Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

VOZ DOS OUVIDORES > FOLHA DE S. PAULO

Critica Interna

Por Bernardo Ajzenberg em 24/02/2004 na edição 265

’20/02/2004

Mais uma vez, antecipando sua circulação, as revistas (desta vez ‘Época’ e ‘Veja’) trazem hoje material à frente dos jornais diários. A primeira, que já dera o grande furo semana passada, aprofunda-o com dados (mais concretos e detalhados sobre o que saiu ao longo da semana inclusive na Folha) sobre ação de Waldomiro Diniz em 2003. A ‘Veja’ joga lenha na fogueira da crise destacando denúncias do filho de Brizola sobre ação do PT nas loterias do RS (ver nota específica). Os três principais jornais do país dão a mesma manchete: crise política faz Bolsa cair, dólar e risco subirem.

Caso Waldomiro

1) Recuperando furo tomado na quarta-feira, a Folha trouxe informações na edição de ontem sobre encontros ocorridos entre Waldomiro Diniz e Carlinhos Cachoeira em 2003, sob o governo Lula. A ‘Época’ hoje, porém, traz mais detalhes e dados concretos sobre esses encontros, além da ‘segunda parte’ da entrevista com o ex-assessor de José Dirceu;

2) A ‘Veja’ pega carona e incrementa a crise política do PT/governo com as denúncias do filho de Leonel Brizola, José Vicente;

3) O ‘Valor’ sustenta hoje afirmação dada na edição de ontem de que José Dirceu pediu demissão (não apenas colocou o cargo à disposição de Lula), informação que a Folha, hoje, indiretamente, sustenta ser incorreta. O jornal banca, apenas, como também já fizera antes, que o chefe da Casa Civil só colocou o cargo à disposição. A conferir;

4) O abre ‘Clandestinos controlam jogo, diz Cachoeira’ (Brasil, pág. A8) traz citação entre aspas de Carlinhos Cachoeira que, segundo texto, foi dada à Agência Folha no domingo. Posso estar enganado, mas não me recordo de ter visto essa declaração no jornal desde então. Só na edição de hoje. O que aconteceu?

Boné

O abre ‘Povo pode perder paciência, mas não esperança, diz Lula’ (Brasil, pág. A9) nada menciona a respeito de o presidente ter vestido um boné de um grupo dissidente do MST em Uberaba. O fato fica limitado à foto e à legenda da reportagem, quando, como se recorda, enorme celeuma ocorreu, ano passado, quando ele vestiu o boné do MST. Cabia, ao menos, uma referência e algo de memória.

Básico

A reportagem ‘Europa promete aumentar combate ao anti-semitismo’ (Mundo, pág. A12) não informa onde foi realizado o seminário sobre o tema, quais as forças ali presentes, quem organizou, números de presentes etc. Dessa forma, não dá para entender boa parte da notícia.

Edição

1) Mundo traz duas cabeças de página para io Irã. Uma sobre as eleições naquele país (pág. A11); outra (pág. A12) sobre ‘peça nuclear suspeita’ encontrada naquele país por inspetores ligados à ONU. A pág. A13 traz ainda uma Panorâmica sobre o número de mortos em explosão de trem ocorrida no mesmo país. Não teria sido o caso de reunir tudo numa página só?

2) Parece-me ininteligível o conjunto chapéu-sobretítulo-título do abre da pág. B10 (Dinheiro): ‘PARCERIA—Chefe da assessoria do Planejamento diz que, com fim da cláusula de precedência, fundos precisarão ter capital maior—Governo poderá ter de aumentar garantia’. Só mesmo quem segue o assunto à risca (no caso, as PPPs) é capaz de entender o que tudo isso quer dizer.

Para cego ver…

Diz a legenda da foto da pág. A13 (Mundo) que ilustra a reportagem ‘Violência leva os EUA a sugerir que seus cidadãos deixem o Haiti’: ‘Líderes rebeldes dão risada durante comício em Gonaives, cidade controlada pela oposição’. Os líderes em questão evidentemente estão rindo, dando gargalhadas até. Precisava mesmo do ‘dão risada…’?

Carnaval

Em nenhum momento, seja nas artes seja nos textos, o material sobre os desfiles das escola de samba de São Paulo nas págs. C5 e C6 (Cotidiano) informa ao leitor se haverá ou não transmissão do evento pela TV. Vejo na programação de TV da Ilustrada, na pág. E10, que isso está na grade da programação, por exemplo, da Globo a partir das 23h10. Faltou, em Cotidiano, esse serviço ao leitor.

Réplica

O Reproduzo a seguir comentário do editor interino de Brasil, Rogério Gentile, sobre o item 5 da nota ‘Caso Diniz’ da crítica de anteontem:

‘A reportagem ‘PF apreende papéis de empresário do bingo’, publicada na edição de anteontem na pág. A5, procurou detalhar as atividades da Teclogic Tecnologia Eletrônica, pertencente ao empresário Carlinhos Cachoeira, que teve seus documentos apreendidos pela Polícia Federal. A reportagem mostrou que Teclogic tem 49% das ações da Bet Capital, que venceu licitação para distribuir bilhetes de loterias na gestão de Olívio Dutra (PT) no Rio Grande do Sul. O foco da reportagem é a relação entre o empresário e o PT. Por isso não foi citado o pedido de contribuição para a campanha de Rosinha Matheus em 2002. Lembro que o pedido de recursos para a campanha eleitoral de Rosinha já tinha sido mencionado tanto no abre da página A4, ‘Ação de assessor no governo será investigada, diz Rebelo’, como também na sub-retranca ‘PF também vai apurar atuação de Waldomiro na administração Lula’, publicada na mesma página. Considero, portanto, que não havia necessidade de repetir essa informação mais uma vez na pág. A5’.

Aviso

Devido ao Carnaval, a crítica volta a circular na quinta-feira (26/2).

18/02/2004

Como se esperava, o caso Diniz continua a render manchetes, unanimemente. Para além da questão da CPI, o embate, começa a ficar claro na cobertura, se fecha em torno de revelações de atuação do ex-assessor da Presidência também sob o governo Lula. E aqui a Folha, hoje, perde. O tema divide a atenção dos jornais com dois assuntos: a crise de gestão no Ministério da Cultura e o fabuloso lucro dos bancos em 2003. Sobre esse ponto, aliás, é chamativa a diferença de números entre os diversos jornais (ver nota específica).

Caso Diniz

1) O ‘Globo’, corretamente, destaca em alto de página que a mensagem de Lula ao Congresso, entregue dias atrás por José Dirceu, inclui proposta e defesa da legalidade dos bingos. Essa bombástica informação, na Folha, consta apenas na primeira nota do Painel FC (Esporte, pág, D2). Ficou, assim, escondida do noticiário político, onde deveria estar. Faltou ao jornal, aí, equilíbrio na avaliação do dado;

2) A concorrência noticia que o Ministério Público já sabe que Diniz teve encontros com Carlinhos Cachoeira também em 2003. Não vi essa informação, essencial, na Folha;

3) Continua imprecisa, a meu ver, na cobertura, a informação sobre o posicionamento da cúpula do PFL em relação ao caso, em especial sobre a CPI. O material da pág. A6 (inclusive arte) mostra que a bancada foi liberada no Senado e que sete devem assinar o requerimento. OK. Mas qual a posição do presidente do partido (Bornhausen)? Até onde sei, ele assinou também o pedido. Por que não dá declarações?

4) O jornal passou a chamar Carlinhos Cachoeira de ‘empresário de bingo’, não mais de bicheiro. OK. Faltou, porém, avisar a editoria de Esporte, que usa o tratamento anterior na primeira nota do Painel FC (pág. D2), já mencionada;

5) O abre ‘PF apreende papéis de empresário do bingo’ (Brasil, pág. A5), ao registrar a memória do caso, afirma que Waldomiro Diniz pediu dinheiro para campanhas eleitorais do PT. E Rosinha Matheus (PMDB)? Não dá para esquecer.

Ora, o manual…

1) O segundo parágrafo de ‘Holanda decide expulsar 26 mil estrangeiros’ (Mundo, pág. A11) afirma que ‘também serão atingidos outros que estão no país há mais tempo e já possuem uma vida arranjada, família etc.’. Verbete da pág. 67 do ‘Manual’ recomenda que seja evitado o uso de abreviatura em texto jornalístico, porque sugere incompletude, imprecisão;

2) O penúltimo parágrafo da reportagem ‘Trote faz diretor suspender toda a escola no ABC’ (Cotidiano, pág. C6) usa o verbo garantir no sentido positivo de uma afirmação (fulano garante que não houve agressão física durante o trote), de um modo que, segundo o manual (pág. 71) , deve ser evitado.

Lucros bilionários

Variam bastante as formas adotadas pelos jornais para apresentar os lucros dos bancos em 2003. Todas se baseiam na mesma consultoria, mas os números não batem:

A Folha diz que as sete principais instituições somam R$ 13,4 bi de lucro; o ‘Estado’, que 19 somam R$ 13,99 bi; o ‘Globo’ e o ‘Valor’: 18 somam R$ 12,375 bi; ‘GM’: 12 somam R$ 14,4 bi; ‘JB’: sete somam R$ 13,36 bi. Pode até ser que todos os números estejam certos e que a diferença resida nos critérios adotados. Mas chama a atenção, em especial, a disparidade entre Folha e ‘Valor’/’Globo’. Como é que o lucro de sete instituições pode ser maior (R$ 13,39 bi) do que o lucro de 18 (R$ 12, 375 bi), sendo que esse total inclui aquelas sete? A verificar.

Consumo

A reportagem ‘Aumento da renda iria para alimentos’ (Dinheiro, pág. B4) informa que, segundo pesquisa divulgada pelo Pão de Açúcar, 35% dos consumidores, caso houvesse aumento da renda, gastariam esses recursos extras em itens alimentícios. Posso estar enganado, mas não é o que se vê na arte. Segundo esta última, 72% dos consumidores poupariam o ganho extra, e apenas 28% o gastariam. Assim, o correto seria dizer que, desses 28%, 35% gastariam em alimentos. O que daria uma porcentagem bem menor do total de consumidores. Sugiro verificar.

Confuso

A retranca ‘PF diz não ter recebido mandado de prisão’ (Dinheiro, pág. B11), sobre o ex-presidente da empresa Gianni Grisendi, registra nota da PF em que ela nega ter recebido o tal mandado, ‘conforme publicado ontem na Folha’. Ou a redação está ambígua ou dá a entender que o jornal se equivocou ou que ao menos uma informação que ele publicara estava sendo negada. Não entendi, pois na Folha de ontem a notícia era de que havia um mandado de prisão pela Justiça mas que a ordem ainda não chegara à PF. O jornal, não afirmou que a PF recebera o mandado…

Sísifo

1) Faltaram as idades dos policiais-militares formalmente acusados, no texto ‘Promotor faz denúncia por morte de dentista’ (Cotidiano, pág. C1);

2) O mesmo ocorre com José Carlos Blat, em ‘Promotor da máfia dos fiscais é afastado’ (Cotidiano, pág. C3).

Incompleta

O abre da contracapa de Esporte (‘Oliveira volta mais barato e pede reforços’) nada fala sobre como ficou a situação do diretor técnico do Corinthians, Rivellino, com a troca de todo o comando. A mesma lacuna já aparecia no noticiário de ontem sobre o caso, como comentei na crítica. Como o ex-jogador saiu dessa crise? Falta esclarecer.

Esclarecimento

Comentando sugestão de verificação feita na nota ‘Primeira Página’ da crítica de ontem, o secretário-assistente de Redação Vaguinaldo Marinheiro esclarece, via SR, que ‘não está errado o tl da Primeira sobre o clipe do Chico Buarque. Veja o que diz o Houaiss sobre o verbo dublar: ‘simular, com mímica, a interpretação de um cantor ou ator anteriormente gravada, tornada audível em playback (ele dubla Frank Sinatra com perfeição)’ Foi o que o Chico fez, com a voz gravada de Arnaldo Antunes’.

Agradeço o esclarecimento. Comento, apenas, o seguinte: não há como desafiar o Houaiss, mas a diferença apontada na crítica entre o que a Primeira diz (Chico dubla Arnaldo) e o que a reportagem interna diz (Chico é dublado por Arnaldo) permanece, o que, a meu ver, mesmo não havendo erro, pode confundir o leitor.

17/02/2004

O ministro José Dirceu ‘deu as caras’ em público pela primeira vez desde o estouro do caso Diniz e ganhou o alto de todas as capas. Essas exploraram, visualmente, o quadro de Gustavo Hastoy, ao fundo, no que a Folha se saiu pior em termos visuais. A opção do jornal, assim interpreto, privilegiou a possibilidade de dar uma imagem de Dirceu que lembra muito a de Collor olhando o relógio, no Congresso, ao assinar seu afastamento do Planalto.

Primeira Página

O texto-legenda ‘O dono da voz’ diz que, no clipe em questão, Chico Buarque dubla a voz de Arnaldo Antunes. Ficou esquisito, e, me parece, errado. Na reportagem (pág. C5), fica claro que é Arnaldo quem dubla Chico. Ou seja: quem mexe a boca é Chico, mas a voz que dela ‘sai’ é a de Arnaldo. A verificar.

Caso Diniz

1) Exagerado. Assim me pareceu o título ‘Tropa de choque defende ministro’, de sub-retranca no material sobre o caso Diniz na pág. A4 (Brasil), em comparação com o texto apresentado. Citam-se apenas o ministro Patrus Ananias e os presidentes da Câmara e do Senado. Onde está a tropa de choque?

2) Registro para reportagens no ‘Globo’ sobre investigação de envolvimento de Waldomiro Diniz em contrato da CEF já sob o governo Lula, assim como sobre empresa ligada a Carlinhos Cachoeira na Argentina.

Crítica

A reportagem ‘Na frente de Dirceu, Sarney e João Paulo criticam governo’ (Brasil, pág. A7) registra, no último parágrafo, que o presidente da Câmara voltou a criticar a imprensa. A informação fica pela metade. Que críticas ele fez? Não há informação. A dúvida fica no ar.

Edição

1) Faltou um mapa no material ‘Fazendeiro é assassinado em confronto com índios em SC’ (Brasil, pág. A8). Onde fica a cidade de Abelardo Luz?

2) A legenda da foto de menina iraquiana na pág. A9 (Mundo) afirma que ela está a observar um soldado. É isso mesmo? Na imagem publicada, nada o evidencia, pois ela não está olhando para o soldado, que aparece em primeiro plano.

Anos

O sobretítulo do abre de Mundo (‘Acusação de abuso atinge 4.450 padres’, pág. A9) informa que o levantamento se refere a queixas feitas entre 1952 e 2002. Segundo o texto, o período começa em 1950, dois anos antes. No ‘Globo’, o ano de 1952 aparece como sendo aquele a partir do qual se conta o número de padres existentes, a fim de chegar a uma porcentagem dos envolvidos em relação ao total. Qual é a informação correta?

EUA

1) Após citar entre aspas uma nota com elogios dos pais de Alexandra Polier ao pré-candidato democrata, a retranca ‘Suposta amante nega relação com Kerry’ (Mundo, pág. A10) registra que ‘o teor da nota vai na direção oposta dos supostos comentários dos pais contra Kerry, que foram publicados anteontem na imprensa britânica’. OK. Mas faltou dizer que esses mesmos ‘supostos comentários’ foram publicados também pela Folha, na edição de ontem;

2) Faltou expor, entre parênteses, os anos da gestão de Bill Clinton na Casa Branca, no abre ‘Dean perde o seu chefe de campanha’ (pág. A9).

Tempo

O penúltimo parágrafo do abre ‘Mercado já espera queda menor dos juros em 2004’ (Dinheiro, pág. B3) comenta ‘a possibilidade de um terceiro trimestre mais fraco’, quando o texto, claramente, fala do primeiro trimestre (de 2004). A verificar.

Ininteligível

Não dá para entender a citação do advogado da empresa ao comentar a decisão judicial no abre ‘Justiça nega fim da intervenção na Parmalat’ (Dinheiro, pág. B4): ‘Agora é que podemos ver o que vai prevalecer: ou o direito alternativo ou o direito praticado’. Sinceramente, não alcancei…

Didatismo

O texto-legenda ‘Mandando embora’ (Dinheiro, pág. B7), sobre protesto na Argentina, menciona o nome de Eva Perón sem dar nenhuma idéia de quem ela foi ou da época em que viveu.

Aço

A nota ‘No porto’, do Painel SA (pág. B2), informa que será de mais de 7.000 toneladas por ano a produção de uma siderúrgica a ser implantada no Maranhão. Um leitor alerta que esse número parece pouco, correspondente, mais, à produção diária, não anual, de uma siderúrgica desse tipo. A verificar.

Safra

Um leitor contesta a afirmação do abre ‘Preços do álcool têm forte queda em SP’ (Agrofolha, pág. B12) segundo a qual, no final de abril, termina a safra. Segundo ele, no final de abril, começa a nova safra. A verificar.

Serviço

Senti falta de informações práticas sobre compra de ingressos, horários de ensaios de escolas de samba etc—serviço, enfim, para quem quer acompanhar de perto o Carnaval paulistano (Cotidiano, pág. C2). Creio que esse serviço, nesta semana, deveria ser diário.

Roubo

Não fica claro, em ‘Ministro do STF é assaltado em São Paulo’ (Cotidiano, pág. C5), como o crime aconteceu. O carro em que Marco Aurélio estava foi abordado num farol? Ou estava parado por causa do trânsito? Ou não estava parado e foi ‘encostado’ pelos dois homens que estavam na moto? Faltou precisão no relato.

Rivellino

Senti falta de informação ou de ao menos alguma referência sobre o destino do diretor técnico do clube na reportagem ‘Juninho cai e Oliveira deve comandar o Corinthians’ (Esporte, pág. D2). O que vai acontecer com Rivellino?

Estranho

Não tenho como questionar as informações, mas me chamou a atenção o registro, na pág. D1 (Esporte), de que Ronaldo, apesar de ter a mesma altura de Luis Fabiano, pesa dois quilos a menos do que o atacante do São Paulo. Este último tem o corpo franzino, enquanto Ronaldo, como se sabe, já foi várias vezes criticado por estar acima do peso e aparenta ter uma compleição física bem mais ‘carregada’. Sugiro verificar.’

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