Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Mara Gama

11/11/2008 na edição 511

‘O internauta Ricardo escreveu para a ombudsman para manifestar o incômodo que sente com as propagandas veiculadas entre os destaques de foto principal da home page do UOL, um dos pontos mais nobres da página:

‘O UOL, muito criativamente, bolou uma alternativa para manter as propagandas veiculadas na tela principal no primeiro quadro de notícias: clicando nas opções anterior ou próxima, a propaganda é exibida, com a opção de [fechar].’

Esse tipo de veículo de propaganda é muito desagradável, pois somos forçados a receber uma propaganda quando na verdade estamos interessados em outro assunto. Tenho certeza que a criatividade latente da equipe UOL deveria ser explorada e assim livrar o assinante do constrangimento de ter o que não pediu e fechar sem ler algo que irrita em vez de vender/informar’.

Na mesma linha argumenta o internauta Jayro:

‘Embora tenhamos a possibilidade de bloquear pop-ups, o UOL (…) insere – na marra – pop-ups entre as fotos que ilustram notícias que se alternam no começo do portal. A tendência do usuário é agir contrariamente ao que se espera, ou seja, abominar aqueles anunciantes’

O pedágio é de fato incômodo. E considero que banaliza as chamadas que se alternam ali. Também espero, como Ricardo, que a criatividade da equipe UOL possa livrar o público da publicidade invasiva.

***

Salão do automóvel (5/11/08)

A cobertura do assunto ‘veículos’ cresceu substancialmente no UOL de julho de 2007 para cá.

A estação UOL Carros foi ampliada e ganhou estrutura para reportagens no Brasil e em eventos internacionais.

O Salão do Automóvel de São Paulo (30 de outubro a 9 de novembro) está recebendo a melhor e mais extensa cobertura que o UOL já fez sobre o tema.

Reportagens em vídeo (pautadas em conjunto com o programa de TV ‘Auto +’, da rede TV), belas fotos, textos e o blog ‘Direto do Salão’ onde repórter e editor relatam bastidores fazem parte da cobertura.

No último dia 1, sábado, o blog flagrava o congestionamento para se chegar ao Salão

Cito trecho: ‘Hoje é sábado. É dia de ir ao Salão do Automóvel de São Paulo, certo? Se você pensa (ou pensou) assim, dezenas de milhares de pessoas também o fizeram. De táxi, por volta de 16h, a reportagem de UOL Carros levou cerca de 50 minutos para chegar da Ponte da Casa Verde ao portão de entrada do Anhembi. É um trajeto de menos de 700 metros. Desenvolvemos nele a espantosa velocidade média de 840 m/h (isso mesmo, metros por hora).’

A home page do UOL tem destacado o Salão diariamente, desde a noite do dia 29, com espaço na foto rotativa e blocos temáticos.

Mas quem viu apenas as fotos e chamadas ali viu só de relance este aspecto da vida ‘real’ que o blog mostra.

Em alguns momentos, a imagem que o UOL transmitiu em sua home page foi bem próxima do material de divulgação dos produtos. E este é um pecado mortal.

No dia 31, o carro Volt apareceu com o enunciado ‘No Anhembi, o elétrico Volt indica o futuro dos motores’.

Da noite do dia 3 até a manhã do dia 4, o Volt permaneceu com ‘O Elétrico Chevrolet Volt chega para ‘salvar o planeta’’.

No dia 1, o Smart ganhou o título ‘Confortável, Smart encara 235 kg de gente’.

No dia 2, o C4 Picasso recebeu o título ‘Com ampla visão, C4 Picasso chega ao Brasil em 2009’.

Além deste aspecto de colamento da home page do portal às características enaltecedoras dos produtos, em duas ocasiões, houve também uma adesão à própria idéia ‘marketeira’ do Salão. Foi quando o UOL utilizou fotos que celebram o velhor clichê que une no mesmo quadro carrões e mulheres-bonecas.

Uma das poucas reportagens que bastidores que ganhou destaque na home page, no dia 4, ‘Salão de SP em vídeo: longe das grandes, a ordem é se virar’ tem frase que define bem o artifício do Salão, que a home page parece ter seguido.

Um vendedor de rodas diz que as mulheres contratadas no Salão são parte do ‘esforço extra para conseguir a casa cheia’.

O UOL tem de ficar atento para não cair nesta armadilha do jornalismo ‘de serviço’ ou ‘de consumo’.

Como valorizar e chamar a reportagem sem servir à comercialização do produto ou ao seu ideário?

O blog de UOL Carros parece apontar um caminho divertido. Seria interessante incorporar o viés crítico à produção diária. E espelhar isto em imagens e títulos.

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Eleições americanas (4/11/08)

As eleições americanas mobilizaram os portais de notícias, que criaram páginas especiais, enviaram repórteres para acompanhar passos finais das campanhas e investiram em comentários em vídeo, podcasts, gráficos e recursos ‘multimídia’.

O UOL conta com alguns diferenciais positivos na cobertura.

Os gráficos explicativos com as regras das eleições, os resultados das primárias, o blog do repórter Sergio Dávila e o site sobre os anos do governo Bush, com ótima edição de dados.

A home page do especial UOL Eleição Americana 2008, no entanto, deixou a desejar.

É fria e esquemática. Não transmite a temperatura e não valoriza a cobertura que o próprio UOL está fazendo.

Em sua chamada principal, na noite da terça, já dava link para um mapa dos Estados Unidos, ‘sob’ o qual se desenvolveria um ‘placar’ de votação.

O problema é que o mapa não sinalizava quais os Estados já tinham dados.

Para saber como estava a apuração, o internauta tinha de passear por todo o mapa para descobrir quais dos Estados já tinham votos contabilizados.

As 23h, a Redação reviu o sistema e resolveu alterar o mapa, para que fossem sinalizadas os Estados em que havia apuração em curso ou finalizada. Boa medida.

Eleições em arquivo

‘Meu computador deu pau ou existe só esta frase ‘interessante’ em toda campanha eleitoral? Há dias, ela estampa o portal Eleições 2008 do UOL, ou será que é um espaço reservado para os amigos?’

O leitor Francisco se refere à frase de Gilberto Kassab (imagem acima) que está na home page de UOL Eleições.

Consultada sobre a reclamação, a Redação informou que a página não foi mais ‘alimentada depois do pleito’.

Não se espera que todos os sites especiais sejam mantidos ‘vivos’ infinitamente, mas, exatamente por que se sabe que eles têm duração temporária, é necessário e relativamente simples planejar como é que uma página ou um site especial será ‘congelado’ e se tornará arquivo.

Provavelmente foi produzido material suficiente para preencher as chamadas com folga e destacar aspectos que chamariam atenção mesmo depois dos resultados das eleições.

O site tem uma seleção de frases que poderiam se alternar na home page. O recurso é tecnicamente simples. Outra hipótese seria reduzir o número de chamadas.

Há muitas possibilidades. A pior solulção é deixar na rede, abandonado.

Os links para a página continuam na navegação de UOL Notícias. E os leitores são conduzidos a eles. E se frustram, com razão.

Piloto automático

O internauta Cristóvão leu texto no UOL sobre as negociações durante a greve dos bancários, em outubro, e considerou incompleto:

‘A matéria não informa qual o índice de reajuste salarial reivindicado pelos bancários (..) Copiar e colar o conteúdo da página da Contraf/CUT é muito pouco para o nível de qualidade do jornalismo que desejamos’.

Ele tinha razão.

O texto ‘Sem novas propostas, greve dos bancários continua’, publicado no último dia 17 de outubro, informava que o Comando Nacional dos Bancários rejeitara a proposta da Federação Nacional dos Bancos de dividir a categoria apresentando dois índices de reajuste (9% para bancários que ganham menos de R$ 1.500 e 7,5% para funcionários que ganham acima desse valor), mas não informava qual era a proposta inicial dos bancários.

‘Além do reajuste, os bancários pedem valorização dos pisos salariais; aumento do valor e simplificação da distribuição da PLR (Participação nos Lucros e Resultados); vale-refeição de R$ 17,50; cesta-alimentação equivalente a um salário mínimo (R$ 415); fim das metas abusivas e do assédio moral; mais segurança nas agências; e mais contratações’.

Faltava a informação sobre a proposta inicial dos bancários. Eles pediam 13,23% de reajuste, índice que fora acordado na Conferência Nacional da categoria, realizada de 27 a 31 de julho, em São Paulo, segundo informou o assessor de imprensa da Contraf, Willian Mendes, ao blog da ombudsman.

‘Copiar e colar é muito pouco para o nível de qualidade do jornalismo que desejamos’, prossegue o leitor. De novo, com toda razão.

A matéria do UOL tem sete parágrafos. Quatro deles são praticamente iguais ao da nota da Agência Brasil, agência do governo que publica textos sob Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Isso significa que se pode citar, copiar, distribuir e retransmitir o texto, desde que seja citada a fonte, a licença e que as eventuais modificações não sejam atribuídas ao autor. O UOL cita a fonte corretamente.

Pedi à Redação comentário sobre a falta de informação e a cópia do texto da Agência Brasil. A Redação argumentou que a ‘matéria atende o interesse da maioria dos internautas, que queria saber simplesmente se a greve’ continuava ou se a greve acabara.

Temo que ‘o interesse da maioria dos internautas’ seja aqui evocado para simplificar o papel de um veículo de comunicação como o UOL. E para justificar o piloto automático que poderia -e deveria- ser combatido, sempre que fosse detectado. Não foi o caso.’

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