Domingo, 18 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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VOZ DOS OUVIDORES >

Manuel Pinto

13/06/2005 na edição 333

‘‘Sénior’ é o nome de um suplemento que o JN dedica, desde Março de 2003, ao mundo daqueles que já viram e viveram muito, os mais calejados da vida, muitos dos quais ainda apostados em olhar mais para o que têm a fazer do que para aquilo que já fizeram. Tenho tido alguns sinais de que esta foi uma iniciativa oportuna e certeira da actual Direcção Editorial do jornal, que tem dado a conhecer iniciativas, a divulgar testemunhos de vida, a publicitar conselhos e a ajudar a compreender um universo cada vez mais vasto e rico. Um universo que adquire um peso social, económico e político proporcional ao ritmo de crescimento da esperança de vida e, por conseguinte, do envelhecimento da população.

O ‘Sénior’ foi criado para tratar esta realidade do ponto de vista jornalístico. Nas últimas semanas, porém, o suplemento apresentou uma mudança que não é pequena das oito páginas que costumava trazer, passou para metade. E ninguém explicou porquê.

Em 28 de Maio último, o leitor Manuel Neto endereçou por correio electrónico uma mensagem ao provedor do leitor, queixando-se desta mudança, que ele entende ser um retrocesso. ‘Um arremedo daquilo que [o suplemento] foi ao longo de mais de dois anos de publicação’.

Não querendo pronunciar-se sobre o conteúdo, sobre o qual ‘muito teria para dizer’, aquele leitor apenas quis manifestar a sua ‘desilusão (?) face ao desrespeito evidenciado perante os leitores do JN, em geral, e do Sénior, em particular’, pela redução inopinada do espaço daquela componente do jornal.

Antes de mais, convém dizer que Manuel Neto não é um simples leitor, visto que foi ‘editor responsável pelo Sénior, desde o primeiro número até 31 de Dezembro de 2004’, o que o faz sentir de modo especial qualquer mudança introduzida naquilo que toma como sendo em parte uma obra sua. Hoje desligado do jornal, continua a acompanhar, como leitor, um projecto que diz ter sido ‘apontado como um produto novo e inédito no panorama da Imprensa portuguesa e gerador de novas energias, num segmento até há bem pouco tempo quase ignorado’. Manifesta, na sua mensagem, o receio de que esta redução de espaço – um ‘atentado’, como escreve – possa ser visto como ‘morte anunciada de um suplemento que já havia fidelizado milhares de leitores, de Norte a Sul do país’.

O comentário do director do ‘Jornal de Notícias’ sobre este assunto começa por afirmar que ‘o Sénior não é preocupação’. E explica o que se passou ‘apareceu, realmente, com menos páginas e aparecerá ainda, possivelmente de forma intermitente, mais vezes, simplesmente porque há orçamentos para cumprir e a Direcção preferiu cortar num suplemento que não tem publicidade do que cortar no jornal do dia’.

Quanto a não ter feito nenhum aviso ao leitor, a lógica da Direcção ‘é simples’ ‘o próprio jornal varia de formato – entre 56 e 80 páginas – todos os dias e, quando tem menos páginas, não é necessariamente pior’. E termina anotando o ‘carinho e preocupação’ que a Direcção dedica a este suplemento que tenciona continuar a publicar.

Temos, assim, que não está em causa a continuidade do ‘Sénior’, o que é o mais importante. Por outro lado, a redução de espaço para quatro páginas, que fica a dever-se a contingências da gestão orçamental, não passará forçosamente a ser norma.

Em abstracto, o argumento de que um jornal com menos páginas não é necessariamente pior é inatacável. Poder-se-ia mesmo defender que um jornal com metade das páginas a que o JN nos habituou poderia ser tão bom ou melhor do que actualmente é. Porém, se, porventura, por qualquer motivo grave, tal se viesse a passar, seria incompreensível que a Direcção não desse uma explicação aos leitores. ‘Mutatis mutandis’, o mesmo se deveria ter passado com a mudança operada no ‘Sénior’. Os leitores que se habituaram a encontrar um suplemento de oito páginas e que, de uma semana para a outra, se viram perante um suplemento amputado, sem que tal se tenha ficado a dever a uma opção definitiva, mereciam uma palavra. Certamente que compreenderiam as razões – evidentes – que assistiram à Direcção para tomar a decisão que tomou.

É daquelas coisas que não custam nada e que têm o salutar efeito de aproximar os leitores do seu jornal.

Pequenos gestos podem aproximar o jornal dos seus leitores’

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