Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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VOZ DOS OUVIDORES >

Um erro não justifica o outro

20/03/2012 na edição 686

Leitores geralmente escrevem para o ombudsman do Washington Post, Patrick B. Pexton [16/3/12], para acusar colunistas do diário de entender de maneira errada os fatos. A maior parte dos leitores compreende que colunistas não são repórteres e têm liberdade para expressar seus pontos de vista, mas argumenta que eles devem respeitar a ética jornalística, e não podem distorcer fatos para que se adequem a suas opiniões.

Pexton concorda, e por isso ficou feliz ao ver que a colunista de humor Alexandra Petri pediu desculpas a Rush Limbaugh depois de ter feito piada com o comentarista conservador. O sempre controverso Limbaugh vinha perdendo anunciantes em seu programa de rádio depois de chamar a estudante de direito Sandra Fluke, de Georgetown, de “vadia” e “prostituta”, porque ela defendeu que empresas que oferecem seguro de saúde a seus funcionários – inclusive instituições religiosas, como universidades e hospitais – ofereçam também cuidados contraceptivos gratuitos. Diante deste cenário, uma matéria no site Politico afirmava que o comentarista começaria a aceitar anúncios de sites de reputação questionável, como aqueles que estimulam pessoas casadas a trair seus parceiros. Alexandra escreveu em sua coluna que um homem pode ser julgado por suas companhias.

Informações erradas

A verdade, no entanto, é que Limbaugh não aceitou anúncios destes sites. A matéria do Politico estava errada. Alexandra admitiu ao ombudsman que agiu apressadamente, como muitos jornalistas fazem na era digital. Ela leu a matéria no site e achou que as informações eram verdadeiras. “Sempre apuro os fatos. O fato de eu tentar ser engraçada não me absolve da obrigação de ter as informações corretas”, disse. O ombudsman concorda.

Limbaugh não deixou barato. Em sua críticaa Alexandra, no rádio, ele foi rude, grosseiro e bombástico – o que não é novidade. Curiosamente, o comentarista também divulgou informações erradas: chamou a coluna de Alexandra de “matéria jornalística” e ela, de repórter. Horas depois, Alexandra escreveu uma colunadesculpando-se pelo erro, usando um pouco de humor – o que Pexton não faria, pois acredita que correções devem ser sóbrias. De qualquer forma, ela estava reagindo não só às grosserias de Limbaugh, mas a mensagens agressivas enviadas pelos fãs deles. Pexton conta que também recebeu algumas delas.

O ombudsman defende que os jornalistas do Post devem ser o oposto de Limbaugh. O fato dele xingar e basear seus argumentos em insultos é um bom motivo para que o diário não dê combustível. “Rush Limbaugh é muitas coisas”, diz Pexton, “mas não é jornalista”.

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