Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TECNOLOGIA

Como o Google mudou a história da internet

09/03/2011 na edição 632


G1, 4/3


Criação do site de busca Google muda a história da internet


O Google é popular porque revolucionou não apenas os sites de busca, mas também a rede mundial de computadores. No Brasil, nove em cada dez buscas são feitas pelo site.


O site Google que virou sinônimo de buscas criou uma geração de dependentes. No Brasil, nove em cada dez buscas são feitas pelo Google, que entre os mais jovens, é quase um verbo.


O Google é popular porque revolucionou não apenas os sites de busca, mas também a rede mundial de computadores. A internet surgiu como uma janela para o mundo. Mas no começo não era nada fácil encontrar o que se procurava.


Os primeiros sites de buscas a ganhar fama foram o Yahoo, que escolhia os links de forma manual – e o Excite, que usava programas de computador para catalogar as páginas automaticamente.


Inconformados com os resultados limitados das buscas, Larry Page e Sergey Brin, inventaram o Google, que tinha como diferencial o page rank.


As páginas passaram a ser classificadas pela importância que têm. O Google interpreta um link da pagina A para a página B como um voto da página a em prol da página B. Quanto mais votos e quanto mais importante o site que indica a página, mais ela sobe no ranking.


O negócio ficou lucrativo quando o Google passou a veicular propagandas direcionadas aos clientes.


Por exemplo: se você digita sapato, aparecem anúncios de lojas de calçados na mesma página dos resultados da pesquisa.


‘Com o volume brutal de acessos ao seu mecanismo de busca e com um volume de informações muito grande sobre os seus usuários, a fórmula do Google proporcionou a vários anunciantes a exibirem propaganda extremamente segmentada’, fala o diretor de tecnologia da Frost & Sullivan, Cristiano Zaroni.


De lá pra cá, o Google dominou o serviço de buscas e criou um império na internet. Comprou o maior site de divulgação de vídeos, o Youtube, apostou nas redes sociais, criou mapas interativos, passou a hospedar blogs, a organizar fotos, a fazer traduções e até a falar.


No Brasil, o Orkut é líder, mas no mundo foi ultrapassado pelo Facebook. O blogger perde usuários para o Twitter. E até o serviço de busca passou a ser alvo de críticas. A questão agora é: como o gigante vai continuar inovando?


Coincidência ou não, o comando da empresa vai mudar. O presidente Eric Schmidt que fez uma visita relâmpago ao Brasil ontem vai chefiar o conselho da empresa a partir de abril. A cadeira número um vai ser ocupada por Larry Page, 18 anos mais novo, e um dos fundadores do Google.


‘Larry vai ficar mais no controle dos negócios e eu vou cuidar de parcerias, clientes e da imprensa. Ele é brilhante, mais meticuloso e detalhista. Acho que os produtos vão ser integrados e surgirão mais rapidamente’, diz Eric.


Um estímulo para o novo presidente são os resultados no Brasil, onde o faturamento cresceu 80% no ano passado.


‘É impressionante como o Brasil vem crescendo! Com muita gente chegando à classe média. Por outro lado, ainda é preciso avançar no acesso à internet. Então vemos muitas oportunidades no horizonte’, fala Eric.


Apesar do ambiente descontraído de trabalho, o Google vem perdendo talentos para concorrentes – um sinal de alerta para uma empresa que precisa manter a inovação. Alexandre Hohagen, que chefiava a unidade brasileira, trocou o Google pelo Facebook.


‘Com certeza a gente não quer perder nenhum empregado chave para concorrentes. Alexandre é um grande executivo e sentiremos a sua falta. Mas temos muita gente talentosa no Google e contratamos mais pessoas em uma semana do que o Facebook levou da gente em toda a sua história. Então não estamos preocupados com isso’, explica Eric.


Pergunto se eles não têm mesmo medo do Facebook, que ultrapassou o Google em número de acessos nos Estados Unidos.


‘Quando você usa o Facebook, você gera mais page views do que numa pesquisa. Mas na verdade, nós competimos com a Microsoft todos os dias, não com o Facebook’, conta Eric.


Mesmo bem atrás do Google, o Bing, o site de buscas da Microsoft, ganhou espaço nos últimos meses nos Estados Unidos.


As duas empresas também são rivais no bilionário mercado da tecnologia móvel. O sistema operacional android do Google enfrenta o Windows Phone e outro forte concorrente: o sistema I.O.S da Apple, presente no iPhone e no iPad.


‘Muitas pessoas, inclusive eu, não acreditavam no sucesso dos Tablets e a Apple mostrou o caminho. Agora, muitas empresas oferecem competidores para o iPad que usam o nosso sistema, o android. Os aparelhos estão ficando mais baratos, mais rápidos e mais bonitos. A competição é boa para o consumidor’, explica Eric.


Como a nova tecnologia afeta as buscas do Google? O presidente responde com sinceridade pouco comum por aqui.


‘É muito positivo. As pessoas com Tablets vão fazer mais pesquisas e quando elas fazem mais pesquisa nós ganhamos mais dinheiro com publicidade’.


É ela que sustenta os serviços que – Eric garante – vão continuar gratuitos.


Em troca deles, centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro dão à empresa informações preciosas, como nome, lugares que frequenta, objetos de desejo e a rede de amigos.


‘Nós gastamos muito tempo com privacidade e seria terrível se essa privacidade fosse violada. Estamos desenvolvendo uma ferramenta em que você poderá ver o que o Google sabe sobre você e se você quiser apagar essas informações, bastará apertar um botão. É para o seu beneficio que a gente sabe alguma coisa de você, mas se você quiser ficar completamente anônimo, nós também apoiamos’, avisa Eric.

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