Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Mão para os números

Por Sobre artigo de Daniel Okrent em 25/01/2005 na edição 313

O editor público do New York Times, Daniel Okrent, comenta que a direção do diário, assim como a de outros jornais, não deve ter ficado muito contente com uma reportagem de Jacques Steinberg e Tom Torok, publicada no próprio Times, que revela uma prática muito comum na imprensa escrita americana: a distribuição gratuita de exemplares a pessoas que nunca os solicitaram.

Trata-se de uma estratégia para aumentar a circulação, geralmente financiada por algum patrocinador, que tem sua marca estampada na embalagem do jornal presenteado. Deixando de lado o fato de que o Times é citado apenas no 30º parágrafo da reportagem – algo não muito correto com os outros veículos citados –, Okrent nota que o máximo a que chega sua distribuição patrocinada é 2,5% do total da tiragem do jornal, o que a matéria não menciona. Em resumo, o texto destaca uma prática que poderia envergonhar os jornais, mas que, na verdade, não equivale a uma fatia significativa de suas atividades comerciais.

Este caso foi escolhido por Okrent para ilustrar como os jornalistas – embora, em geral, preparados para lidar com palavras – muitas vezes pecam quando precisam deixar claro para um leitor o que significa um número. As matérias estão repletas de estatísticas, mas, comumente, quando contextualizadas, não condizem com o que relata a matéria. O ombudsman cita diversos exemplos.

O poder público nova-iorquino argumenta que a construção de três estádios na cidade, a um custo de US$ 1,1 bilhão, trará entre US$ 3,5 e US$ 4,5 de retorno para cada dólar investido, nos próximos 30 anos. Se o mesmo valor fosse investido em títulos do Tesouro americano, o retorno seria de US$ 4 para cada dólar, no mesmo período, e de uma forma muito mais segura, o que o Times não menciona em sua matéria a respeito dos projetos.

Em novembro, o controlador público de Nova York, William Thompson, apresentou um relatório segundo o qual os habitantes da cidade gastariam US$ 23 bilhões ao ano com produtos falsificados. Segundo Okrent, o diário reproduziu essa bobagem sem se dar conta de que ela implicaria em que cada nova-iorquino desembolsasse anualmente US$ 8 mil (!) com esse tipo de comércio.

É natural que as fontes lancem dados distorcidos para tentar corroborar as idéias que defendem. A imprensa precisa estar atenta para filtrar esse tipo de informação, bem como para situar adequadamente dados numéricos mais ‘inocentes’. A sugestão do ombudsman é que o Times contrate gente especializada para ajudar os jornalistas a driblarem os números obtusos e enganosos.

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