Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Joaquim Vieira

18/03/2008 na edição 477

‘A notícia, saída no PÚBLICO da última quarta-feira (dia 12), tinha por título ´Portugal é o terceiro país da União Europeia onde mais caiu o rendimento dos agricultores´, mas o que interessa para este caso não é o seu conteúdo mas o quarto parágrafo: ´O PÚBLICO pediu uma reacção ao Ministério da Agricultura sobre esta situação, mas até ao fecho desta edição não obteve resposta´.


Mário Ribeiro (M.R.), assessor de imprensa do ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, enviou uma reclamação ao provedor sugerindo a existência de, no mínimo, má vontade da jornalista autora da notícia, Ana Fernandes (A.F.), em receber na véspera o esclarecimento do ministério. O assessor descreve os passos dados nesse dia desde que, às 17h03, recebeu de A.F. um e-mail a pedir uma reacção: ´Solicitei aos serviços deste Ministério que me fornecessem dados para que pudesse elaborar uma resposta. (…) Às 18h46, A.F. envia um SMS a perguntar se podia contar com uma reacção ‘para hoje’ (dia 11). Às 18h47, respondo que ainda não tinha informação disponível para lhe enviar. Às 18h49, a jornalista informa que irá avisar quando já não puder esperar mais (…). Mas, às 19h43, A.F. informa que terminou o trabalho e que se houver uma resposta que lhe seja enviada na manhã seguinte (dia 12). A resposta deste gabinete ficou disponível por volta das 20h00, altura em que liguei para a redacção do PÚBLICO, mas sem sucesso, visto ninguém ter atendido´.


E comenta: ´O PÚBLICO exigiu uma resposta deste Ministério em menos de três horas a uma questão (…) que exigia o cruzamento de dados e a elaboração de tabelas. Mais importante, a jornalista começou por dizer que avisaria com antecedência qual seria a sua hora limite (…), mas a verdade é que se limitou a dizer que já tinha terminado o seu trabalho. O resultado não podia ser mais tendencioso, ao dizer que ‘o PÚBLICO (..) até ao fecho desta edição não obteve resposta´. O PÚBLICO fecha a sua edição às 19h43? Depois das 20h00 o telefone da jornalista não funciona?´


A queixa não fica por aqui, transformando-se em requisitório contra a jornalista: ´Não é a primeira vez que A.F. tem este procedimento em relação ao Ministério da Agricultura. No passado dia 13 de Fevereiro, A.F. contactou este gabinete de imprensa a pedir uma posição do Ministério em relação ao aumento dos cereais. Informei-a que o ministro Jaime Silva estaria nessa manhã em Santo Estêvão, numa reunião com produtores de cereais, e que teria toda a disponibilidade de conversar no final da reunião. A jornalista ficou de aparecer em Santo Estêvão para entrevistar o ministro. Não apareceu. Num contacto posterior ficou combinado, pela segunda vez, um encontro do ministro com A.F. Desta vez para a Assembleia da República (A.R.). A jornalista não apareceu. O que apareceu foi uma notícia, no dia 14, onde A.F. afirmava que ‘o PÚBLICO tentou ouvir o ministro da Agricultura mas sem sucesso’. Ou seja, a jornalista faltou a dois encontros com o ministro Jaime Silva, mas na notícia dá a entender que foi o MADRP que não quis falar com o jornal´.


Para depreciar ainda mais a atitude de A.F., o assessor compara-a à de outro jornalista do PÚBLICO que, antes de publicar um texto sobre a mesma área, terá aguardado por resposta um dia além do estabelecido.


Solicitada a esclarecer o assunto, A.F. classifica a reclamação como ´notável pela quantidade de mentiras´. Primeiro, no que respeita ao objecto da queixa: ´M.R. tenta, sabendo que costumo sair por volta das 20h00, alegar que me ligou. Acontece que tenho o meu telefone fixo reencaminhado para o telemóvel, que ficou sempre ligado e que nunca tocou, como posso facilmente provar através do registo de chamadas. A resposta nunca veio, nem por mail, nem por telefone, nem por via nenhuma´.


Quanto à alegada combinação feita para entrevistar o ministro em Santo Estêvão sobre a outra notícia, A.F. responde: ´Como o meu primeiro contacto com M.R. sobre o assunto foi feito à hora de almoço, como é que eu posso ter combinado lá ir de manhã? Isto é tanto mais mentira quanto ele me disse que o ministro já tinha falado à saída da reunião com a agência Lusa sobre o assunto e que eu poderia aproveitar essas declarações. Insisti, já que tinha perguntas muito específicas sobre a subida do preço do trigo. Ele respondeu-me que nessa altura não dava para falar com o ministro porque ele estava com pressa para chegar a Lisboa, uma vez que tinha de estar na A.R. nessa tarde. O que nos leva ao segundo facto falso’.


O qual é a marcação do encontro em S. Bento: ´Disse a M.R. que tinha uma consulta nessa tarde (tenho papéis de exames que o provam), mas que lhe ligaria assim que saísse do consultório para ver se ainda estavam na A.R. e ir lá. Assim fiz, e ele não me atendeu. Liguei então para o outro assessor de imprensa do Ministério, que me disse que já tinham regressado. Pedi-lhe que desse o recado a M.R. para me ligar de volta, pois continuava interessada em falar com o ministro. (…) Esperei em vão. No final da tarde, como não havia resposta, voltei a ligar. O telemóvel de M.R. estava desligado´.


Quanto à razoabilidade do prazo para aguardar reacção a uma notícia, A.F. dá a resposta lógica e previsível: ´M.R. sabe, tão bem quanto eu, que quando estamos a tratar de histórias próprias podemos esperar algum tempo pelas respostas, como aliás já aconteceu várias vezes entre mim e o Ministério. Mas, nos dois casos de que me acusa, estão em causa notícias do dia, que o PÚBLICO não poderia deixar de dar [na edição seguinte]´.


O provedor ouviu de novo M.R. sobre as ´mentiras` de que a jornalista o acusa. Replica o assessor de Jaime Silva: ´A jornalista diz que eu não lhe liguei. Quanto a este facto é a palavra de um contra a do outro. É verdade que não lhe enviei a resposta, porque não consegui falar com A.F., mas (…) pareceu-me que já não adiantava enviar uma resposta para uma notícia que a jornalista já me tinha dito que tinha terminado´. Igualmente quanto à notícia sobre o preço do trigo: ´A.F. diz que só falou comigo à hora do almoço. Também aqui é a palavra de um contra o outro. (…) Acontece que este foi o segundo contacto no dia 13. E como A.F. não tinha comparecido combinámos a entrevista para a A.R. Também é verdade que A.F. me referiu uma consulta, mas nunca disse que isso era impeditivo de se deslocar à A.R. Estranho que diga que o meu telemóvel estava desligado, visto isso só acontecer quando me desloco em viagens de avião. (…) E, inclusive, respondo sempre às chamadas que não posso atender no momento´.


´É de facto a palavra de um contra o outro´, reconhece A.F., ´mas acontece que o meu telemóvel, como o de todos, regista a entrada de chamadas, e não tenho registo dessa chamada, nem atendida nem por atender´. E insiste: ´Volto a repetir: não houve chamada nenhuma, e não tenho razão para mentir, pois a reacção do Ministério era muito relevante para o artigo, pelo que era do meu total interesse obtê-la. Ele também não refere que no último SMS que lhe mandei a dizer que tinha terminado o texto, ao qual não respondeu, lhe dizia que continuava interessada numa reacção, mesmo que viesse no dia seguinte. Ele confirma que nunca me enviou nada, nem na altura, nem até hoje´.


Quanto a Santo Estêvão, a jornalista explica: ´Só após contactar [por telefone] os produtores de cereais, no final da reunião [com o ministro nesse local], e perante acusações feitas, percebi que tinha de ouvir o Ministério. Como é que eu poderia necessitar da reacção do ministro antes de ter um motivo? Só nessa altura ligo para M. R., pelo que não percebo que outro telefonema de manhã cedo lhe fiz, se não tinha assunto para falar com ele. (…) M.R. confirma também que lhe falei na consulta. Por que razão? Só para lhe dar conhecimento da minha vida pessoal, ou porque ela poderia inviabilizar que eu fosse à A.R. em tempo útil? E por que não responde ele ao facto de eu lhe ter ligado ao sair da consulta, sem que ele tivesse atendido, e de eu ter deixado recado ao outro assessor de imprensa de que queria falar com ele, sem que ele nunca tivesse voltado a ligar? Quanto ao telefone desligado, mais uma vez asseguro que é verdade – posso pedir o registo da chamada´.


A.F. trabalha há longo tempo em matérias relacionadas com a agricultura, tendo tido por isso muitos contactos com o respectivo ministério. Poderá haver neste conflito antecedentes que o provedor desconhece e inquinem a queixa apresentada. No que respeita às razões de ambas as partes, as explicações de M.R. apresentam inconsistências que prejudicam a sua argumentação, como, em relação ao caso cronologicamente anterior, a suposta combinação de um encontro com o ministro quando a jornalista ainda não o havia solicitado ou, mais tarde, a falta de seguimento a um pedido por ela feito a outro assessor para obter a reacção de Jaime Silva. Por outro lado, não se comprova ter telefonado à jornalista para tentar entregar a resposta do MADRP ainda a tempo de ser inserida na notícia em causa. Não se conclui assim que A.F. tenha incorrido no incumprimento dos seus deveres profissionais, pelo que o provedor não encontra fundamento na reclamação.


O acto jornalístico não se esgota numa única edição, mas constrói-se progressivamente ao longo do tempo. Lamenta-se por isso que a reacção do Ministério da Agricultura não tenha sido entregue à redacção do PÚBLICO mesmo fora do prazo útil da notícia, para eventual divulgação em edição posterior.


Documentação complementar


CARTA DE MÁRIO RIBEIRO, ASSESSOR DE IMPRENSA DO MINISTRO DA AGRICULTURA:


No dia 11 de Março de 2008, a jornalista Ana Fernandes enviou a este gabinete de imprensa um e-mail onde solicitava uma reacção do Ministério sobre dados do Eurostat em que se afirmava que Portugal é o terceiro país dos 27 onde mais caiu o rendimento por trabalhador agrícola. O e-mail da jornalista foi enviado às 16H51.


De imediato, às 17h03, solicitei aos serviços deste Ministério para que me fornecessem dados para que pudesse elaborar uma resposta para responder à Jornalista. Acontece, que por se tratar de dados estatísticos foi necessário cruzar informação de vários serviços.


Às 18h46, a jornalista Ana Fernandes envia um SMS a perguntar se podia contar com uma reacção ´para hoje` (dia 11). Às 18h47, respondo que ainda não tinha informação disponível para lhe enviar. Às 18h49, a jornalista informa que irá avisar quando já não puder esperar mais tempo por uma reacção do Ministério. Mas, às 19h43, Ana Fernandes informa que terminou o trabalho e que se houver uma resposta que lhe seja enviada na manhã seguinte (dia 12).


A resposta deste gabinete ficou disponível por volta das 20h00, altura em que liguei para a redacção do PÚBLICO, mas sem sucesso, visto ninguém ter atendido.


Feitas as contas, o primeiro contacto do PÚBLICO foi feito às 17h03. O último às 19h43. Ou seja, o PÚBLICO exigiu uma resposta deste Ministério em menos de três horas a uma questão que não podia ser dada apenas por uma simples conversa, mas que exigia o cruzamento de dados e a elaboração de tabelas. Mais importante, a jornalista começou por dizer que avisaria com antecedência qual seria a sua hora limite para receber a informação deste Ministério, mas a verdade é que se limitou a dizer que já tinha terminado o seu trabalho. O resultado do seu trabalho não podia ser mais tendencioso ao dizer que ´o PÚBLICO pediu uma reacção ao Ministério da Agricultura sobre esta situação, mas até ao fecho desta edição não obteve resposta´. O PÚBLICO fecha a sua edição às 19H43? Depois das 20H00 o telefone da jornalista não funciona?


Acontece que não é a primeira vez que a jornalista Ana Fernandes tem este procedimento em relação ao Ministério da Agricultura. No passado dia 13 de Fevereiro, Ana Fernandes contactou este gabinete de imprensa a pedir uma posição do Ministério em relação ao aumento dos cereais. Informei-a que o ministro Jaime Silva estaria nessa manhã em Santo Estêvão, numa reunião com produtores de cereais, e que teria toda a disponibilidade de conversar no final da reunião. A jornalista ficou de aparecer em Santo Estêvão para entrevistar o Ministro. Não apareceu.


Num contacto posterior ficou combinado, pela segunda vez, um encontro do ministro com a Ana Fernandes. Desta vez para a Assembleia da República. A jornalista não apareceu. O que apareceu foi uma notícia, no dia 14, onde Ana Fernandes afirmava que ´o PÚBLICO tentou ouvir o ministro da Agricultura mas sem sucesso´. Ou seja, a jornalista faltou a dois encontros com o ministro Jaime Silva, mas na notícia que publicou dá a entender que foi o MADRP que não quis falar com o jornal.


Aproveito para dar conta de outro tipo de comportamento, inverso ao tido pela jornalista atrás referida. Um outro jornalista do PÚBLICO, Carlos Dias, no passado dia 10 de Março, às 16h36, contactou este gabinete de imprensa a solicitar uma série explicações sobre o abate de azinheiras no concelho de Serpa. Foi-lhe dito que precisávamos de reunir informação para poder responder com exactidão às questões que colocava. A urgência na obtenção dos dados requerida era de 24 horas. A resposta foi enviada ao jornalista Carlos Dias apenas às 9h53 do dia 12, muito além do combinado, e a notícia aguardou pelas respostas.


RESPOSTA DA JORNALISTA ANA FERNANDES:


Esta reclamação [do assessor de imprensa do Ministério da Agricultura] é notável pela quantidade de mentiras, facilmente desmontáveis, o que me faz supor que se destina mais a consumo interno, para se justificar perante a sua hierarquia, do que externo. Passo a explicar, ponto por ponto:


– ´A resposta deste Gabinete ficou disponível por volta das 20h00, altura em que liguei para a redacção do PÚBLICO, mas sem sucesso, visto ninguém ter atendido. (…) O PÚBLICO fecha a sua edição às 19H43? Depois das 20h00 o telefone da jornalista não funciona?` Mário Ribeiro tenta, sabendo que costumo sair por volta das 20h00, alegar que me ligou. Acontece que tenho o meu telefone fixo reencaminhado para o telemóvel, que ficou sempre ligado e que nunca tocou, como posso facilmente provar através do registo de chamadas. A resposta nunca veio, nem por mail, nem por telefone, nem por via nenhuma.


– ´No passado dia 13 de Fevereiro, Ana Fernandes contactou este gabinete de imprensa a pedir uma posição do Ministério em relação ao aumento dos cereais. Informei-a que o ministro Jaime Silva estaria nessa manhã em Santo Estêvão, numa reunião com produtores de cereais, e que teria toda a disponibilidade de conversar no final da reunião. A jornalista ficou de aparecer em Santo Estêvão para entrevistar o Ministro. Não apareceu.` Como o meu primeiro contacto com Mário Ribeiro sobre o assunto foi feito à hora de almoço, como é que eu posso ter combinado lá ir de manhã? Isto é tanto mais mentira quanto ele me disse que o ministro já tinha falado à saída da reunião com a agência Lusa sobre o assunto e que eu poderia aproveitar essas declarações. Insisti, já que tinha perguntas muito específicas sobre a subida do preço do trigo. Ele respondeu-me que nessa altura não dava para falar com o ministro porque ele estava com pressa para chegar a Lisboa, uma vez que tinha de estar na Assembleia da República nessa tarde. O que nos leva ao segundo facto falso.


– ´Num contacto posterior ficou combinado, pela segunda vez, um encontro do ministro com a Ana Fernandes. Desta vez para a Assembleia da República. A jornalista não apareceu. (…) Ou seja, a jornalista faltou a dois encontros com o ministro Jaime Silva, mas na notícia que publicou dá a entender que foi o MADRP que não quis falar com o jornal.` Tal como já disse, houve um único contacto, em que ele me falou da presença do ministro no Parlamento, altura em que me disse que seria a oportunidade para o apanhar. Disse-lhe, logo aí, que tinha uma consulta nessa tarde (tenho papéis de exames com data e hora que o provam e que como se sabe têm de ser marcados previamente, pelo que nunca poderia ter combinado isso), mas que lhe ligaria assim que saísse do consultório para ver se ainda estavam na AR, para ir lá. Assim fiz, e ele não me atendeu. Liguei então para o outro assessor de imprensa do Ministério para confirmar se eles ainda estavam no Parlamento. Ele disse-me que não, que eles já tinham regressado ao Ministério. Pedi-lhe então que desse o recado ao Mário Ribeiro de que eu tinha ligado e para este me ligar de volta, pois continuava interessada em falar com o ministro. Note-se, que neste caso, o interesse na conversa com o ministro era sobretudo meu já que a subida do preço dos cereais é algo que o ministro não controla. Portanto, não se tratava de um contacto para dar hipóteses ao ministro de refutar qualquer crítica, mas tão só emitir uma opinião sobre um sector que tutela. Esperei em vão. No final da tarde, como não havia resposta, voltei a ligar. O telemóvel de Mário Ribeiro estava desligado.


– A última situação relatada por Mário Ribeiro também é notável. Ele sabe, tão bem quanto eu, que quando estamos a tratar de histórias próprias podemos esperar algum tempo pelas respostas, como aliás já aconteceu várias vezes entre mim e o Ministério. Mas, nos dois casos de que me acusa, estão em causa notícias do dia, que o PÚBLICO não poderia deixar de dar: o recorde do preço do trigo e a divulgação dos dados da Eurostat, de que as televisões já estavam a falar.


RESPOSTA DE MÁRIO RIBEIRO:


Ao contrário do que a jornalista Ana Fernandes afirma, não preciso de me justificar perante a minha hierarquia, visto a mesma conhecer o meu trabalho e ter sido sempre informada do que se estava a passar. Inclusive tive, como é óbvio, que dizer ao ministro Jaime Silva que a jornalista Ana Fernandes pretendia falar com ele. Quer em Santo Estêvão, quer na Assembleia da República.


A jornalista diz que eu não lhe liguei. Quanto a este facto, é a palavra de um contra a do outro. É verdade que não lhe enviei a resposta, porque não consegui falar com a jornalista, mas como poderá comprovar a resposta foi enviada a este gabinete de imprensa pouco depois das 20h00. E, como me pareceu que já não adiantava enviar uma resposta para uma notícia que a jornalista já me tinha dito que tinha terminado, não enviei:


´—–Mensagem original—–


De: Rita Horta [mailto:ritahorta@gpp.pt]


Enviada: terça-feira, 11 de Março de 2008 20:12


Para: Ana Isabel Paulino


Assunto: Re: FW: Eurostat


Ana Isabel Paulino wrote:


Rita,


Resposta urgentissima a esta questão. Obrigada,


Ana Paulino


Chefe do Gabinete


do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas


—–Mensagem original—–


De: Mário Luis Ribeiro


Enviada: terça-feira, 11 de Março de 2008 16:55


Para: Ana Isabel Paulino


Assunto: FW: Eurostat


O que digo? Ou melhor quem pode responder? Hoje.


MRibeiro


—–Mensagem original—–


De: Ana Fernandes [mailto:Ana.Fernandes@publico.pt]


Enviada: terça-feira, 11 de Março de 2008 16:51


Para: Mário Luis Ribeiro


Assunto: Eurostat


Mário, já te ligo mas aqui vai a pergunta:


– Segundo o Eurostat, Portugal é terceiro país dos 27 onde mais caiu o rendimento por trabalhador agrícola em 2007. Qual a reacção do Ministério a estes números?


Ana´


Sobre o que se passou a 13 de Fevereiro, a jornalista Ana Fernandes diz que só falou comigo à hora do almoço. Também aqui é a palavra de um contra o outro. No entanto envio um endereço electrónico [http://portal.min-agricultura.pt/portal/page/portal/MADRP/PT/servicos/Imprensa/NT_2008/REUNIAO_CEREAIS_12FEV08.pdf?_template=] onde está a nota de imprensa a informar os jornalistas deste encontro. Nota de imprensa que a jornalista Ana Fernandes recebeu, visto fazer parte da listagem de jornalistas deste Ministério. Talvez a jornalista também possa desmentir ter recebido esta nota de imprensa, e por isso desconhecia a realização da reunião.


É verdade que a jornalista Ana Fernandes falou comigo à hora do almoço. Acontece que este foi o segundo contacto no dia 13. E como Ana Fernandes não tinha comparecido combinámos a entrevista para a Assembleia da República. Também é verdade que Ana Fernandes me referiu uma consulta, mas nunca disse que isso era impeditivo de se deslocar à Assembleia.


Estranho que a jornalista diga que o meu telemóvel estava desligado, visto isso só acontecer quando me desloco em viagens de avião. De resto, nunca desligo o telemóvel e, inclusive, respondo sempre às chamadas que não posso atender no momento (excepto aquelas em que não aparece identificação).


Por último, refiro que este gabinete de imprensa tenta dar todas as informações com o máximo de brevidade, porque sabe que a maioria das vezes os pedidos feitos pelos jornalistas são urgentes. Tem sido assim ao longo dos últimos três anos. Tem sido assim no relacionamento com a jornalista Ana Fernandes. Dai que tenha tido necessidade de apresentar uma reclamação junto do provedor do PÚBLICO. É que nos últimos trabalhos assinados pela jornalista Ana Fernandes surge sempre a indicação que o Ministério da Agricultura não respondeu.


NOVA RESPOSTA DE ANA FERNANDES:


O que interessa é se Mário Ribeiro me ligou ou não às 20h00, o que garanto que não aconteceu, pois tive sempre o telefone ligado. Aliás, só reencaminhei o meu telefone fixo para o telemóvel por isso mesmo, para prevenir essa eventualidade e porque essa resposta era importante para mim. É de facto a palavra de um contra o outro, mas acontece que o meu telemóvel, como o de todos, regista a entrada de chamadas, e não tenho registo dessa chamada, nem atendida nem por atender. Mesmo quando o telefone não tem sinal – no meu caso raramente acontece, pois estava em Lisboa, onde o sinal é forte -, o telefone avisa quando houve uma tentativa de contacto. Volto a repetir: não houve chamada nenhuma, e não tenho razão nenhuma para mentir, pois a reacção do Ministério era muito relevante para o artigo, pelo que era do meu total interesse obtê-la. Ele também não refere que no último SMS que lhe mandei a dizer que tinha terminado o texto sobre o Eurostat, ao qual não respondeu, lhe dizia que continuava interessada numa reacção, mesmo que viesse no dia seguinte. Ele confirma que nunca me enviou nada, nem na altura, nem até hoje.


Em relação ao encontro com os produtores de cereais (dia 13), estava agendado há muito e todos sabiam disso, eu também, como é óbvio. Mas note-se que não houve nenhum compromisso de ir, como não há nunca. Como sabe, notas das agendas dos ministros, conferências de imprensa, etc., recebemos imensas diariamente. Não vamos a todas. Alguns pedem-nos para confirmar se vamos ou não, geralmente os que trabalham com agências de comunicação. No caso do Ministério da Agricultura – como na generalidade do Governo -, isso nunca aconteceu. Limitam-se a mandar a nota de agenda e pronto.


Não fui a esse encontro porque tinha uma questão pessoal a tratar nessa manhã em Lisboa, o que me impedia de ir a Santo Estêvão (Ribatejo). Decidi então tratar o assunto pelo telefone quando cheguei ao jornal, já a manhã ia avançada. Comecei por contactar os produtores de cereais, os quais só apanhei no final da reunião. Só depois dessa conversa, e perante acusações feitas, percebi que tinha de ouvir o outro lado, no caso o Ministério. É só nessa altura que ligo para o Mário Ribeiro, pelo que não percebo que outro telefonema de manhã cedo é que lhe fiz, se antes não tinha assunto para falar com ele. Ao argumentar com esta nota de agenda, Mário Ribeiro tenta dar a entender que estaria algo combinado quando viu desmontado o argumento de que à hora de almoço eu não poderia ter combinado encontrar-me com o ministro de manhã. Mas voltamos ao mesmo: como é que eu poderia ter necessidade de obter uma reacção do ministro antes de ter uma razão para isso, o que só aconteceu quando falei com os produtores de cereais, por telefone, no final da dita reunião?Como se percebe pelo fio do tempo, quando faço essa chamada já a reunião tinha acabado e já o ministro estava a caminho de Lisboa.


Cai assim por terra o argumento de que tinha combinado lá ir para falar com o ministro. O Mário Ribeiro confirma também que eu lhe falei na consulta. Então por que razão lhe falei nela? Só para lhe dar conhecimento da minha vida pessoal, ou porque ela poderia inviabilizar que eu fosse à Assembleia em tempo útil? E por que não responde ele ao facto de eu lhe ter ligado ao sair da consulta, sem que ele tivesse atendido, e de eu ter deixado recado ao outro assessor de imprensa de que queria falar com ele, sem que ele nunca tivesse voltado a ligar? E, quanto ao telefone desligado, mais uma vez asseguro que é verdade, e posso pedir o registo dessa chamada.


Em toda esta questão está um dos grandes problemas do jornalismo: ter de lidar com a mentira, com pessoas que dão o dito por não dito, ou o não dito pelo dito, como é o caso. Quando se trata de vozes oficiais, como é o caso de ministros, muitas vezes já gravamos as conversas para nos protegermos. Será que temos de começar também a gravar as conversas com os assessores, conversas que ainda por cima são muitas vezes de mera combinação, mas se calhar mais perigosas porque o seu papel é gerir politicamente a imagem pública de quem servem? Parece-me que sim.


Quantos desmentidos já houve de notícias, em todos os jornais, que mais tarde se revelaram verdade? Quando os assuntos incomodam, a primeira reacção é muitas vezes a negação. É claro que também acontece o contrário, mas esses casos seguem para os tribunais, enquanto os outros criam apenas uma barreira de fumo, pondo em causa a honra de profissionais, ficando-se apenas nesta discussão estéril: ´É a minha palavra contra a dela, em quem acreditam mais?´.


Na minha opinião, a verdade é a principal matéria-prima da minha profissão. Se ao longo de 18 anos, em que nunca fui acusada de nada, não tivesse uma profunda fidelidade à verdade já teria a carreira acabada, pelo menos no PÚBLICO.’

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