Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

De acordo com os números

Por Sobre artigo de Michael Getler em 28/12/2004 na edição 309

A maioria das reclamações que o ombudsman do Washington Post, Michael Getler, recebeu na semana anterior à publicação de sua coluna de 26/12/04 tem a ver com matérias que citavam pesquisas e estatísticas. Uma delas falava da melhora de renda das famílias negras americanas, que hoje teriam salários 47% maiores que em 1967, enquanto que, para os brancos, se registrou apenas 31% aumento. Segundo Getler, apesar de evidenciar alguns aspectos interessantes da questão, o texto usava como exemplo uma família negra residente na Flórida – ou seja, que vive em outra realidade que a dos leitores de Washington –, com renda anual de US$ 60 mil, o que é cerca de um terço a mais do que ganha, em média, uma família branca nos EUA. Assim, muitas pessoas escreveram reclamando que o exemplo era falho, pois não representava um caso típico, mas uma exceção.

No dia seguinte à publicação desta reportagem, saiu, com grande destaque, uma matéria sobre assassinatos de mulheres gestantes ou mães de recém-nascidos. Ela denunciava que o número de casos é surpreendentemente alto nos EUA. Contudo, em meio a uma série de relatos dramáticos, faltaram dados que ligassem os homicídios à condição em que se encontravam as mulheres mortas, ou seja, nada prova que elas tenham sido alvo de violência pelo fato de estarem grávidas ou terem filhos pequenos. Elas poderiam apenas ser vítimas de uma violência que atinge as mulheres e os homens de um modo geral.

Já no caderno esportivo saiu uma pesquisa indicando que 53% dos moradores de Washington são a favor de que o novo estádio de beisebol da equipe dos Nationals seja construído com recursos privados, mesmo que isso implique na possibilidade de o time ir embora dali. O texto que acompanhava a enquete trazia o título ‘Residentes do distrito divididos com relação a financiamento de estádio’, o que, segundo apontaram alguns leitores, não reflete o resultado numérico citado, já que 41% se disseram favoráveis ao uso de recursos públicos para a construção da nova praça esportiva. De fato, uma margem de mais de 10 pontos percentuais é sinal de que uma sólida maioria não quer ver dinheiro de impostos investidos na obra.

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