Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

VOZ DOS OUVIDORES >  THE WASHINGTON POST

Romney vs. Post: terceirização e controvérsias

03/07/2012 na edição 701
Sobre artigo de Patrick B. Pexton [29/6/12], de Washington (EUA). Tradução e edição: Leticia Nunes

A campanha de Mitt Romney, pré-candidato republicano à presidência dos EUA, não tem gostado nada da cobertura política do Washington Post. No fim de abril, o ombudsman do diário, Patrick Pexton, escreveu uma coluna afirmando que estava na hora de se olhar mais atentamente para Romney – e tentar entender que tipo de líder ele poderá ser. Segundo o ombudsman, não havia nos arquivos do Post muitas matérias do período em que Romney foi governador – seja até 2007; em 2008, quando disputou pela primeira vez a candidatura presidencial do Partido Republicano; ou durante as primárias deste ano.

Agora, parece que o jornal passou a prestar mais atenção no candidato, mas sua campanha não tem considerado a cobertura justa. Na semana passada, a coluna de Pexton foi novamente sobre Romney. Desta vez, a porta-voz da campanha havia enviado um email para o ombudsman criticando uma matéria sobre a política energética do republicano.

Ainda na semana passada, líderes da campanha de Romney se irritaram com outra matéria: publicado em 21/6, o texto dizia que a empresa de private equity Bain Capital, fundada por Romney, havia investido em empresas especializadas em terceirizar empregos americanos para outros países. Eles exigiam uma retratação do jornal e chegaram a visitar a redação para conversar com o editor-executivo Marcus Brauchli.

Em mais uma coluna focada em Romney, esta semana o ombudsman faz uma análise sobre o controverso artigo. A Bain Capital, diz ele, não produz nada, e sim investe; descobre tendências, procura companhias promissoras, e investe nestas companhias, ajudando-as a crescer. Um dos setores em que a Bain investiu durante os anos 90 era o de novas empresas especializadas em ajudar fabricantes de produtos tecnológicos a terceirizar empregos que não eram centrais para as operações nos EUA.

A Microsoft é um exemplo: para focar no desenvolvimento de software, não queria se preocupar com áreas periféricas, mas importantes, como montagem, embalagens, testes de produtos e call center. No início, a Microsoft terceirizou estes cargos para empresas americanas que instalaram estas funções em áreas mais afastadas e baratas dos EUA. Mais tarde, os empregos acabaram indo quase todos para outros países, onde a mão de obra era ainda mais barata.

Tendência

A Bain investiu nestas empresas que ajudavam outras empresas, como a Microsoft, com a terceirização de serviços. Isso significa que Mitt Romney mandou empregos para o exterior?, questiona Pexton. Não exatamente. Assim como não significa que a Bain Capital deu início ao movimento de exportação de empregos. Mas, acredita o ombudsman, a firma pode ter ajudado a facilitar e alimentar esta tendência.

A matéria do Post não dizia com todas as letras que Romney havia enviado empregos ao exterior – mas as indicações estavam lá. O texto dizia que a Bain Capital “investiu em uma série de empresas que se especializaram em realocar empregos preenchidos por trabalhadores americanos para novas instalações em países de mão de obra barata como China e Índia”. E estas companhias eram “pioneiras na prática de enviar empregos dos EUA para call centers e fábricas que produziam peças de computador no exterior”.

A campanha de Romney não concordou com os trechos “realocar empregos preenchidos por trabalhadores americanos” e “enviar empregos dos EUA”. Eles dizem que nenhum emprego americano foi terceirizado por estas companhias durante o período em que Romney comandava a firma, que terminou em 1999, e alegam que o que aconteceu depois que o político saiu é irrelevante para avaliá-lo como candidato à presidência.

Investimentos estratégicos

A campanha apresentou ao jornal diversos dados mostrando que no fim da década de 90 a terceirização estava ocorrendo dentro dos EUA com trabalhadores americanos, e que os call centers e fábricas estrangeiros montados pelas empresas americanas usavam mão de obra local para atender a consumidores de outros países – um call center no Japão, por exemplo, usava funcionários japoneses para atender compradores japoneses de softwares americanos.

“Então Romney pode não ter feito nada pessoalmente para enviar empregos americanos para o exterior antes de deixar a Bain, em 1999, e a tendência da exportação de empregos acelerou depois que ele saiu”, diz Pexton. “Mas a Bain, conscientemente, fez investimentos estratégicos, com Romney no comando, nestas firmas pioneiras em terceirização no fim da década de 90, que cresceram e se tornaram algumas das maiores empresas de terceirização do mundo. E Romney e a Bain compartilharam seus lucros enquanto ele era executivo-chefe e depois que saiu. Se isso é bom ou ruim, depende de sua política”.

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