Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 6/8

Em noite de futebol, debate da Band tem audiência baixa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 06/08/2010 na edição 601


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 6 de agosto de 2010


 


ELEIÇÕES 2010


Polarização Serra-Dilma marca o primeiro debate


No primeiro confronto na TV da campanha à Presidência da República, os dois candidatos que ocupam a dianteira nas pesquisas, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), polarizaram ontem o debate da Band. Apesar do embate direto, ambos não tocaram em temas espinhosos da campanha.


O tucano adotou tom mais duro, mas evitou citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado, a petista explorou realizações do governo petista e insistiu numa comparação entre a atual gestão e a de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).


Serra protestou: ‘Não devemos fazer campanha com o olho no retrovisor’. Na réplica, ela devolveu: ‘Acho muito confortável que a gente esqueça o passado, mas não acho prudente’.


Marina Silva (PV) apostou em se apresentar como ‘terceira via’. Lembrou do passado no PT e disse hoje ser ‘capaz de esquecer as divergências que muitas vezes são da oposição pela oposição’.


Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) fez o papel de provocador e foi quem mais gerou reações da plateia, com seu tom irônico.


No início do debate, a petista demonstrou nervosismo, estourou várias vezes seu tempo e teve o microfone cortado. No intervalo, foi alertada pelo marqueteiro João Santana a responder olhando para as câmeras -apareceu várias vezes de lado- e se soltou um pouco.


Serra também deu sinais de irritação ao longo do debate, caminhando com os braços cruzados, bufando e fazendo careta ao ouvi-la. Assim como Dilma, extrapolou seguidas vezes o tempo.


O tucano direcionou o embate para os gargalos de infraestrutura em aeroportos, estradas e portos.


Dilma citou índices recordes de geração de emprego, segundo ela de 14 milhões de carteiras assinadas, e programas com alto índice de aprovação, como o Bolsa Família.


Os dois se confrontaram com propostas na saúde. Serra criticou a interrupção dos mutirões. Dilma disse que eles eram emergenciais.


Na sequência, Serra tentou emparedá-la questionando sobre o que chamou de ‘crueldade’ do governo com as Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).


Surpreendida, ela só retomou o tema no final do bloco para dizer que as entidades seriam abastecidas pelo Fundeb (fundo de educação do ensino básico).


Nas considerações finais, tanto Serra quanto Dilma se mostraram emocionados e embargaram a voz. O tucano citou a filha, Verônica, os ‘pais modestos’ e falou da biografia. A petista enalteceu a passagem pela Casa Civil, disse que sua candidatura não é um ‘projeto pessoal’ e concluiu afirmando que ‘as mulheres’ estão preparadas para a Presidência.


Segundo o último Datafolha, Serra aparece com 37% das intenções de voto contra 36% de Dilma. Marina tem 10%. Plínio marca 1%.


 


 


Debate teve só 3 pontos de audiência


A média do debate, segundo estimativa a partir de números prévios do Ibope, ficou em três pontos (cada ponto representa 60 mil domicílios na Grande SP).


No início do penúltimo bloco, a Band chegou a ficar em penúltimo lugar no ranking das TVs, com apenas um ponto. O pico foi às 22h56, com cinco pontos.


 


 


Fábio Zambeli


‘JN’ reduziu aparição de Lula, diz petista


O coordenador de mídias sociais da campanha de Dilma Rousseff (PT), Marcelo Branco, deflagrou movimento na internet para protestar contra a Rede Globo por considerar que a emissora reduziu aparições do presidente Lula no ‘Jornal Nacional’. Ele se ampara em levantamento feito pelo jornalista Émerson Luís, de Brasília, que mapeou a exposição de Lula em telejornais no primeiro semestre.


Branco usou seu Twitter para difundir o estudo e a mensagem ganhou as páginas de militantes. ‘Lula não é candidato. Portanto, se a Globo quiser tirar a cobertura e a voz dele, pode fazer. No entanto, eu achei importante tornar pública essa informação’, disse Branco à Folha, frisando que a manifestação é ‘pessoal’.


Pelo mapeamento, Lula teria aparecido 20% menos nas edições do ‘JN’ deste ano em comparação com o mesmo período de 2009 -44 registros contra 57. Movimento inverso seria verificado nos telejornais da Record, do SBT e da Band.


Em nota, a Central Globo de Comunicação creditou a eventual subexposição de Lula, ‘tomando o estudo como verdadeiro’, a eventos como a Copa do Mundo e negou que haja orientação editorial para abreviar a presença do presidente.


‘O presidente Lula continuará a merecer a cobertura que o cargo requer. O mesmo ocorrerá com os candidatos, protagonistas da eleição presidencial’, diz a nota.


VISITA


O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, foi recebido ontem por Lula, em Brasília. Oficialmente, a situação da economia brasileira foi o tema do encontro reservado.


Na saída da reunião, Marinho disse a jornalistas que, indagado por Lula sobre a análise fazia da economia brasileira, respondeu que ‘vai bem’, mas que a política fiscal do governo ‘causa preocupação’.


‘Acho que nosso jornal está falando isso todo dia. Nossa visão tem estado diariamente em ‘O Globo’, disse. Segundo Marinho, Lula não concordou nem discordou da visão. Os dois também falaram das eleições. ‘Ele falou sobre a campanha, a candidatura da ministra, e que ele está muito otimista.’


Colaborou FÁBIO AMATO, de Brasília


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Ashtiani quer asilo


Com foto no alto da home da CNN, o correspondente na Turquia destacou que ‘seu filho falou que ela agradeceu ao presidente do Brasil, Lula da Silva, por sua oferta de asilo, para ajudar que escape da pena de morte por apedrejamento’. E ‘disse que aceitaria, se fosse permitida’. Mas um de seus advogados falou que a Justiça iraniana decidiu seguir com a execução e só ‘o método ainda não foi determinado’.


Outro advogado de Sakineh Ashtiani fugiu e pediu asilo na Turquia, cujo governo informou ao canal de notícias que ele não será extraditado ao Irã.


Diplomacia? Obama chamou jornalistas para falar do Irã e, no destaque de David Ignatius, ontem do ‘Washington Post’, ‘ofereceu abertura para negociação’. Mas outro colunista do ‘WP’, Robert Kagan, escreve hoje que Obama ‘não indicou nova chance para diplomacia’, só sua crença nas sanções. Ele ‘explicou em detalhe por que o acordo de Turquia e Brasil não abriu’ novo caminho, dizendo que o regime iraniano é ‘ideologicamente comprometido’ em fazer a bomba.


Lula vs. Farc Submanchete na Folha.com, ‘Em relatório, EUA elogiam Brasil no combate ao terrorismo’. Para o Departamento de Estado, Lula ‘tem sido crítico do uso de violência pelas Farc e publicamente pediu ao grupo para pôr fim à violência’. Sua estratégia antiterror ‘consistiu em impedir terroristas de usar o território para ataques ou levantar recursos’, com PF e Abin trabalhando em conjunto com os EUA. Mas Washington ‘permanece preocupada com a Tríplice Fronteira’.


EUA AMEAÇAM


De Washington, a Reuters despachou ‘Exclusivo: Briga entre EUA e Brasil ameaça comércio’. Cita ‘fontes familiarizadas’ para dizer que o problema surgiu quando Lula e a secretária de Estado, Hillary Clinton, discordaram nas sanções ao Irã. Ouve deputados dos EUA para alertar que estão sob risco as ‘preferências’ do Brasil no comércio e uma eventual redução na tarifa sobre etanol.


E cita Arturo Valenzuela, subsecretário de Estado para América Latina, que porém negou ‘repercussões comerciais’ pelo ‘nosso desapontamento’. Por fim, a agência registra que, ‘se a eleita for Dilma’, ela deve manter o ‘problema’.


Abençoada Sob o título ‘A América Latina é abençoada’, a coluna de mercados de crédito do ‘Wall Street Journal’ publicou que a região ‘pode ver novas melhorias de nota de crédito até o final de 2010’. Cita relatório da Moody’s. E exemplifica com o Brasil, que vem levantando capital no exterior com juro ‘baixo recorde’.


Sobrevalorizada No mesmo ‘WSJ’, ‘FMI elogia a robusta política do Brasil em 2010’, em novo relatório que saúda os esforços atuais para diminuir o estímulo.


Já a Reuters destacou ‘Real brasileiro ‘parece sobrevalorizado’, diz FMI’. O Fundo pediu ‘soluções de longo prazo para frear o fluxo de capital externo’.


‘LEVIATÃ S/A’


A liberal ‘Economist’ dá capa para uma nova crítica à presença do Estado na economia. Destaca como, ‘de Berlim a Bruxelas, a cobrança por política industrial está de volta’ na Europa, o que já se reproduz no ‘novo governo do Japão’ e também nos EUA, onde Obama, ‘o dono de fato da GM’, põe em andamento uma ‘iniciativa para indústrias estratégicas’.


A revista entende que ‘os políticos ocidentais não têm como não se deixar influenciar pelo sucesso de emergentes como Brasil, Índia e China, onde um grande papel para o Estado parece está produzindo maravilhas’. Mas questiona que tal sucesso se deva só ao Estado. Em texto à parte, pergunta no enunciado, sobre o crédito do BNDES: ‘Ovo no ninho ou ovo da serpente?’ -esta última, uma expressão que ouviu de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC.


 


 


MÍDIA E POLÍTICA


Elvira Lobato


TV dos sindicalistas emperra na Câmara


Emperrou na Câmara dos Deputados o processo para a concessão do segundo canal de televisão educativa ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC -o canal 45, em São Caetano do Sul-, que foi autorizado pelo presidente Lula, em maio do ano passado.


Ele estenderia a 70% da região metropolitana de São Paulo o sinal da TV dos Trabalhadores, que será inaugurada no dia 23, pelo canal 46, de Mogi das Cruzes. Lula deve ser a principal estrela da festa de inauguração.


O canal de Mogi -que também foi concedido pelo presidente Lula, em 2005- só pode ser captado naquele município. Por isso Lula, que construiu sua carreira política a partir do sindicato, autorizou o segundo canal.


Na gestão de Lula, os metalúrgicos do ABC receberam duas rádios FM educativas: uma em São Vicente, no litoral paulista, em 2007, e a outra em Mogi das Cruzes, em abril de 2009. As concessões são em nome da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, mantida pelo sindicato.


DOIS DONOS


O processo do segundo canal de TV está há um ano na Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática da Câmara, porque constatou-se que o canal foi entregue, há 20 anos, à Sociedade de Teleeducação Comunitária São Caetano, que retransmite a Rede Brasil de Televisão.


O relator do processo na comissão é o deputado Celso Russomanno, candidato do PP ao governo de São Paulo.


‘A concessão dada ao sindicato foi um erro’, diz Russomanno, que até o início da campanha tinha um programa na Rede Brasil. Ele diz que não vê conflito de interesse ao relatar o caso, pois a empresa teria provado direito adquirido sobre o canal.


Ele disse que, se o governo não criar um novo canal para resolver o impasse, seu relatório será contrário à concessão ao sindicato.


No cadastro da Anatel, o canal está em nome da retransmissora da Rede Brasil. Segundo um executivo da agência reguladora, o governo busca uma solução para o problema, mas não é simples criar um novo canal em São Paulo, por causa do congestionamento das frequências.


PARCERIA


O sindicato fez um acordo com a Rede NGT (emissora educativa) para transmitir a programação da TV dos Trabalhadores para São Paulo, pelo canal 48.


A TV terá uma hora e meia diária de programação própria. O restante da grade será ocupada com programação gerada pela TV Brasil, do governo federal.


O sindicato diz ter investido R$ 1 milhão em sua emissora, que terá 70 empregados e uma folha salarial estimada de R$ 400 mil por mês.


 


 


Sindicato diz que tem direito a uma emissora


Em artigo na internet, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, diz que o sindicato representa 100 mil trabalhadores e tem direito a uma emissora.


Ele diz que a TV é fruto de 23 anos de reivindicação e de luta contra interesses políticos, e que as críticas ao fato de o canal ter sido concedido por Lula ‘só escancaram o preconceito contra a classe trabalhadora no Brasil’.


Em 1987, como deputado, Lula fez o primeiro pedido de concessão da TV ao então ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães. E, como presidente, assinou a concessão do canal, em 2005.


Segundo Nobre, nesse meio tempo o sindicato disputou quatro concorrências e foi preterido em todas, mesmo cumprindo os requisitos legais.


 


 


VENEZUELA


Flávia Marreiro


Caracas restringe observadores eleitorais


Os observadores internacionais que acompanharão as eleições legislativas de setembro na Venezuela farão seu trabalho sob um rígido regulamento: terão de entregar um plano prévio de ação, não poderão falar à imprensa no dia da votação e seu informe final será confidencial.


As regras foram divulgadas ontem pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral), que anunciou ter convidado a ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) para o processo.


Para a relatora para a Liberdade de Expressão da Comissão de Direitos Humanos da OEA, Catalina Botero, o texto ‘afeta de maneira grave’ a liberdade de expressão e o acesso à informação.


Ela afirmou que a legislação é única na região. ‘As declarações dos observadores são fundamentais porque contribuem para a credibilidade e legitimidade das eleições’, disse Botero à Folha.


Nas legislativas, a meta do governo Hugo Chávez é manter a maioria qualificada da Assembleia Nacional num momento em que o país está em recessão. Como a oposição boicotou a votação de 2005, hoje apenas dez parlamentares, dissidentes do chavismo, são opositores.


Alejandra Barrios, da colombiana Missão de Observação Eleitoral e secretária-executiva do Acordo de Lima, que reúne observadores eleitorais de 17 países, chamou o texto de ‘mordaça’.


O texto do CNE, disponível em www.cne.gov.ve, fala que o órgão ‘determinará a oportunidade e condições’ para divulgá-lo.


 


 


ASSINATURA


Julio Wiziack


TV paga perde disputa com teles e pede indenização


As empresas de TV paga que operam com micro-ondas (MMDS) sofreram ontem um golpe da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e pedem indenização. Muitas poderão deixar de existir, segundo a associação que representa o setor.


Até ontem, essas operadoras veiculavam os canais de televisão em faixas de frequência que totalizavam 190 MHz. As frequências são as ‘avenidas’ por onde as operadoras enviam seus sinais (áudio, dados e imagens).


A partir de agora, elas terão de prestar seu serviço em uma faixa de 70 MHz, uma redução de 63%. A diferença, 120 MHz, será destinada futuramente às teles móveis, que migrarão da atual tecnologia 3G (terceira geração) para a 4G (quarta geração).


No próximo ano, já estará pronto o edital da Anatel para a compra dessa frequência retirada do MMDS.


As operadoras de TV queriam que a agência obrigasse as operadoras de celular que adquirirem essa fatia a pagar, além do valor da frequência, uma indenização às empresas que cederam essa faixa de frequência.


A agência não concordou. Em contrapartida, disponibilizou faixas de frequências mais elevadas (25 GHz, 37 GHz e 38 GHz) caso as operadoras de TV quisessem migrar de faixa. Só nesse caso, a taxa de transferência cobrada pela agência será paga por terceiros.


Outra compensação dada pela agência foi a liberação para que as empresas de TV possam oferecer serviços de internet, telefonia fixa e celular dentro dos 70 MHz.


A oferta de internet via micro-ondas era uma reivindicação antiga dessas operadoras. Na negociação com a Anatel, ocorrida nos últimos dias, a liberação do serviço tornou-se uma exigência.


Desde julho do ano passado, a Neotec (associação que reúne as TVs por MMDS) defendia a manutenção de 110 MHz e aceitava ceder 80 MHz às teles móveis. A agência sinalizou que elas ficariam com 90 MHz.


A justificativa para essa distribuição foi o crescimento explosivo da internet 3G (terceira geração). Sem novas frequências, as teles móveis dizem que correriam o risco de colapso em suas redes de dados.


E EU COM ISSO?


Carlos André de Albuquerque, presidente da Neotec, acredita que os consumidores podem ser prejudicados.


Isso porque empresas de pequeno porte terão dificuldade de continuar oferecendo a quantidade atual de canais numa faixa de frequência reduzida. ‘Há chances até de que algumas delas deixem de existir’, diz.


Outras operadoras de maior porte poderão ter de reduzir o número de canais para começar a vender internet em banda larga.


 


 


INTERNET


Google quer acordo de prioridade na web


Google e Verizon estão próximos de um acordo que pode permitir que a segunda acelere a chegada de conteúdo de internet para alguns usuários, se os criadores desse material estiverem dispostos a pagar pelo privilégio.


O custo poderia ser bancado pelas empresas -por exemplo, o YouTube- à Verizon, um dos maiores provedores de acesso à web nos EUA, para garantir que seu conteúdo receba prioridade no caminho até os usuários.


O acordo poderia também resultar em custos mais altos para os usuários.


Esse acerto, se concretizado, derrubaria um preceito até recentemente visto como sagrado na internet, a chamada neutralidade da rede, sob o qual nenhum conteúdo teria preferência sobre outro.


Em lugar disso, os consumidores podem em breve ter de conviver com um novo sistema escalonado, como o da TV a cabo, que imporia custos mais altos por níveis mais elevados de serviço.


Tanto o Google como a Verizon negaram as negociações. ‘Continuamos comprometidos como sempre com a internet aberta’, afirmou, em comunicado, um porta-voz do Google.


Pessoas familiarizadas com as negociações disseram que um acordo pode ser fechado na semana que vem.


Se isso ocorrer, o Google, cujo sistema Android aciona muitos dos celulares vendidos pela Verizon, aceitaria não contestar o direito da Verizon de administrar sua rede de internet banda larga da maneira que preferir.


CONSUMIDORES


Em questão, para os consumidores, está a maneira como os provedores direcionarão o tráfego em seus sistemas e com que rapidez os usuários poderão ganhar acesso a determinadas formas de conteúdo on-line.


Os consumidores podem também ficar sujeitos a aumentos constantes nos preços da internet, mais ou menos como aconteceu no caso da TV a cabo nos EUA. A perspectiva de um acordo enfurece muitos grupos defensores dos consumidores, que sentem que ele concentraria em algumas poucas grandes empresas o controle do que até o momento vem sendo um sistema livre e aberto de internet, no qual os consumidores decidem quais firmas fazem sucesso.


‘O destino de internet é assunto importante demais para que seja decidido em negociações envolvendo apenas duas empresas, mesmo empresas tão grandes quanto a Verizon e o Google’, disse Gigi Sohn, presidente e fundadora da Public Knowledge, organização de defesa ao consumidor.


NEUTRALIDADE


Nas últimas semanas, um grupo que inclui representantes de Google, Verizon, AT&T, Skype, operadoras de sistemas de cabo e uma organização chamada Coalizão por uma Internet Aberta vem se reunindo com dirigentes da FCC (órgão regulador do setor de comunicação nos Estados Unidos) para discutir a neutralidade da rede e a base legal para que a agência regulamente serviços de internet.


As operadoras de cabos e telefonia querem carta branca para vender serviços especializados, tais como ‘priorização paga’, que aceleraria a transmissão de certos conteúdos aos usuários que paguem por isso.


As empresas de acesso sem fio, por sua vez, não desejam restrições à banda larga sem fios, que veem como tecnologia distinta do acesso à web por meio de cabos.


Muitos provedores de conteúdo -como Amazon, eBay e Skype- preferem que não haja favorecimento ou desejam garantias de que, caso exista um sistema pago, eles tenham a chance de pagar por acesso mais rápido.


A FCC, enquanto isso, favorece a igualdade de condições, mas não tem direito legal de impô-la enquanto houver questionamento judicial à sua autoridade sobre a banda larga.


O órgão regulador norte-americano declarou que não deseja impor regulamentação mais severa aos preços e serviços de acesso à internet, mas procura apenas a autoridade para defender o direito à privacidade e garantir acesso igual. Também deseja usar dinheiro federal para subsidiar acesso em banda larga nas regiões rurais.


Tradução de PAULO MIGLIACCI


 


 


TELEVISÃO


Audrey Furlaneto


Globo é a emissora que mais perdeu espectadores em julho


Se em junho a Globo teve seu melhor mês do ano, com 20,3 pontos de média de audiência, julho foi amargo: a emissora perdeu 14,5% da audiência em julho deste ano (com relação ao mesmo período de 2009).


No último mês, a Globo conseguiu 18,6 pontos de média contra 21,3 pontos do ano passado. É o canal da TV aberta que mais perdeu espectadores. O share (participação dentre os televisores ligados) acompanhou a queda: foi de 47,6% em julho de 2009 e de 43,1% em 2010.


Os números do mês, no entanto, não são otimistas tampouco para as demais emissoras. Segundo a audiência PNT (Painel Nacional de Televisão), o parâmetro para medir a audiência consolidada do Ibope, o período não foi de muito crescimento.


A Record, que teve o aumento mais expressivo, passou de 7 pontos de audiência média em julho de 2009 para 7,5 em julho deste ano.


Já o SBT, ‘convicto’ no terceiro lugar do ranking, caiu de 6,1 pontos para 5,9 pontos no mesmo período. A Band passou de 2,3 para 2,6 pontos. Na RedeTV!, nada mudou: 1,2 ponto tanto em julho de 2009 quanto em 2010.


Roda viva 1 A direção da TV Cultura ainda toma pé das mudanças que fez. O presidente João Sayad não sabia que as críticas do ombudsman sumiram do site da TV. Os textos saíram, diz ele, pois o ombudsman deixou a emissora.


Roda viva 2 O cargo de Gabriel Priolli, afastado da coordenação de jornalismo da Cultura em julho, ainda é confuso. Sayad diz que Priolli coordena a ‘distribuição de sinal’. Já Priolli informa que é assessor do vice-presidente de gestão, Ronaldo Bianchi.


Bons tempos E a atriz Aracy Balabanian, que atuou na histórica produção da Cultura ‘Vila Sésamo’, se assustou com os boatos da TV. ‘Trabalhei muitos anos lá. Tá tudo meio perdido. Pena’, disse.


Mais do mesmo? A Globosat leva ao ar hoje novo canal HD, o Megapix HD. O ‘menu’ do mês de estreia, aliás, tem um campeão de reprises da TV paga: ‘Mais Velozes Mais Furiosos’, que chegou a ser exibido 29 vezes num mês.


Ira à vista O esperado encontro de Bete (Fernanda Montenegro) com a vilã Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos), em ‘Passione’, vai ao ar em 23 de agosto. Aviso aos noveleiros: Silvio de Abreu fez ríspidos (e ótimos) diálogos que incluem as palavras ‘ordinária’ e ‘vadia’.


Aqui e lá Deborah Secco, atriz ‘global’ de longa data, é a nova garota propaganda da Tele Sena, título de capitalização do grupo Silvio Santos, dono do SBT.


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 6 de agosto de 2010


 


ELEIÇÕES 2010


Gabriel Manzano


Serra e Dilma polarizam debate, com foco em saúde e emprego


O primeiro debate entre presidenciáveis na TV, que ontem reuniu, na Band, os candidatos José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), acabou se transformando em um duelo entre os dois primeiros, que Serra tentou puxar para a saúde e Dilma para números e realizações do governo Lula.


Em um dos poucos momentos mais fortes, o tucano chamou de ‘cruel’ o abandono dos mutirões de cirurgias pelo atual governo e a petista comparou os 14 milhões de empregos da era Lula com os 5 milhões do governo FHC.


Foi um confronto morno, sem emoção, a não ser nas curtas e duras críticas de Plínio aos demais. Dilma sobreviveu, com certo nervosismo e algumas frases longas e genéricas, ao seu primeiro grande teste público. Ao final do programa – que foi moderado por Ricardo Boechat, e tendo como perguntadores os jornalistas Joelmir Betting e José Paulo de Andrade – a petista conseguiu passar os avanços do governo Lula e Serra, além de exibir sua familiaridade com a saúde, prometeu ‘estatizar’ de novo empresas como os Correios, que em sua opinião foram aparelhados pelo PT.


Os quatro responderam sem surpresas à primeira questão, sobre qual seria sua prioridade entre saúde, educação e segurança. Plínio advertiu que nesses três ‘há um problema de desigualdade social’ a ser enfrentado ‘com firmeza’. Marina, com voz rouca, ressaltou educação, ‘porque a desinformação é responsável pela falta de oportunidade’, mas elegeu a saúde, ‘porque o brasileiro não pode esperar mais nenhum momento’. Serra disse que os três ‘são como três órgãos do corpo humano’ e já adiantou que ‘criará um ministério para a segurança pública’. Dilma disse que uma gestão não pode ter a prioridade pedida na pergunta, ‘tem de atender aos três, que são os pilares de um governo’.


O embate Serra-Dilma começou em seguida. O tucano ‘convocou’ Dilma para citar ‘as posições concretas’ sobre os três temas. Ela agradeceu a chance de retomar o assunto e mencionou as unidades de polícia pacificadora (UPPs) do Rio. Na réplica, Serra citou ‘a consulta e o exame’, esquecidos nos projetos de saúde, e introduziu na conversa os mutirões de saúde – tema que tornaria a mencionar nas fases seguintes do debate, já que Dilma discordou deles, por ‘não serem políticas estruturantes’.


Dilma reagiu introduzindo a comparação Lula-FHC perguntando a Serra ‘qual a aprendizagem’ como oposição e como situação? Ele avisou que como oposição, nunca jogou ‘no quanto pior, melhor’. E que tratou a oposição ‘como adversária, não como inimiga’. Marina reclamou da incapacidade de PT e PSDB de um ‘realinhamento histórico’.


Movimentos sociais. Plínio arrastou Dilma para uma longa discussão de desmatamento, código florestal e limite das propriedades e jornada de trabalho. A petista pediu ‘respeito aos movimentos sociais’, dizendo que não é papel do governo determinar a jornada.


Dilma provocou Serra sobre empregos, perguntando com vai fazer, depois de um governo que criou 14 milhões de empregos formais. Ele reagiu. ‘Não tem de fazer campanha com olho no retrovisor’, disse o tucano. E a petista: ‘Acho confortável que esqueça o passado, mas não acho prudente. Em plena crise, tiramos 24 milhões de pessoas da pobreza’. O tucano escapou criticando o estado das estradas federais. E em seguida quis saber por que o governo federal ‘está discriminando’ entidades como as Apaes. O ex-ministra caiu na provocação: Ele cobrou: ‘Você, como ministra muito forte, como deixou que isso acontecesse?’


Na fase das perguntas de jornalistas, Joelmir perguntou a Dilma sobre os altos juros cobrados pelo atual governo. ‘Ela explicou que, com a estabilidade, eles tendem a cair. E José Paulo de Andrade questionou Serra sobre privatizações. Ele disse que ‘o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo’. E vendeu a ‘nota fiscal brasileira’. Sobre privatizações, prometeu: ‘Vou valorizar o patrimônio público. Não vou arrebentar empresas importantes, como os Correios.’


 


 


Flávia Tavares


Com ironia, Plínio rouba cena e vira hit no Twitter


SÃO PAULO – Ele não tinha nada a perder e, assim, foi ao debate para, realmente, debater. Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) roubou a cena dos favoritos nas pesquisas, com falas irônicas e provocativas. Sem exagerar números, criticou o excesso de convergências entre os oponentes e se posicionou como a real divergência. ‘Sou a diferença’, autoproclamou-se. O desempenho de Plínio lhe rendeu a liderança mundial nos tópicos mais populares do Twitter – com comentários de apoio ou de sátira.


Como foi professor, falou com naturalidade. E não poupou ninguém. Acusou Marina Silva (PV) de manter o discurso petista e de ser uma ‘ecocapitalista’. ‘Não há como proteger o meio ambiente sem atacar o lucro’, decretou.


Chamou José Serra (PSDB) de ‘hipocondríaco’, por só saber falar de saúde e o tachou de ‘a favor do latifúndio’, quando o tucano afirmou ser contra a desapropriação de terras com mais de 1 mil hectares, uma das principais propostas de Plínio. Quanto a Dilma Rousseff (PT), o candidato a acusou de maquiar números ao falar de reforma agrária. ‘Quem fez o programa da reforma agrária do Lula fui eu. (Vocês) Fizeram menos que o Fernando Henrique.’


Antes disso, criticou o fato de Dilma e Serra monopolizarem a conversa e alfinetou: ‘Se vocês dois fizerem blocão, vou fazer bloquinho com Marina.’ Em diversos momentos, arrancou risos da plateia. No encerramento do debate, voltou a lamentar o tom ‘poliana’ do encontro. ‘Para superar o muro entre as suas aspirações e a realidade do País é só com luta’, finalizou, olho fixo na câmera.


Lanterninha. A produção da TV Bandeirantes encontrou, na última hora, um lugar para a mulher de Plínio na plateia. Sua companheira, Marieta, ocupou, sem alarde, a sexta fila.


 


 


Ibope do debate fica em 4 pontos, contra 28 da Globo


O primeiro debate da campanha presidencial transmitido ontem pela Rede Bandeirantes de Televisão alcançou média de quatro pontos de audiência no seu primeiro bloco, até as 23 horas.


No mesmo horário, com a transmissão ao vivo da partida válida pela semi-final da Copa Libertadores da América, entre São Paulo e Internacional, a Rede Globo alcançou 28 pontos de audiência. Cada ponto no Ibope equivale a cerca de 55 mil domicílios. Antes do debate, o programa Polícia 24 horas, da Band, atingia seis pontos de audiência.


As apresentações formais dos candidatos no início do debate derrubaram a audiência para apenas 2,5 pontos. Ao longo da primeira meia hora a audiência melhorou e atingiu pico de 5,5 pontos, chegando ao final do primeiro bloco a uma média de quatro pontos, uma audiência de cerca de 200 mil domicílios, contra 1,5 milhão ligados no futebol.


 


 


José Orenstein


Redes sociais focaram debate já no início da tarde


SÃO PAULO – O primeiro debate desta campanha eleitoral entre os candidatos à Presidência começou pouco depois das 22h, na Bandeirantes. Mas, muito antes disso, os comentários sobre o encontro entre Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio na TV já movimentavam discussões na internet.


Por volta das 15h, o candidato do PSDB agradeceu as sugestões de seus seguidores no Twitter para o debate. Duas horas depois, Plínio lembrou: ‘Hoje tem o debate da Band. Não percam.’


Marina postou mensagem por volta das 19h: ‘Espero vocês logo mais no debate. Reúnam amigos e família. Todos juntos pelo Brasil que queremos.’ Já Dilma Rousseff não se manifestou em sua conta pessoal. Mas o Twitter de sua campanha anunciou, por volta das 20h45, a cobertura ao vivo do debate.


Foi durante o programa que o clima esquentou na web. Nas primeiras eleições em que as redes sociais começam a pesar na campanha, algumas figuras políticas comentaram em tempo real.


Enquanto Marta Suplicy, do PT, escrevia via Twitter dos estúdios da Band que Serra perdia o rumo, Índio da Costa, do DEM, dizia que Dilma gaguejava em suas respostas.


Por volta das 23h30, os nomes dos quatro candidatos do debate figuravam entre os dez mais citados no Twitter pelo mundo.


E, em primeiro lugar, nem Dilma, nem Serra, tampouco Marina. O azarão da corrida eleitoral, Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, fez valer o ditado de que os últimos serão os primeiros, ao menos na internet: era o líder em citações no Twitter, à frente até mesmo de Rogério Ceni, goleiro e ídolo do São Paulo que jogava a semifinal da Copa Libertadores, no estádio do Morumbi.


 


 


Leonencio Nossa


Presidente tem encontro com dono da Globo


Munido com dados econômicos e novos números que apontam a liderança da candidata petista Dilma Rousseff nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem a campanha sucessória com o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho. Em conversa no gabinete do Centro Cultural Banco do Brasil, que virou o escritório informal da candidatura Dilma, Lula usou previsões da economia, segundo assessores, para tentar convencer o empresário de que a petista é a melhor alternativa para os próximos quatro anos.


Na saída, Marinho disse aos jornalistas que Lula demonstrou ‘otimismo’ com a performance de Dilma. ‘Num determinado momento da conversa, ele falou da campanha e da candidatura da ministra, mostrando-se muito otimista.’


O empresário disse que o interesse de Lula era saber o que ele está achando da economia brasileira. ‘O presidente está preocupado em deixar o País arrumado’, afirmou, comentando que a economia vai ‘muito bem’, mas que há uma preocupação com a política fiscal. O presidente não emitiu opinião, estava querendo mais ouvir do que falar.’


Ciro ‘engajado’. Antes de Marinho, Lula recebeu fora da agenda o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), para discutir as relações entre o Planalto e o deputado Ciro Gomes, irmão do governador. Cid lhe disse que Ciro está ‘engajado’ na campanha de Dilma, mas só subirá em palanques ao lado da ex-ministra no Ceará. O governador acertou com Lula uma viagem ao Estado e chegou a se comprometer com uma meta nas urnas: acredita que a petista obterá 70% dos votos cearenses. Afirmou, ainda, que vai definir um cronograma de viagem de Dilma ao Estado.


 


 


TELEVISÃO


Jotabê Medeiros


TV Cultura inicia processo de reformulação e corta programas


Começou ontem a reformulação na TV Cultura. Após reunião durante a tarde com o setor de programação da emissora, as equipes de produção e apresentadores dos programas Manos & Minas e Login foram avisadas de que essas atrações estão extintas. O Vitrine foi suspenso, segundo informado à sua equipe, para que seja ‘repensado’.


Segundo a reportagem apurou, outro programa suspenso indefinidamente é o Clássicos, que transmite música erudita ao vivo e em reprises.


Em nota oficial, a emissora disse que ‘não houve qualquer corte’ e que ‘os profissionais serão avaliados e podem vir a ser aproveitados em outras produções’. Entretanto, alguns funcionários que integravam as atrações cortadas disseram que, das 20 pessoas envolvidas na produção, ficarão apenas os que não eram contratados como pessoas jurídicas (umas três, do total).


Segundo a assessoria de imprensa da TV Cultura, não há data para o programa Login sair do ar. ‘Também não procede a informação sobre a extinção de um programa erudito.’


A descontinuidade dos programas foi anunciada ontem por João Sayad, presidente da Fundação Padre Anchieta, em entrevista ao Estado. ‘Queremos ter uma grade estável e que seja reconhecida pelo público, mas vamos manter aquilo que representa o espírito da TV Cultura, como o Roda Viva, o programa da Inezita, o Rolando Boldrin e o Provocações’, afirmou Sayad.


A emissora tem cerca de 1,9 mil funcionários e o que se comenta é que as demissões começaram pela sucursal de Brasília. ‘As pessoas vão querer uma justificativa plausível. É dinheiro do governo. E para quem está se organizando, isso tudo está começando bem bagunçado’, disse um funcionário que foi dispensado na tarde de ontem.


 


 


TV pública fecha contrato de R$ 54 mi para divulgar Lula


Por R$ 54 milhões, a menos de dois meses da eleição e sem licitação, o governo assinou dois contratos de prestação de serviços com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – a antiga estatal Radiobrás, transformada em TV pública pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo contrato, a EBC ficará responsável pela captação e transmissão ao vivo da agenda presidencial, distribuição de imagens de eventos do governo para emissoras do País e do exterior, além da cobertura das viagens do presidente.


A EBC fará ainda a documentação em áudio e vídeo dos principais atos e fatos do governo federal, produção e gestão do canal NBR – a TV do governo federal -, diversos produtos de rádio, como o Café com o Presidente e A Voz do Brasil, bem como serviços de locução de solenidades, clipping dos principais meios de comunicação e produção de reportagens especiais multimídia para o Portal Brasil.


O secretário de Imprensa da Presidência, Nelson Breve, disse que a contratação da EBC obedeceu ao que estipula a Lei 11.652/2008, que extinguiu a Radiobrás e criou a TV pública. Essa lei teve origem numa polêmica medida provisória aprovada no primeiro semestre de 2008. ‘Desde que a EBC foi criada, passamos a ser clientes dela, mas não tínhamos verba própria para pagar pelos serviços. Neste ano, nosso orçamento conta com R$ 60,5 milhões para a contração desses serviços’, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 


 


Eugênia Lopes


TV digital pública fará licitação de R$ 2,8 bilhões


O edital de licitação para construir a infraestrutura da rede pública de TV digital deverá ficar pronto em 90 dias. O contrato de R$ 2,8 bilhões por 20 anos será gerido pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e prevê a construção de 256 torres de transmissão de sinal digital de TV em todo o País – a estação central ficará em Brasília.


Elaborado pela EBC, o edital está agora sob o exame do Ministério do Planejamento e, depois, passará pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU). ‘É uma minuta de edital que pode sofrer mudanças no Planejamento e no TCU’, disse a diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel.


Ela explicou que o edital de licitação precisa ser analisado pelo ministério e pelo tribunal por se tratar de uma parceria público-privada (PPP). O presidente do TCU, ministro Ubiratan Aguiar, já avisou que o tribunal vai precisar de, pelo menos, 60 dias para estudar o edital. ‘O edital será lançado ainda este ano, mas vai demorar uns 90 dias’, afirmou Cruvinel.


A EBC trabalha há dois anos no projeto para a construção da infraestrutura da rede pública de TV digital. O sistema brasileiro público de TV digital está previsto no decreto 5820, de 2006. Esse sistema é integrado pela EBC e mais cinco redes públicas: as duas TVs do Legislativo (Câmara e Senado), a do Judiciário, a do Ministério da Educação (TV Escola), uma rede de cultura e uma rede de cidadania ((TV digital municipal).


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar o vencedor da licitação na compra de equipamento e serviços.


 


 


Mônica Ciarelli e Rodrigo Petry


Embratel oferece R$ 4,5 bilhões por ações da Net


A Embratel, do bilionário mexicano Carlos Slim, anunciou ontem uma oferta por até 100% das ações preferenciais (sem direito a voto) da Net, em que já detém 21,2% do capital. A operação pode chegar a R$ 4,5 bilhões, caso a adesão dos acionistas seja total. Em nota, a Embratel justificou a decisão na perspectiva de ‘crescimento do mercado consumidor de TV por assinatura e de banda larga no País’.


Mas, para um executivo do setor, a oferta tem como pano de fundo a reviravolta provocada pela entrada da Portugal Telecom (PT) como acionista da Oi e a venda da participação dos portugueses na Vivo para a Telefônica, que obrigou o grupo mexicano a se mexer para manter seu espaço no disputado mercado de telecomunicações brasileiro.


O primeiro passo nessa direção viria com o aumento da participação na Net. A notícia fez as ações preferências da operadora de TV a cabo dispararem 13,21% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).


O chefe de análise da Modal Asset, Eduardo Marques Roche, se disse surpreso com a oferta, que não era aguardada para antes da aprovação pelo Senado de mudanças na Lei do Cabo, conhecida como PLC 116 (antigo PL 29). ‘Essa operação não era aguardada, tanto que não vimos nenhuma movimentação com o papel no curto prazo que pudesse indicar algo nesse sentido.’


Para o ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores, Juarez Quadros, a operação visa acelerar o processo de unificação dos serviços prestados pelo grupo, com um controle maior da Net pela Embratel. ‘Depois dessas mudanças, os mexicanos precisavam reagir e essa oferta demonstra que ele vê essa consolidação como um movimento forte’, explicou.


O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, é outro que enxerga a oferta nesse contexto. Segundo ele, o empresário Carlos Slim optou por se antecipar às alterações nas regras do setor, que hoje proíbe o controle por parte de estrangeiros e a entrada de empresas de telecomunicações em operadoras de TV a cabo. Dessa forma, observa Tude, a Embratel pode ganhar ao desembolsar menos pelos papéis da Net, que tendem a se valorizar após a mudança nas regras.


Tude, da Telecom, já dá o fechamento de capital da Net como certo depois de sancionada modificações na Lei do Cabo. ‘Assim que o PL 29 for aprovado, a Embratel deverá adquirir também as ações ordinárias’, afirmou. Ele conta que já existe um acordo com a Globo para que o grupo de Slim adquira o controle da Net.


Atualmente, a Globo detém participação na Net por meio da GB Empreendimentos e Participações, que por sua vez tem 51% das ações ordinárias da Net. Outras 8,3% das ações ON da Net pertencem a Distel Holding, também controlada pela Globo Comunicação e Participações.


Para o analista sênior de telecomunicações da Frost & Sullivan, Bruno Baptistão Neto, a competição no setor já ultrapassou a barreira apenas de serviços fixo ou móvel e migrou para a oferta de pacotes integrados. ‘Quem ficar de fora deste movimento vai perder competitividade frente aos concorrentes.’


Mercado. O ex-ministro Juarez Quadros ressaltou ainda que o interesse pela Net faz sentido, visto que a companhia vem crescendo muito nos últimos anos. Atualmente, a empresa detém a liderança no segmento de TV por assinatura e ocupa o segundo lugar no ranking de banda larga. Nesse segmento, o grupo Oi lidera com 37%, a NET com 25% e a Telefonica com 23%. ‘A companhia vem crescendo muito e também investindo pesado’, afirmou. Hoje, a Net tem 3,9 milhões de clientes de TV paga. Desse total, 3,1 milhões de também compram banda larga e 2,7 milhões têm telefone fixo. / COLABOROU BETH MOREIRA


 


 


TECNOLOGIA


Andrew Clark, The Guardian


Rupert Murdoch vê o futuro do jornalismo no iPad


O iPad, da Apple, veio para mudar o jogo da mídia de notícias e terá centenas de milhões de unidades vendidas em todo o mundo. A afirmação é do bilionário australiano Rupert Murdoch.


No momento em que o crescimento global dos negócios na área de publicidade e as bilheterias do filme Avatar contribuem para o seu império News Corporation colher lucros de US$ 2,5 bilhões em um exercício fiscal, Murdoch prevê que a conveniência da plataforma do iPad poderá revigorar o jornalismo: ‘Agora os jovens lerão jornais.’


Murdoch – cujos negócios vão dos jornais Times, Sun e Wall Street Journal à emissora de TV Fox e ao estúdio 20th Century Fox de Hollywood – acredita que o iPad é o aparelho ideal para estimular os consumidores a pagar pelo jornalismo digital. ‘São inúmeras as possibilidades que esses aparelhos oferecem. À medida que forem evoluindo tecnologicamente, teremos de desenvolver nossos métodos de apresentação da notícia.’


Os lucros da News Corp. no exercício fiscal até junho assinalaram uma recuperação em comparação aos prejuízos de US$ 3,4 bilhões do ano passado, quando a companhia foi afetada por enormes depreciações do valor de empresas como a Dow Jones, editora do WSJ.


O grande motor desse revigorado desempenho foi o sucesso estrondoso do filme futurista de James Cameron, Avatar, em 3D, que contribuiu para a 20th Century Fox apresentar um aumento de 59% no lucro operacional, para US$ 1,35 bilhão. Além disso, a rede de TV Fox colheu nos EUA os frutos de sucessos como as séries Glee e Modern Family, enquanto a divisão editorial HarperCollins se beneficiou das vendas do livro de memórias políticas de Sarah Palin, Going Rogue.


Os jornais de Murdoch também registraram um ano melhor com um aumento de 13% dos lucros, que subiram para US$ 530 milhões. Na Grã-Bretanha, os jornais do grupo foram beneficiados por uma redução dos custos do papel jornal e por um aumento da receita de publicidade.


Apesar dos bons números, Murdoch é cauteloso. ‘Ainda há muita fragilidade no nosso caso, e portanto não podemos pecar pelo excesso de confiança no longo prazo, ou no médio prazo.’


O aspecto mais fraco das finanças da News Corp. é sua divisão de mídia digital. Murdoch diz confiar em uma nova equipe de executivos encarregada de mudar a direção do MySpace, cuja popularidade foi eclipsada pelo Facebook.


Ele afirma que a News Corp. continuará tentando recuperá-lo: ‘Ainda vai levar algum tempo’, admite./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


 


 


INTERNET


Marili Ribeiro


Site da ‘piauí’ passa a fazer parte do portal ‘Estadao’


O site da revista piauí passa a integrar o portal estadão.com.br a partir desta sexta-feira, 6. Um link no cabeçalho do portal indicará ao internauta a conexão para a piauí. O site da revista continua a ser produzido exclusivamente pela sua equipe de profissionais e manterá o mesmo visual. A publicação é dirigida pelo jornalista Mario Sergio Conti e conta com premiados profissionais do meio jornalístico, como Dorrit Harazim e Marcos Sá Corrêa, também colunista do Estado.


Criada em outubro de 2006, a revista mensal da Editora Alvinegra tem cerca de 32 mil exemplares vendidos em banca e pouco mais de 18 mil assinantes. A revista ganhou público ao optar por um modelo de reportagem que adota técnicas da literatura, estilo conhecido como ‘new journalism’, o que a diferencia no mercado editorial do País. João Moreira Salles, documentarista, fundador, editor da revista e leitor assíduo do Estado, como ele mesmo conta, costuma dizer que ‘o que a piauí faz é contar bem uma história’.


Há alguns meses, e depois de passar por outros portais na internet, a direção da piauí buscava um endereço que tivesse o mesmo espírito editorial da publicação, voltada para temas de interesse geral e pautada por grandes reportagens, para abrigar o seu site. Procuraram o Grupo Estado por ver similaridade na postura editorial. O portal estadão.com.br cresceu 85% em páginas vistas nos últimos 12 meses, segundo o Ibope. É o maior índice de crescimento da categoria notícias na internet brasileira.


Moreira Salles diz que ‘a piauí se torna parceira na internet de um grande jornal, com 135 anos de serviços prestados ao Brasil e, em troca, o Estadão se associa a uma pequena revista, de menos de cinco anos de idade. Acho que saímos ganhando. Brincadeiras à parte, para nós é uma satisfação estarmos ao lado de um jornal da importância e da história de O Estado de S. Paulo. Temos certeza de que milhares de leitores passarão a nos conhecer, o que para nós é ótimo, e, em troca, torcemos para que eles se informem e se divirtam com piauí. Por fim, em nome da solidariedade que nos une, desde já nos consideramos sob a censura imposta pelos Sarney.’


A chegada do site da piauí, como explica o diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, se inclui no movimento estratégico de crescimento da empresa em produtos digitais. ‘A nossa atuação em digitais prevê não só levar nossos conteúdos para outros endereços, como estamos fazendo a partir do próximo dia 24 no portal MSN, como também trazer parcerias complementares.’


Para o diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, é uma iniciativa em sintonia com a expectativa dos leitores. ‘O estadão.com.br ganha o reforço de um olhar novo no jornalismo brasileiro, que vem complementar, com perfis e reportagens de fôlego, a qualidade dos conteúdos do Grupo Estado.’ Quem visita o portal do Estadão terá acesso integral ao site da revista.


Segundo os últimos números divulgados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) sobre o tráfego dos websites no mês de junho, o portal do Estadão somou 82,7 milhões de visualizações. É a terceira posição entre os 33 canais jornalísticos online monitorados pelo IVC. Quando se trata dos visitantes únicos, o estadão.com.br aparece com 9,7 milhões de acessos em junho.


 


 


 


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