Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Gazeta Mercantil

23/12/2008 na edição 517


ENTÃO É NATAL…
Deonísio da Silva


Natal: isso é grego para mim


‘Os pais de Jesus viviam em Nazaré, mas ele nasceu em Belém, na Judéia, então
uma província do Império Romano, entre os anos 4 e 6 a.C., por força de um erro
de calendário perpetrado por Dionísio, que fixou no ano um o nascimento do
Nazareno. Quando é condenado à morte, a maior autoridade romana ali é Pôncio
Pilatos.


Bem qualificado, como qualquer funcionário romano do alto escalão, Pilatos
era poliglota e falava e escrevia fluentemente em latim e em grego. Foi parar no
Credo dos Apóstolos, dando origem à expressão ‘como Pilatos no Credo’, pois a
citação de seu nome é só para fixar a existência de Jesus na História,
identificando a época dos graves eventos ali narrados, quando foi crucificado
entre dois ladrões: Gestas, o mau, e Dimas, o bom, que, aliás, deu mote ao Padre
Vieira para o Sermão do Bom Ladrão.


Às vezes, porém, Pilatos se atrapalhava nos idiomas. Dialogando em grego e
não em latim com José de Arimatéia, este lhe pede o soma (corpo) de Jesus, e
Pilatos entende que pediu o ptoma (cadáver).


Esta é uma das explicações profanas da retirada de Jesus da cruz e de seu
desaparecimento, depois de medicado e não sepultado no túmulo do próprio
Arimatéia, de onde, clandestino, teria seguido para a casa da discípula mais
amada, Madalena, e dali para a Índia ou para a Europa, segundo versões ainda
mais controversas.


Estão documentados os três anos que antecedem a execução de Jesus, marcados
por intensa pregação na Judéia. Os trinta anos anteriores dependem dos relatos
solitários dos Evangelhos e assim mesmo não de todos eles, apenas dos quatro
considerados oficiais. Foram documentados dezenas deles, depois considerados
apócrifos, mas é provável que existissem centenas de relatos semelhantes.


O mais simples e mais objetivo é o de São Mateus, que escreve seu evangelho
em aramaico. Foi traduzido depois para o grego e para o latim. Ele narra deste
modo o Natal: ‘Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia no tempo do rei Herodes,
chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente, que perguntaram: ‘onde está o
rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos sua estrela no Oriente e viemos
adorá-lo’. Ao ouvir isso, o rei Herodes perturbou-se e toda Jerusalém com ele’.


Ainda assim, séculos depois os magos foram fixados em três – chegaram a ser
oito nos primeiros séculos -, eram reis, um era preto, um branco, outro amarelo,
e tinham nomes: Baltazar, Gaspar e Merquior. E em 1164, vindos de Milão, seus
restos mortais foram parar num dos altares laterais da Catedral de Colônia, na
Alemanha, onde estão até hoje.


Os relatos continuaram controversos com outras figuras. Pôncio Pilatos, cuja
mulher se chamava Claudia Procula, sucedeu a Valério Grato, depois da deposição
de Arquelau, no tempo do imperador Tibério César, e lavou as mãos na morte de
Jesus.


Mas não pôde fazer o mesmo quando, mobilizados por messias anônimo, milhares
de samaritanos subiram ao Monte Garazim, à procura dos vasos de ouro do
tabernáculo que Moisés teria enterrado ali. Para dissuadir a multidão, as tropas
romanas perpetraram um massacre, pois, ao contrário de cronistas cristãos que
quiseram fazer média com as autoridades romanas, pondo a culpa nos judeus,
Pilatos era um homem cruel e sanguinário, segundo os relatos de Fílon.


Vitélio, que governava a Síria, delatou Pôncio Pilatos a Tibério César, que
chamou o governador a Roma para explicações do morticínio. Mas o imperador
morreu nesse ínterim, e Pilatos, destituído, foi banido para Viena, onde se
suicidou no rio Reno.


A presença mais controversa do Natal é, porém, outra: a do Papai Noel, este,
sim, uma excrescência de exclusivos fins comerciais. O verdadeiro Natal é o do
Menino Jesus.’


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