situação não é diferente, mas houve, no último período, uma elevação no tom maldoso e até inescrupuloso com o qual esses veículos têm tratado a entidade que representa os estudantes universitários brasileiros.

A UNE acaba de sair do seu 51º Congresso, um dos mais importantes e o mais representativo da sua história. Mais de 2300 instituições de ensino superior elegeram representantes a este fórum, contabilizando as impressionantes marcas de 92% das instituições envolvidas, mais de 2 milhões de votos nas eleições de base e de 4 milhões e meio de universitários representados.

Nosso Congresso mobilizou estudantes de todo o país, que por cinco dias debateram o futuro do Brasil – a Popularização da Universidade, Reforma Política, Democratização da Mídia, Defesa do Pré-Sal, etc. Se a imprensa brasileira trabalhasse a favor da democracia, esses assuntos seriam manchete em todos os jornais, rádios e canais de televisão e a disposição da juventude em lutar por um país melhor seria divulgada.

No entanto, esses veículos nos dedicaram tratamento bem diferente nestas duas últimas semanas.

Cumprindo com fidelidade o ensimanento de Goebbels – uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade – a mídia escandalosamente busca subterfúgios para atacar a UNE, taxando-a de governista, vendida, aparelhada e desvirtuada de seus objetivos. Com isso, tenta impor a todos os seus pontos de vista, sem qualquer mediação ou abertura para apresentar o outro lado da notícia.

Uma desses ataques tem a ver com o recebimento de patrocínios de empresas públicas por parte da entidade. A UNE nunca recebeu recurso público para aplicá-lo no que bem entendesse. Recebe sim, apoio para a construção de nossos encontros e isto não se configura em nenhuma irregularidade. Tampouco, essas parcerias comprometeram as posições políticas da entidade. Não nos impediu, por exemplo, de desenvolver uma ampla campanha – com cartazes, debates, passeatas e pronunciamentos – exigindo a demissão de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central, que foi indicado por este mesmo governo. Não nos furtamos de apresentar nossas críticas ao MEC por sua conivência ao setor privado da educação, como no caso do boicote que convocamos ao ENADE por dois anos consecutivos.

Mas, onde estavam os jornais, as TV’s, rádios e revistas para noticiar essas manifestações? Reunimos, em julho de 2007, mais de 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios para pedir mudanças na política econômica do governo Lula e nenhuma nota foi publicada ou divulgada sobre isso.

Os mesmos jornais que se horrorizam com o fato de termos recebido recursos para reunir 10 mil estudantes de todo o Brasil não parecem incomodados em receberem, eles próprios, um montante considerável de verbas publicitárias do governo federal. Em 2008, as verbas públicas destinadas para as emissoras de televisão foram de R$ 641 milhões, já os jornais receberam quase R$ 135 milhões.

Ora, por qual razão os patrocínios recebidos pela UNE corrompem nossas ideias enquanto todo este recurso em nada arranha a independência desses veículos? A UNE desafia cada um deles: declarem que de hoje em diante não aceitam um centavo em dinheiro público e faremos o mesmo! De nossa parte temos a certeza que seguiremos nossa trajetória!

Com certeza não teremos resposta. Pois não é esta a questão principal. O que os incomoda e o que eles querem ocultar: a discussão sobre o futuro do Brasil e a opinião dos estudantes.

Não querem lembrar que durante a década de 90 os estudantes brasileiros – em jornadas ao lado das Centrais Sindicais, do MST e de outros movimentos sociais – saíram às ruas para denunciar as privatizações, o ataque ao direito dos trabalhadores e a ausência de políticas sociais. Que foram essas manifestações que impediram o governo Fernando Henrique Cardoso de privatizar as universidades públicas através da cobrança de mensalidades.

Não reconhecem que após a eleição do presidente Lula, a UNE manteve e ampliou suas reivindicações. Resultado delas, conquistamos a duplicação das vagas nas universidades públicas, o PROUNI e a inédita rubrica nacional para assistência estudantil, iniciando o enfrentamento ao modelo elitista de universidade predominante no Brasil.

Insinuam que a UNE abriu mão de suas bandeiras históricas, mas esquecem que não há bandeira mais importante para a tradição da UNE do que a defesa de uma universidade que esteja a serviço do Brasil e da maioria do nosso povo! Não se conformam com a democracia, com o fato de termos um governo oriundo dos movimentos sociais e que, por esta trajetória, está aberto a ouvir as reivindicações da sociedade.

A UNE não mudou de postura, o que mudou foi o governo e o Brasil. E é isso que os conservadores e a mídia que está a serviço desses setores não admitem. Insistem em dizer que a UNE nasceu para ser ‘do contra’. Rude mentira que em nada nos desviará de nossa missão!

Saibam que estamos preparados para mais editoriais, artigos, comentários e tendenciosas ‘notícias’. Contra suas pretenções de uma sociedade apática, acrítica e sem poder de contestar os rumos que querem impor ao nosso país, eles enfrentarão a iniciativa criativa e mobilizadora dos estudantes na defesa de um novo Brasil. Há de chegar o dia em que teremos uma comunicação mais justa e equilibrada. A UNE e sua nova diretoria está aqui, firme e a disposição do verdadeiro debate de rumos para o Brasil!’

 

CHINA
Renato Pompeu

Apesar de tudo, ‘valeu a pena’

‘Avaliando um século de violências na China – décadas de guerra civil, a Segunda Guerra Mundial, o Grande Salto para a Frente, em que tantos morreram de fome, a Revolução Cultural, em que tantos foram agredidos e assassinados, e o recente capitalismo regulado pelo Estado, mas selvagem para grande parte da população – Xiran, a jornalista chinesa radicada na Inglaterra, que passou 40 de seus 51 anos de vida na terra natal, chega neste livro, Testemunhas da China – Vozes de uma Geração Silenciosa, à surpreendente conclusão de que tudo isso valeu a pena.

Xinran, famosa pelo livro As Boas Mulheres da China, voltou à pátria em 2005 e 2006, preocupada em ouvir as histórias de cidadãos que viveram esses desastres e mais preocupada ainda porque as pessoas, na própria China, não falam desse passado calamitoso.

A história oficial não o anota e os próprios pais e avós não contaram suas vidas aos filhos e netos, os quais, por sua vez, só querem saber das novidades do mercado.

Assim, em diferentes regiões da China, ouvimos a mulher orgulhosa por ter, há meio século, ajudado a construir cidades no deserto de Gobi, um dos desastres do Grande Salto para a Frente. O alto quadro comunista que sobreviveu a todos os expurgos simplesmente porque sabia jogar majongue (espécie de dominó chinês) com as mesmas regras que Mao Tsé-tung conhecia.

E a curandeira beneficiada pela Revolução Cultural: por ter a saúde pública entrado em colapso, tanto ‘revolucionários’ como ‘contrarrevolucionários’ recorriam às suas mesinhas. Afinal, valeu a pena.’

 

ITÁLIA
Redação CartaCapital

Os atributos de Berlusconi

‘Patrizia D’addario, loira capitosa de 42 anos, tornou-se a michê mais célebre do mundo ao serem divulgadas algumas das gravações por ela registradas pelo celular durante seu encontro bíblico com o premier italiano Silvio Berlusconi. Na segunda 20, graças à revista L’Espresso, soubemos que a noite do amplexo deu-se enquanto os Estados Unidos elegiam Obama. Depois do momento de maior enlevo, Silvio e Patrizia tomaram banho e enfim assistiram ao noticiário da tevê sobre o pleito americano diretamente da cama onde dormira Putin, hóspede de Berlusconi tempos atrás. Averiguamos assim que a cama é enorme e cortinada.

Na terça surgiram outras gravações, para excitar o Senado de Roma, onde o Partido Democrático, de oposição, tentou emplacar duas moções de crítica ao premier, rejeitadas pela maioria governista. Uma recomendava que ‘membros do governo caracterizem seus comportamentos pelo decoro inerente a seus papéis institucionais’. A outra fazia referência às observações e censuras tanto da imprensa internacional quanto ‘de destacados representantes da Igreja Católica’.

Com as aventuras de Berlusconi divertem-se, entre outros jornais estrangeiros, Financial Times, Wall Street Journal, Le Monde, El País, The Guardian, New York Times. A fina flor da mídia global. E o público italiano? Teme-se que se impressione positivamente com a recusa do premier a usar camisinha. E, mais ainda, ao ser informado a respeito de relações íntimas que, de saída, provocam ‘dores terríveis’. Palavras de Patrizia.’

 

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