Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 13 E 14/12

Direto da Redação

16/12/2008 na edição 516

IMPRESSOS EM CRISE
Roberto Porto

O fim da Tribuna Da Imprensa, 10/12

‘Assim como aconteceu com o Diário de Notícias, Diário Carioca, O Jornal, Diário da Noite, A Noite, Correio da Manhã e A Vanguarda – se é que não estou esquecendo mais de um periódico – a combativa Tribuna da Imprensa, da Rua do Lavradio, no Centro do Rio, encerrou a carreira (só está on line no momento). Sei que muitos de seus inimigos mortais estão vibrando. Sei, também, que seus funcionários entraram em férias coletivas e depois serão demitidos. Eu, porém, lamento. E lamento muitíssimo.

Trabalhei dois longos períodos na Tribuna e lá só fiz amigos – exceção feita a Valdir Figueiredo, que morreu sem me explicar a razão de deixar de falar comigo de uma hora para outra.

Trabalhei com Hélio Fernandes, homem tido e havido como de temperamento difícil e irritadiço e jamais, em tempo algum, tivemos um único, escasso e reles desentendimento. De Hélio Fernandes Filho – que quase sempre esteve à frente do jornal – digo a mesmíssima coisa. Fui editor de esportes, por indicação de Argemiro Ferreira, e, depois, editor-chefe, deixando o esporte a cargo do amigo Roberto Assaf.

Contratei muita gente, tive o prazer imenso de chefiar o falecido Arthur Parahyba Dias, e contornei na base da amizade, uma ou duas crises internas. Fui amigo dos fotógrafos, diagramadores, arquivistas, secretárias, telefonistas porteiros e contínuos, sempre prontos a me atender com presteza. Não chorei o fechamento do Correio da Manhã, que foi revivido às custas de empresários na época dos anos de chumbo – cheguei a parar no Dops uma vez sem ter nada a ver com o peixe, porque era apenas e tão somente redator da editoria de esportes. Mas já sonhei – ou tive um pesadelo – com o fechamento da Tribuna , misturando personagens e com uma angústia inacreditável.

Diariamente, enquanto exerci o cargo de editor-chefe, conversava longamente por telefone com Hélio Fernandes. Ele gostava de saber a manchete que eu havia escolhido. E nossa conversa se prolongava quase que por horas a fio, pois Hélio, rigorosamente, sabia de tudo. De tanto ler suas colunas, acabei influenciado por ele em muitas das frases que utilizo aqui no Direto da Redação.

Aconteceu o mesmo quando, por incrível que pareça, chefiei Nélson Rodrigues (1912-1980) na editoria de esportes de O Globo. Os dois, Hélio e Nélson, digo isso sem qualquer sombra de vergonha, me influenciaram na maneira de escrever. Pelo contrário. Tenho orgulho disso.

Certa vez estava em São Paulo – já não me recordo a razão – quando Hélio Fernandes me telefonou dizendo que estava se demitindo do jornal. Retruquei na hora. ‘Se você está se demitindo, eu também me demito e volto para o Rio amanhã…’ Hélio foi curto e grosso: ‘Você não pode se demitir…’ e Simplesmente encerrei a conversa: ‘Nem você…’ E tudo continuou como dantes no quartel de abrantes. Pela Tribuna, acreditem ou não, fiz duas viagens à Europa. A primeira, para cobrir o sorteio da Copa do Mundo de 1990, em Roma. A segunda, para escrever um caderno especial sobre o fim da II Guerra Mundial, percorrendo a Alemanha de fio a pavio.

Sei que vou provocar polêmica ou polêmicas. Mas a Tribuna da Imprensa, acreditem Hélio Fernandes e Hélio Fernandes Filho, viverá para sempre em meu coração. E detalhe: o jornal nunca me deveu um único tostão.

Nota do Editor: A coluna já estava publicada, quando recebemos nota oficial do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, com o seguinte teor:

A edição impressa da Tribuna da Imprensa volta às ruas amanhã, pela primeira vez, desde que teve sua circulação suspensa no último dia 2. O jornalista Helio Fernandes disse que a partir de agora, temporariamente, a Tribuna terá distribuição semanal, sempre na quinta ou na sexta-feira. ‘O jornal não pode morrer’, destacou.’

 

TELEVISÃO / EUA
Leila Cordeiro

Emagrecendo ao vivo na TV, 10/12

‘Oprah Winfrey é considerada a apresentadora de TV mais influente dos Estados Unidos. Tem uma fortuna estimada em 1 bilhão e meio de dólares e sua própria empresa, a Harpo, que produz seu talk-show apresentado diariamente nas tardes da rede CBS. Além disso, Oprah mantém uma instituição na África para meninas carentes e ajudou a eleger Barack Obama com seu prestígio e grande apelo popular. Recentemente anunciou que pretende inaugurar, em 2011, sua própria emissora de TV para competir com as grandes e poderosas dos EUA.

Mas nada disso caiu do céu para Oprah, ela teve uma vida bem difícil na infância e na adolescência. Nascida no Mississippi, ela foi criada pela avó e desde os três anos de idade já queria ser famosa, recitando poemas e fingindo representar como uma atriz de verdade. Aos 13 anos, foi viver com a mãe em Milwaukee e passou pela humilhação de ser estuprada. Envergonhada e apavorada, ela fugiu de casa e acabou presa e levada para uma instituição de menores. De lá, foi para Nashville viver com o pai e aos 17 anos começou a carreira como repórter numa radio da cidade. Daí para o estrelato na TV americana foi um pulo. Lançou-se como a primeira entrevistadora de um talk show numa TV local em Chicago. No cinema, representou Sofia, em ‘A Cor Púrpura’, de Steven Spielberg. O papel lhe deu o Oscar e o Globo de Ouro como atriz coadjuvante.

Hoje Oprah é uma referência no mundo das artes e do entretenimento, um dos maiores fenômenos de comunicação de todos os tempos.

Nesta semana, ela, tão acostumada a falar de suas vitórias, veio a público para admitir um fracasso pessoal . Confessou que depois de perder, em 2004 quase 120 quilos, recuperou quase tudo dizendo-se decepcionada com ela mesma por essa demonstração explícita de falta de força de vontade. Disse que está envergonhada por ter sido tão fraca e vulnerável. Admitiu com humildade que não soube valorizar a oportunidade que teve. Na época do regime, contou com a ajuda de uma junta médica que além de fazê-la ficar dentro de seu peso ideal, ajudou-a a mudar seu estilo de vida. Corria e fazia tanto exercício diariamente que chegou a participar de uma maratona. Pensou que nunca mais teria problemas de peso.

O tempo passou e Oprah , que se declara ‘viciada’ em comida, voltou a comer de tudo e os indesejáveis quilinhos voltaram com toda força. Agora, ela está tentando, mais uma vez, entrar em forma, talvez com os pés mais no chão, tendo a certeza de que obesidade é doença e quem tem tendência para engordar precisa se controlar sempre para não cair nunca em tentação. AH! Como é difícil!

Mas Oprah não é a única que sofre o ‘efeito sanfona’, pessoas que engordam e emagrecem o tempo todo, sem controle. Na verdade, são milhões de pessoas no mundo que sofrem hoje do mesmo mal. Para elas, emagrecer é um verdadeiro sacrifício, um esforço que leva meses, anos até. Mas para ‘inflar’ a silhueta é rápido, em apenas poucas semanas.

Ao expor publicamente seu vício por comida, Oprah transformou em notícia sua própria fraqueza. Ela admite que está obesa e promete vencer a doença no vídeo, com os telespectadores acompanhando diariamente sua luta contra a balança. Uma maneira inteligente de fazer regime para emagrecer e manter (ou crescer) a audiência de seu show diário.’

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