Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > THE WASHINGTON POST

Jornalistas de coragem

08/03/2011 na edição 632

O egípcio que interrogou a fotógrafa Linda Davidson, do Washington Post, enquanto ela estava detida durante os protestos na Praça Tahrir foi educado e, inclusive, a adicionou como amiga no Facebook. Ainda assim, a situação era assustadora. Linda estava no meio do que se tornou uma detenção de 10 horas – a segunda desde que chegou no Cairo. Ela é uma das dezenas de jornalistas do Post em pautas temporárias, que trabalham em diversos países do Oriente Médio cujos governos estão entrando em colapso. O novo ombudsman do diário, Patrick B. Pexton, escreveu sobre estes profissionais em sua coluna de estreia.

Linda pegou uma carona do aeroporto com a correspondente da ABC, Christiane Amanpour. Era noite e não havia trânsito nem pessoas nas ruas. Mas quando se aproximaram do hotel onde iriam se hospedar, passaram por blitze. Nos dias que antecederam a queda do presidente Hosni Mubarak, Linda não apenas foi presa duas vezes, mas foi atingida por uma pedra enquanto fotografava os protestos na Praça Tahrir. Com curativos, ela continuou a trabalhar e não trocou suas roupas ensanguentadas por três dias. Assim, pôde entrar e sair de hospitais para fotografar os egípcios feridos.

A primeira detenção de Linda aconteceu quando ela tentava fotografar uma fila para pegar pão. Os egípcios, tímidos, não queriam ser fotografados. Ainda assim, ela tirou algumas fotos até que um soldado pediu que lhe entregasse o cartão de memória. Diante da negativa, ela ficou duas horas negociando com os soldados, com a ajuda de um tradutor. Constantemente, Linda tomava goles de água da garrafa que estava na bolsa da câmera para tentar substituir o cartão cheio por um vazio. Por fim, entregou um cartão vazio ao soldado, que ficou satisfeito. ‘Tomei muita água naquelas duas horas’, conta.

A segunda detenção foi mais séria. Ela e a repórter Leila Fadel foram a um necrotério para contar os corpos das vítimas da violência. Logo em seguida foram presas pelo Exército. Depois de serem levadas para diversos locais dentro de uma van, elas foram separadas e encaminhadas para uma unidade de inteligência, com vendas nos olhos e algemas. Um soldados chegou a dizer a Leila que se ela não mantivesse os olhos no chão, atiraria.

Linda foi forçada a assinar uma declaração em árabe e, só então, elas foram levadas de volta ao hotel – onde não puderam se hospedar, por terem agora um histórico de prisão. As duas acabaram indo para um apartamento. Seus intérpretes ficaram presos por mais uma noite, agredidos e então soltos. ‘Esta é minha primeira revolução e espero que não seja a última’, afirmou a fotógrafa.

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