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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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VOZ DOS OUVIDORES > PÚBLICO

Joaquim Vieira

23/12/2008 na edição 517

‘O jornalista do PÚBLICO deve exercer um olhar crítico sempre que se atropelam direitos e regras de cidadania

O leitor queixa-se de se ter omitido que ‘as eleições foram transparentes’ em Angola

Apesar da diferença de continentes, há leitores que reagem de sensibilidade à flor da pele perante as notícias dos acontecimentos mais remotos, como se estivessem no meio deles.

A cobertura jornalística do conflito israelo-árabe, por exemplo, nunca agradará a todos. Haverá sempre quem veja aqui ou ali o parcial favorecimento de uma das partes. Uma vez por outra, o provedor recebe queixas por esse motivo, mas de tal modo imbuídas de fanatismo que nem merecem análise. É o caso do leitor José Leitão, que recentemente lamentou a pequena notícia não assinada ‘Israel abateu 4 militantes do Hamas’, na pág. 17 da edição de 13 de Novembro, não por causa do seu conteúdo, irrepreensível de equilíbrio, mas do título: ‘Abateu? Os militantes do Hamas são bandidos (todos?), aviões, árvores? Semântica só utilizada para os ‘maus’?’ (Esclareça-se que qualquer dicionário português admite o termo ‘abater’ como ‘matar, assassinar’).

Também Francisco Furtado se queixou da série de reportagens que o enviado do PÚBLICO à Bolívia, Nuno Amaral, redigiu em meados de Setembro acerca do conflito entre as províncias autonomistas que não apoiam as políticas de Evo Morales e as forças favoráveis ao presidente: ‘Os artigos (…) são mais comunicados de imprensa da oposição autonomista do que exercícios de jornalismo. Essas peças são declarações textuais dos movimentos que tomaram instalações públicas e que assassinaram e espancaram os populares pró-Evo (na legalidade, diga-se de passagem) que ousaram levantar a cabeça nessas áreas. Que isso faça parte da reportagem até percebo, agora que um repórter cubra apenas um lado da história e, pior, que o jornal não procure equilibrar esses artigos com outros já é mais grave’.

Estando o jornalista a escrever de Santa Cruz, o epicentro do movimento rebelde, seria natural que as suas reportagens reflectissem maioritariamente as posições aí dominantes, tanto mais que os apoiantes de Morales receavam manifestar-se. Quanto à necessidade de equilíbrio com o ‘outro lado da história’, é coisa que deve ser vista a prazo e não numa observação pontual do jornal: no caso, o PÚBLICO, tendo já feito um esforço meritório para colocar um repórter no epicentro no conflito, não teria certamente os meios para, ao mesmo tempo, dispor de outro em território ‘unionista’.

Reclamação mais substanciada foi enviada por Luís Marvão acerca de uma notícia sobre o recente escrutínio eleitoral em Angola publicada em 9 de Setembro na pág. 13 e elaborada por Ana Dias Cordeiro (A.D.C.) em Lisboa (já que, como é sabido, o PÚBLICO foi um dos órgãos de informação portugueses aos quais as autoridades de Luanda recusaram visto para a cobertura local do acontecimento). Escreveu o leitor: ‘Habituei-me a vê-lo [ao jornal] como um diário de referência, cuja actividade se rege por critérios de rigor e isenção (…). Lamentavelmente, a cobertura que A.D.C. tem feito das eleições angolanas ameaça constituir-se em excepção à regra. Veja-se, por exemplo, o modo como é noticiada a posição da missão de observadores da União Europeia: a jornalista encima o artigo noticioso com o título ‘Missão de Observação da EU opta por não declarar as legislativas livres e justas’, destacando os não ditos da chefe daquela missão, Luisa Morgantini, e omitindo que esta última considerou que, passo a citar, ‘as eleições foram transparentes’. E que ‘as pessoas puderam votar em total liberdade e não vimos nenhum sinal de violência durante o processo’. Dessa forma, A.D.C. altera deliberadamente o sentido do comunicado dos observadores europeus, que, embora não isento de críticas (mas como poderíamos esperar um imaculado processo eleitoral, num país que só há pouco mais de cinco anos conhece a paz?), faz apreciação positiva das eleições angolanas. A.D.C. empola as críticas ao processo, procurando escamotear ou diluir o que de positivo os observadores disseram. É, em suma, um convite ao logro’.

A pedido do provedor, A.D.C. explicou como elaborou a notícia: ‘O texto baseou-se essencialmente no relatório preliminar que a missão da UE colocou no seu site, à hora da conferência de imprensa em Luanda para a sua divulgação (…). Também foram ouvidos o nº 2 da missão, José António Gabriel Pérez, e um politólogo angolano, Nelson Pestana, ligado a um partido da oposição. Foi inquirida a possibilidade de Luísa Morgantini conceder uma entrevista telefónica. Mas (…) a chefe da missão não estava disponível. (…) Refere-se a conferência de imprensa na parte em que Morgantini optou por não qualificar as eleições de ‘livres e justas’, por ser uma posição pouco comum e reveladora da própria indefinição espelhada no relatório. No documento, a transparência é assinalada nalguns pontos, mas noutros é posta em causa. Por exemplo: ‘A contagem [dos votos] foi conduzida de forma pacífica e transparente’. Mas também: o facto de as acreditações a observadores terem sido dadas de forma ‘tardia e parcial’ ‘afectou a transparência do processo’. O documento (…) salienta situações ‘contrárias às leis eleitorais angolanas e às normas eleitorais internacionais’. Critica a cobertura jornalística dos media do Estado, ‘tendenciosa’ e favorável ao partido no poder, o ‘uso indevido dos recursos do Estado por parte do MPLA’ e ‘a distribuição de ofertas do Governo’ a líderes tradicionais. Sobre a votação em si e o facto de em algumas assembleias de voto, pela ausência de listas e cadernos eleitorais, não ter sido possível fazer o controlo de quem votou nem que cada eleitor votou apenas uma vez, considera: ‘Este aspecto remove uma das principais garantias contra a fraude previstas na Lei Eleitoral (…)’.’

Remata o leitor: ‘Sabemos que as autoridades angolanas não tiveram um comportamento decente com o PÚBLICO e outros órgãos informação portugueses, mas isso não isenta os jornalistas destes periódicos do dever de imparcialidade e rigor no tratamento dos factos (…). Ou não há mundo (informativo) para além do jornalismo oficioso ao serviço dos poderes de Luanda e do alinhamento com as forças da oposição? A não ser que o PÚBLICO afirme, no seu estatuto editorial, o ponto de vista da oposição ao regime de Luanda. Seria, ao menos, uma clarificação’.

Isso não consta de facto do estatuto editorial, onde porém se escreve que ‘o jornalista do PÚBLICO não está obrigado à neutralidade quando estão em causa valores fundamentais da vida em sociedade, designadamente os relativos aos direitos humanos’ ou perante ‘conflitos entre liberdade e escravidão, compaixão e crueldade, tolerância e intolerância, democracia e ditadura, livre informação e censura, paz e guerra’.

O mínimo que se pode dizer do regime angolano é que está muito longe de se constituir como modelo de vida democrática (as anteriores legislativas tinham-se realizado há 16 anos), pelo que, à luz do que preconiza o estatuto editorial, o jornalismo independente praticado no PÚBLICO deve exercer um olhar crítico sobre o que se passa naquele país, questionando em particular os atropelos aos direitos e regras de cidadania.

Aliás, noticiou este diário no passado dia 13 (pág. 20): ‘As eleições legislativas de Setembro em Angola careceram de ‘transparência’ e foram marcadas por sérias falhas organizacionais, concluíram os observadores da UE no relatório que ontem publicaram’. Fez bem o PÚBLICO em salientar esses aspectos.

CAIXA:

Como ler as audiências de TV

O leitor Pedro Rodrigues mostra-se desiludido com a crónica diária ‘A minha TV’, de Jorge Mourinha, falando, em extensa carta, de ‘uma coluna onde tudo transpira superficialidade, sem qualquer tentativa de análise ao fenómeno televisivo (…), escrita ao correr da pena, para encher o espaço, sem a preocupação mínima de uma reflexão prévia’. Ao provedor não compete pronunciar-se sobre esses aspectos, mas já lhe importam, como defensor dos interesses dos leitores, as ‘dificuldades de convivência com a língua portuguesa, mormente a pontuação e a concordância verbal’ ou os ‘textos cuja ideia nem sequer se percebe’ (e o leitor junta vários recortes com exemplos do que diz). Nota-se que Jorge Mourinha escreve despreocupadamente ao ritmo da coloquialidade, e seria de facto aconselhável, pelo menos, uma revisão prévia dos seus textos, para que a pontuação correcta pudesse dar sentido ao pensamento.

Mas outra coisa nesta coluna preocupa o provedor: é que o autor costuma aferir o sucesso público dos programas televisivos, não através da sua ‘quota de mercado’ (ou share, percentagem de telespectadores com a TV ligada que viram o programa), mas sim através da ‘audiência média’ (ou rating, percentagem dos que viram o programa no universo de todos os potenciais telespectadores). É natural que cerca das 21h00-21h30, o período do dia em que mais portugueses, por hábito social, vêem TV, um programa tenha mais rating do que a outra hora, mas isso não significa que o seu sucesso seja maior, sobretudo se o seu share foi menor do que o dos programas de outros canais emitidos ao mesmo tempo.

Assim, não fazem sentido a frase com que Jorge Mourinha abre a sua crónica da passada sexta-feira – ‘Será que existe uma ‘maldição’ do horário nobre do dia da semana a partir das dez da noite?’ – nem os exemplos que apresenta a seguir, baseados na comparação da ratings (se a RTP1 mudou Os Contemporâneos das 22h00 para as 21h00, é natural que o seu rating tenha subido de 5,0 para 9,4, sem que o sucesso seja forçosamente maior, sobretudo quando não nos são fornecidos números de share). A única ‘maldição’ das 22h00 é que a essa hora já grande parte dos portugueses está a desligar o aparelho porque tem de se levantar cedo para trabalhar no dia seguinte. Basta consultar qualquer folha diária de audiências para o perceber – e um crítico de TV competente tem de saber ler folhas de audièncias.

Publicada em 21 de Dezembro de 2008

DOCUMENTAÇÃO SUPLEMENTAR:

Carta do leitor José Leitão

Ultimamente têm aparecido na página internacional algumas pequenas notícias, não assinadas, sobre o conflito israelo-palestiniano, com títulos desajustados(inqualificáveis?) às notícias editadas. Dia 13 de Setembro: ‘Israel abateu 4 militantes do Hamas’. Abateu? Os militantes do Hamas são bandidos(todos?), aviôes, árvores? Semântica só utilizada para os ‘maus’? Porque é que as fontes citadas são, quase sempre, de Israel. Nâo há outras fontes?

Dia 17 de Setembro: ‘Olmert ameaça lançar…’, é o título. No articulado, a certa altura, o ‘jornalista’ diz que Olmert acusa os dirigentes do Hamas de terem ‘feito em cacos’ a trégua que…. Continua o ‘jornalista’: O Hamas contra-ataca em tom de propaganda… São uns marotos os do Hamas, pois segundo o ‘jornalista’ não respondem, fazem propaganda…

Nem mesmos os jornais israelitas escrevem como tem vindo a escrever o PÚBLICO nestes ‘inofensivos’ artigos não assinados. Acabem com isto, por favor. O PÚBLICO é um jotrnal sério, creio. Por isso é o meu jornal.

José Leitão

Carta do leitor Francisco Furtado

Venho por este meio expressar a minha crítica à cobertura que o vosso jornal tem feito da crise na Bolívia. Os artigos enviados pelo vosso correspondente em Santa Cruz [Nuno Amaral], são mais comunicados de imprensa da oposição autonomista do que exercícios de jornalismo. Essas peças são declarações textuais dos movimentos que tomaram instalações públicas, assassinaram e espancaram os populares pró-Evo (na legalidade, diga-se de passagem) que ousaram levantar a cabeça nessas áreas. Que isso faça parte da reportagem até percebo, agora que um repórter cubra apenas um lado da história e, pior, que o jornal não procure equilibrar esses artigos com outros já é mais grave.

Francisco Furtado

Carta do leitor Luís Marvão

Escrevo-lhe por força do artigo ‘Eleições em Angola – Contagem entra hoje na recta final’ da autoria de Ana Dias Cordeiro, in PÚBLICO – edição impressa, 09/09/08.

Sou leitor do PÚBLICO desde a primeira hora, e habituei-me a vê-lo como um diário de referência, cuja actividade se rege por critérios de rigor e isenção no tratamento dos acontecimentos do país e do mundo. Dito de outro modo, a fidelidade ao relato dos factos, mesmo reconhecendo que estes nem sempre são de leitura fácil, é o que espero encontrar nas páginas do PÚBLICO.

Lamentavelmente, a cobertura que a jornalista Ana Dias Cordeiro tem feito das eleições angolanas ameaça constituir-se em excepção à regra. Veja-se, por exemplo, o modo como é noticiada a posição da missão de observadores da União Europeia: a jornalista encima o artigo noticioso com o título ‘Missão de Observação da EU opta por não declarar as legislativas ‘livres e justas’, destacando os não ditos da chefe daquela missão, Luisa Morgantini, e omitindo que esta última considerou que, passo a citar, ‘as eleições foram transparentes’. E que ‘as pessoas puderam votar em total liberdade e não vimos nenhum sinal de violência durante o processo’. Dessa forma, a jornalista Ana Dias Cordeiro altera deliberadamente o sentido do comunicado dos observadores europeus, que embora não isento de críticas (mas como poderíamos esperar um imaculado processo eleitoral, num país que só há pouco mais de cinco anos conhece a paz?), faz apreciação positiva das eleições angolanas. Ana Dias Cordeiro empola as críticas ao processo, procurando escamotear ou diluir o que de positivo os observadores disseram. É, em suma, um convite ao logro.

Mais à frente, procura ensombrar os resultados com o espectro da abstenção, como se este fenómeno assaz disseminado nas nossas democracias fosse de leitura linear ou unidimensional, algo que qualquer manual de ciência política esclarecerá que não (com efeito, sugerir que os abstencionistas angolanos seriam simpatizantes da oposição é, no mínimo, extrapolação indevida).

Sabemos que as autoridades angolanos não tiveram um comportamento decente com o PÚBLICO e outros órgãos de informação portugueses, mas isso não isenta os jornalistas destes periódicos do devere de imparcialidade e rigor no tratamento dos factos (no caso em apreço, a jornalista Ana Dias Cordeiro). Ou não há mundo (informativo) para além do jornalismo oficioso ao serviço dos poderes de Luanda e do alinhamento com as forças da oposição? A não ser que o PÚBLICO afirme, no seu estatuto editorial, o ponto de vista da oposição ao regime de Luanda. Seria, ao menos, uma clarificação.

Luís Marvão

Explicações da jornalista Ana Dias Cordeiro

O texto baseou-se essencialmente no relatório preliminar que a missão de observadores da União Europeia às eleições em Angola colocou no seu site, à hora da conferência de imprensa em Luanda para a sua divulgação, onde o PÚBLICO não esteve presente. Também foram ouvidos o ‘número dois’ da missão, José António Gabriel Pérez, e um politólogo angolano, Nelson Pestana, ligado a um partido da oposição. Foi inquirida a possibilidade de Luisa Morgantini conceder uma entrevista telefónica. Mas, no momento em que o contacto foi feito, a chefe da missão não estava disponível. Nestas condições, foi uma opção não relatar a conferência de imprensa, a partir das agências, mas sim salientar o que de mais questionável continha o relatório.

Mesmo assim, refere-se a conferência de imprensa, na parte em que Morgantini optou por não qualificar as eleições de ‘livres e justas’, por ser uma posição pouco comum e reveladora da própria indefinição espelhada no relatório. No documento, a transparência é assinalada nalguns pontos, mas noutros é posta em causa. Por exemplo: ‘A contagem [dos votos] foi conduzida de forma pacífica e transparente’. Mas também: o facto de as acreditações terem sido dadas de forma ‘tardia e parcial’ a observadores ‘afectou a transparência do processo’.

O documento elogia alguns aspectos do processo, mas ao mesmo tempo salienta situações ‘contrárias às leis eleitorais angolanas e às normas eleitorais internacionais’. Critica a cobertura jornalística dos media do Estado ‘tendenciosa’ e favorável ao partido no poder, o ‘uso indevido dos recursos do Estado por parte do MPLA’ e ‘a distribuição de ofertas do Governo’ a líderes tradicionais.

Sobre a votação em si e o facto de em algumas assembleias de voto, pela ausência de listas e cadernos eleitorais, não ter sido possível fazer o controlo de quem votou nem que cada eleitor votou apenas uma vez, o relatório considera: ‘Este aspecto remove uma das principais garantias contra a fraude previstas na Lei Eleitoral na medida em que não há registo de como muitas pessoas votaram nas assembleias de voto.’ (Este ponto é importante, porque com base nele e noutros, como o não acesso de observadores e representantes de partidos políticos à introdução dos resultados no sistema informático nacional, a missão de observadores, no seu relatório final, divulgado este mês, considera que houve ‘falta de transparência’ no apuramento dos resultados das eleições em Angola).

Entre os aspectos positivos, o relatório salienta, por outro lado, o ambiente calmo e sereno em que decorreram as eleições e refere que, na ausência de sondagens, os resultados (ou seja a vitória esmagadora do MPLA) reflectiam aquilo que era a paisagem política em Angola. Além disso, congratula-se pelo claro ‘compromisso democrático’ de todos os intervenientes. Tudo isso foi salientado pelo PÚBLICO, que ainda referiu que a missão da UE não corroborou as denúncias da oposição de estar instalado um ‘clima de medo’ para não se votar no MPLA e num texto à parte deu conta dos elogios ao processo ‘livre’ do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, do primeiro-ministro, José Sócrates, e do presidente Cavaco Silva.

Sobre a não participação de eleitores em zonas urbanas onde o sentido do voto era de possível protesto contra o Governo, e onde problemas logísticos levaram muitas pessoas a não poder votar, foi citado o politólogo Nelson Pestana. Essa preocupação de pessoas em musseques não terem podido votar já antes tinha sido adiantada por outros observadores e analistas ao longo do processo, e não apenas em entrevistas ao PÚBLICO.

Em vários outros textos, foram citados analistas próximos de Governo e de alguns partidos da oposição, tanto uns como outros atribuindo a pesada derrota da UNITA à fraca campanha e acção do principal partido da oposição, e também ao receio que ainda existiria entre as populações que viveram nas áreas da UNITA durante a guerra.

Ana Dias Cordeiro’

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