Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Leitores criticam cobertura republicana

07/10/2008 na edição 506

A menos de quatro semanas para as eleições presidenciais americanas, o New York Times é alvo de críticos atentos, afirmou em sua coluna de domingo [5/10/08] o ombudsman do diário, Clark Hoyt. Desde janeiro de 2005, o democrata Barack Obama apareceu seis vezes nas palavras cruzadas do jornal, enquanto o republicano John McCain não apareceu uma vez sequer – observou o sítio Politico.

Will Shortz, que edita as palavras cruzadas do NYTimes, diz que isto não tem nada a ver com política. ‘Obama é uma boa palavra para palavras cruzadas porque o nome é curto e tem três vogais’, alega. McCain, com dois ‘c’ juntos, é muito mais difícil. Para ilustrar como as opiniões, quando envolvem questões políticas, são diversas, o ombudsman lembra que há leitores, como Barbara Abramson, que acham que a seleção de fotos do diário favorece John McCain e Sarah Palin, sua candidata a vice.

Hoyt diz, no entanto, que a maior parte das críticas quanto à cobertura política vem dos republicanos. O estrategista da campanha de McCain, Steve Schmidt, afirmou no mês passado que o NYTimes é ‘completamente, totalmente, 150%’ Barack Obama. O que mais desagradou Schmidt foi uma matéria que dizia que uma empresa de lobby de propriedade de Rick Davis, gerente da campanha de McCain, recebeu quase US$ 2 milhões nos últimos cinco anos das empresas de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac para defendê-las contra regulamentação mais rígida do governo. As empresas contribuíram para a atual crise financeira.

O artigo foi publicado na mesma época em que McCain fazia declarações relacionando a crise no mercado – incluindo o colapso de Fannie Mae e Freddie Mac – a Obama, e foi prejudicial para um grande tema da campanha republicana: o de que o candidato é um reformista, e não representa a continuidade do governo Bush. O NYTimes não foi o único jornal a escrever sobre o caso, mas a campanha de McCain declarou que a matéria do jornalão nova-iorquino foi ‘um ataque falso rotulado de notícia objetiva’.

A resposta de McCain ao artigo, no sítio do candidato, dava conta de que a acusação de que Davis foi pago pela Freddie Mac até agosto era falsa. Mas o diário não havia afirmado que Davis foi pago, mas sim que os pagamentos foram feitos para a Davis Manafort, empresa dele. A declaração dizia ainda – assim como o NYTimes publicou – que Davis não recebe renda de sua empresa desde 2006. No entanto, quanto mais vale sua empresa, mas valem suas ações – o que acaba o beneficiando.

Desde agosto, quando os partidos definiram os candidatos à presidência, o NYTimes publicou nove artigos investigativos sobre McCain – quatro de capa. No mesmo período, foram publicados quatro sobre Obama, um de capa. ‘Estamos cientes de que há uma percepção de que estamos mais focados em McCain e não o suficiente em Obama’, diz Richard Stevenson, editor responsável pela cobertura da campanha. Mas o NYTimes fez um bom trabalho investigativo sobre Obama no ano passado, defende Hoyt, lembrando que, desde o começo de 2008, o NYTimes publicou mais artigos duros sobre Obama do que sobre McCain.

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