Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Mara Gama

11/08/2009 na edição 550

‘Em comentário postado aqui no blog, o leitor Jota Amorim apontou ausência de conteúdo sobre a sanção da nova lei de adoção no dia 3 de agosto: ‘Até o meio-dia e nenhuma chamada na capa para a nova lei de adoção que será sancionada hoje pelo presidente Lula’.

O UOL noticiou o assunto a partir das 13h02 do dia 3, com o texto ‘Lula sanciona nova lei nacional de adoção’. Apesar de não ser manchete, o texto teve chamada na home page do portal.

O texto informava que a lei, ‘nascida de projeto de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), prevê a criação de cadastros nacional e estaduais de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pessoas ou casais habilitados à adoção. Também haverá um cadastro de pessoas ou casais residentes fora do país interessados em adotar, que, no entanto, só serão consultados caso não haja brasileiros habilitados nos cadastros internos.’

Trazia também declaração de Lula: ‘Não estamos partindo do zero. O Brasil já é reconhecido como um exemplo no sistema’, disse o presidente, afirmando que a nova lei coloca o país ‘novamente na vanguarda.’

Além da reportagem, foi aberto um espaço de discussão – ‘A nova lei vai facilitar a adoção no Brasil?’ – e publicado um quadro sobre o processo de adoção.

O assunto foi melhor explorado pela home page na época da aprovação pelo Senado.

Na noite de 15 de julho, foi manchete do UOL: ‘Nova lei acelera processo de adoção’. O link encaminhava ao texto: ‘Senado aprova nova lei nacional de adoção para acelerar processos.’

A Redação seguiu acompanhando o assunto. No dia 17 de julho, um texto explicou em detalhes o processo: ‘Entenda como funciona o processo de adoção’

Release com chamada na home page

No dia 29 de julho, a leitora Josiane deu uma bronca – com toda razão – no UOL:

‘O texto ‘Jean Paul Gaultier reinterpreta peças clássicas da Levi’s’, cuja chamada está na capa do UOL hoje no bloco de Moda, não foi escrito pelo site As Patrícias. É cópia do texto feito pela Duo Press Assessoria de Imprensa, que o disponibilizou no MaxPress.

Como estudante de jornalismo, fiquei assustada ao ver que o UOL publica cópias de textos que são divulgados pelas assessorias de imprensa, ainda que esses textos sejam feitos por blogs parceiros. Será que não seria melhor que o UOL escrevesse seus próprios textos ou apenas divulgasse os daqueles parceiros que não copiam, mas que fabricam os seus próprios textos? A meu ver, além desse problema, outro (e talvez maior) é o fato dessas cópias (obviamente) não respeitarem os direitos autorais de quem realmente as escreveu, levando o leitor erroneamente a crer que um texto foi feito por X, enquanto foi feito por Y.

Se a credibilidade de um veículo se baseia na verdade dos dados que esse mesmo veículo divulga, a do UOL pode ser comprometida porque ele está literalmente vendendo gato por lebre. Uma maneira de resolver esse problema, seria apenas divulgar os textos dos parceiros que assinam e que não copiam textos de terceiros.’

Encaminhei a denúncia à Redação pedindo suspensão da chamada até que o caso fosse esclarecido. A chamada foi retirada. A mesma chamada já havia sido criticada internamente pela área de entretenimento, pois se tratava de assunto antigo. Mas não se sabia que era um texto de divulgação, publicado sem crédito.

No dia 5 de agosto, a responsável pelo site As Patrícias respondeu ao questionamento. Patrícia Pontalti admitiu a falha e afirma ter advertido o time do site. Segundo ela, o release foi publicado e ‘vendido’ (‘vender’, no jargão, é solicitar destaque) para a Redação do UOL por negligência de um dos colaboradores do site As Patrícias.

Agradeço à leitora Josiane pelo alerta. E espero que o episódio seja didático.’

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