Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

VOZ DOS OUVIDORES > AGÊNCIA BRASIL

Regina Lima

17/07/2012 na edição 703
“Prestando contas”, copyright Agência Brasil, Brasília (DF), 16/7/12

Uma das reclamações mais apontadas nas demandas encaminhadas à ouvidoria pelos leitores da Agência Brasil diz respeito a erros, imprecisões e informações erradas [1]. Ao longo do primeiro semestre deste ano, a ouvidoria recebeu um total de 178 manifestações referentes à Agência Brasil. Deste quantitativo, 123 manifestações foram reclamações; cinco elogios; 18 sugestões; 20 comentários e 12 pedidos de informações.

Embora os elogios sejam estimulantes em qualquer atividade, são as críticas, no entanto, que possibilitam o reconhecimento dos pontos que requerem um maior investimento de qualidade, que é a função da ouvidoria, quando dá relevo às críticas. Neste sentido, nosso destaque vai para as 123 reclamações que chegaram à ouvidoria neste semestre, das quais 57 foram sobre erros de informação. Dessas 57, a Diretoria de Jornalismo corrigiu 40, que tratavam de mudanças pontuais como correção de erros de ortografia e gramática, erros em nomes de pessoas e de localidades, números e cifras. Apesar de ter corrigido 70% das reclamações feitas pelos leitores, ainda permanecem sem respostas 21% das reclamações, ou seja, 12 manifestações, sendo que uma delas foi pauta na coluna da ouvidoria Notícias e novidades na educação do campo, publicada no dia 16 de abril de 2012 [1].

Nessa coluna, a ouvidoria deu visibilidade à manifestação do leitor Celso Vallin, professor da Universidade Federal de Lavras (MG), que reclamou da notícia publicada na Agência Brasil no dia 18 de março que tratava do lançamento do Programa Nacional de Educação no Campo (Procampo), pela presidente Dilma Rousseff. Ele questionou a informação ao ressaltar que o programa Escola Ativa já havia produzido e distribuído material didático diferenciado para as escolas do campo, bem como um kit com esqueleto, globo terrestre e outros materiais. Logo, segundo ele, não procede à informação veiculada na matéria que diz em determinado trecho: “Entre as ações previstas está a produção de material didático específico para as escolas rurais, que abordem os temas da realidade do campo. Até este ano, os estudantes recebiam os mesmos livros que eram enviados ao restante do país”.

Das cinco manifestações restantes, em duas a Diretoria de Jornalismo agradeceu a participação, mas não fez nenhuma alteração e três foram consideradas improcedentes, mesmo assim a diretoria respondeu aos demandantes. Esse foi o caso, por exemplo, da leitora Ana Cleide Araújo de Melo, de Alagoas, Maceió, que reclamava que a tabela do salário família no site da Previdência Social estava errada. Segundo ela, o valor de R$ 608,80 é inferior ao valor do mínimo de R$ 622, ou seja, nenhum trabalhador que recebe o salário terá direito à cota de R$ 31,22, por filho, todos irão receber R$ 22 por filho. "Acho que foi engano, por isso peço que verifiquem."

A Diretoria de Jornalismo respondeu: "Sobre a matéria que trata do reajuste dos benefícios da Previdência, estamos em contato com a assessoria de imprensa do ministério. Eles confirmaram os dados e explicaram que, no caso específico do salário-família, a fixação dos valores, que ocorre em todo início do ano, não está vinculada ao salário mínimo e sim à variação do INPC (que foi bem menor). Perguntamos se há uma tabela específica para esse caso, como a dos descontos previdenciários. Eles disseram que não, porque existem apenas dois níveis, como está na matéria. Sugerimos à leitora que entre no site da Previdência (http://www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=25) ou fale com a assessoria do ministério ((61)2021-5000 – esse é o número geral, basta pedir a assessoria de imprensa)."

Se de um lado as manifestações dos leitores revelam que o erro ou imprecisão de informação ainda é um dos principais sintomas de que o processo de produção da notícia tem problemas, em alguns casos estruturais e, em outros funcionais, ou em ambos, contribuindo para que uma informação errada chegue ao público, de outro, tem fornecido elementos para que a ABr avalie os processos de produção das notícias em suas diferentes etapas e proceda as correções necessárias nos rumos da comunicação pública que queremos implantar neste país.

Como evitar que erros dessa natureza ocorram? Primeiro é necessário que o jornalista faça a checagem de todas as informações que chegam à redação, tarefa que na maioria das vezes, por falta de tempo, não consegue realizar, satisfazendo-se apenas com a leitura das notas divulgadas pelas assessorias de imprensa das instituições. Sem esquecer que o tempo e os recursos de que o jornalista dispõe para fazer a apuração e checagem das informações podem agir tanto a seu favor (agilidade na divulgação da notícia) quanto serem contrários à qualidade de seu trabalho, se forem exíguos. Para prevenir-se desse tipo de “armadilha”, pelas quais os profissionais do jornalismo são frequentemente surpreendidos, somente um processo sistemático de verificação da consistência, da lógica e da veracidade das informações, antes de publicá-las, pode minimizar os danos causados à qualidade da notícia e consequentemente, à credibilidade do veículo.

Entretanto, reconhecer e corrigir o erro demonstram a credibilidade e o compromisso da ABr com a correção da informação que transmite. Sem contar que a correção revela a participação do público do veículo fazendo a leitura crítica do seu conteúdo e contribuindo para a qualidade da informação. Neste caso, citamos duas de algumas situações em que a Agência Brasil reconhece o erro. Uma foi veiculada no dia 6 de janeiro deste ano Agência Brasil reconhece erro em notícia sobre mortes no Pinheirinho e outra no dia 17 também de janeiro deste ano Agência Brasil errou, em que consta a seguinte nota: "A matéria 'Brasil sem Miséria já tem mais de 800 mil pessoas cadastradas em todo o país, diz ministra', publicada às 14h43, foi retirada da página por conter erros de informação e será substituída por outra".

Por isso, é muito importante que a ouvidoria, a partir das demandas recebidas, verificada sua pertinência, inicie um longo caminho de volta, desconstruindo a notícia para chegar à origem das informações e analisar o processo de produção da informação em termos de conceitos, rotinas, fluxos e procedimentos, para saber onde estavam as possíveis falhas e recomendar possíveis soluções. A decisão de acatar a reclamação é uma decisão política dos gestores, não cabendo à ouvidoria exercer nenhuma interferência sobre ela. Entretanto, se há algum problema, ele deve ser identificado como uma falha no processo de produção da informação e nunca nas pessoas que a produzem por entendermos que a personificação de erros e a busca por culpados não leva ao aperfeiçoamento dos processos. No fazer jornalístico, a responsabilidade editorial é do veículo como um todo institucional e não isoladamente das pessoas que nele trabalham.

Boa leitura.

1. [http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-04-16/coluna-da-ouvidoria-noticias-e-novidades-na-educacao-do-campo].

2. A Ouvidoria já tratou deste assunto em algumas colunas publicadas em 2011. http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-07-29/coluna-do-ouvidor-inconsistencia-das-informacoes. http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-24/coluna-do-ouvidor-numeros-contestados

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