Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

VOZ DOS OUVIDORES > THE NEW YORK TIMES

Por um debate de alto nível na campanha presidencial

31/07/2012 na edição 705
Sobre artigo de Arthur S. Brisbane, de Nova York (EUA)

Richard W. Stevenson, editor de política do New York Times, sugeriu, em um artigo publicado no dia 10/6, que a eleição presidencial de 2012 estaria se modelando como mais importante do que a de 2008, quando Barack Obama chegou à Casa Branca. O motivo, segundo ele, é o fato de os eleitores terem que escolher entre “dois caminhos completamente diferentes” sobre políticas vitais em relação a tamanho do governo, reforma da Previdência Social, saúde, regulamentação bancária, mudanças climáticas, dentre outros temas cruciais. Mas um mês depois, Peter Baker, repórter que cobre a Casa Branca para o jornal, escreveu que os candidatos estavam mais interessados em discutir cada imperfeição no histórico do rival do que em falar sobre suas visões para o futuro.

Para o NYTimes, uma campanha que deveria estar oferecendo aos eleitores escolhas claras transformou-se em um exercício de ataque e contra-ataque. Isto representa um problema para o jornal, procurado por muitos leitores pela cobertura com temas substanciais. Se há uma organização de notícias com capacidade para forçar mais conteúdo na campanha presidencial, é o NYTimes, defende, em sua coluna [29/7/12], o ombudsman Arthur S. Brisbane. “Mas há desejo em fazê-lo?”, indaga.

Presença constante

Alguns argumentam que esta obrigação é cada vez mais premente. “Para o NYTimes, a pressão é maior na medida em que jornais e redações de todo o país encolhem”, avalia Tom Rosenstiel, que lidera o Projeto para Excelência em Jornalismo, do Pew Research Center. É importante notar, entretanto, que o jornalão também enfrenta uma pressão crescente para ir fundo no “diálogo do momento”. O jornal compete vigorosamente por leitores diante de novos canais digitais, como sites de notícias, blogs e redes sociais como Facebook e Twitter. Os repórteres ficam ocupados com atualizações constantes. O aplicativo para iPhone do NYTimes, Election 2012, publica matérias do jornal e também agrega posts de usuários do Twitter e de outros sites.

Em entrevistas com editores e especialistas, o ombudsman observou um consenso de que é importante esta presença minuto a minuto, mas é preciso reservar recursos para análises mais profundas em relação a temas-chave, candidatos, financiamento de campanha e publicidade. Para Stevenson, a pergunta que deve ser constantemente feita é: “Estamos realmente agregando valor para o leitor sofisticado do NYTimes?”. Ele observou que, a cada quatro anos, os candidatos encontram um modo de simplificar o debate, reduzindo temas importantes à retórica – processo que contraria os padrões de jornalismo do NYTimes. “Repórteres políticos precisam encontrar uma maneira de quebrar isto e definir a pauta” para não cair na agenda política dos candidatos.

Aprofundando a conversa

Na semana passada, o jornalão lançou o blog The Agenda, um projeto de cobertura de campanha que, para o ombudsman, demonstrará se o NYTimes tem poder para elevar o debate político no país. Por meio da iniciativa, cinco colunistas — David Leonhardt, Tara Parker-Pope, Scott Shane, John M. Broder e David D. Kirkpatrick — escreverão posts sobre temas como enfraquecimento da classe média, os altos custos dos planos de saúde, o equilíbrio da segurança nacional e das liberdades civis após o 11/9, mudanças climáticas, a Primavera Árabe e o crescimento do Islã. A novidade é que o diário planeja inserir, em cada tema, posts mostrando os pontos de vista dos leitores do site e das mídias sociais, transformando-os em uma análise impressa que refletirá não só as visões do jornal, mas também as de sua audiência.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem