Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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VOZ DOS OUVIDORES > UOL

Mara Gama

16/09/2008 na edição 503

‘Vários internautas se comunicaram com a ombudsman nos últimos dias se queixando do que consideram sensacionalismo do UOL.

Quatro deles enviaram o mesmo texto, que aponta a prevalência de ‘notícias de violência e desgraça’.

‘Hoje, 3 de setembro, tínhamos na página de abertura, logo de ‘entrada’, a notícia sobre um jovem que matou a avó a facadas…

…e os traficantes rivais que eram comidos por jacarés…

…E nem estou falando do restante das notícias. Não agüento mais abrir a página do UOL e ver apenas notícias sensacionalistas. Crianças jogadas de prédios, furacões, assassinatos.

Não parece mais o antigo UOL, e sim o velho ‘Notícias Populares’.

Concordo com a impressão dos leitores. E considero que o efeito se agrava devido à seleção de fotos da primeira página.

No mesmo dia 3, haviam chamado minha atenção duas fotos que envolviam violência praticada por jovens.

A já referida sobre o jovem que cometera assassinato, e uma outra, sobre jovens que gravam em vídeo brigas para colocar na internet.

A reportagem dos jovens que gravam brigas mostrava um vídeo caseiro por mais de um minuto, expondo repetidamente o comportamento destes jovens. Era uma reportagem sobre violência nas escolas, mas gastava dois terços do tempo com as imagens do tal vídeo, em que crianças se espancam, quebram vidros. Ao passar da reportagem para a chamada da primeira página, o comportamento virou ‘mania’.

As duas notícias não tinham qualidade jornalística que justificasse o seu destaque. E, nos dois casos, destacá-las com fotos estetiza e banaliza a violência.

Estatísticas do Campeonato Brasileiro

No último dia 8, o leitor Luiz Eduardo chamou a atenção da ombudsman para um quadro de estatísticas do campeonato brasileiro de futebol publicado em UOL Esporte.

‘O destaque da página é a liderança do Grêmio em três quesitos: melhor ataque, melhor defesa e melhor média de gols marcados [os resultados eram estes naquele momento], sendo que média de gols é o numero de gols dividido pelo número de partidas. Sendo assim, a ordem dos classificados é absolutamente a mesma nos dois quadros’, observou o internauta.

E desta observação partiram suas perguntas: ‘Isso poderia induzir o leitor? Muda o impacto da notícia? Tem algum propósito esta média de gols marcados? Isso sempre foi medido assim? Eu realmente não sei. Nem sou torcedor de futebol. Percebi inicialmente a semelhança na classificação de todos os times.’

O leitor tinha razão de ficar intrigado. E é interessante notar como a falta de informação pode gerar uma sequência de ruídos e até dúvidas sobre a política editorial.

O quadro não é precedido de nenhuma apresentação.

O layout não prevê os empates. Exibe-se o escudo do time que está em primeiro lugar nos três rankings no topo da página. Mas se há vários times em primeiro lugar, só um escudo é exibido.

Também não há nada sobre a fonte dos dados ou sobre o método de levantamento. Falta acabamento. Poderia ser mais valorizado o material.

Busquei informações junto ao Datafolha, para passar aos leitores e pedir que a Redação coloque o crédito devido.

O Datafolha faz coleta de dados quantitativa, com a contagem sucessiva e cumulativa de todas as atuações dos jogadores. ‘Cada lance é representando por um fundamento específico que é determinado através de um critério técnico. Este critério foi criado pelo Datafolha e tem como função a interpretação objetiva dos lances de uma partida. Uma equipe acompanha as partidas pela TV ou no estádio anotando e classificando todas as atuações dos jogadores de uma equipe. Os dados são totalizados por equipe ou por jogador. São quantificados trinta e dois fundamentos.’

Recomendo reestudo da apresentação e publicação de explicação sobre os dados, com fonte e resumo da metodologia.

Perfumaria bem embalada

‘Como esse cara consegue falar tanta besteira? Um texto cheio de metáforas, que, quando muito, faz algum sentido apenas pra quem escreveu. Se é que faz. Ler esse texto não serve absolutamente pra nada’, escreveu Ale, e mandou a crítica através do sistema de comunicação de erros de textos do UOL.

O leitor se referia ao texto ‘Perfumes masculinos são definidos por qualidades que nunca são atribuídas às suas fórmulas’.

Um trecho do texto: ‘Armani deve o domínio do mercado dos perfumes masculinos a uma indômita fórmula de sucesso: a versão olfativa da seda que se transforma em um colete à prova de balas, e a genialidade de Armani sempre foi esta blindagem delicada. Armani não produz perfumes. Ele produz máquinas’.

‘Amei esta coluna do Chandler Burr, continuem sempre com ela, trazendo esta visão crítica e conhecedora sobre os perfumes. Parabéns!’, escreveu Iza, usando o mesmo canal de comunicação, sobre uma coluna mais antiga de ‘Notas Perfumadas’, a coluna de Chandler Burr que estreou no UOL em julho, na estação UOL Estilo.

A leitora se referia ao texto ‘Fragrância With Love Hilary Duff tem cheiro confortante’.

Cito trecho: ‘Se uma fragrância será dada a Hilary Duff – cuja entrada na Wikipedia inclui o gênero musical ‘pop chiclete’ – e às suas colegas, que seja. Os aromas devem ser julgados pelo critério padrão desta expressão artística: estrutura, qualidade das matérias-primas, poder de fixação e volatilidade, inovação e beleza.’

Chandler Burr é crítico de perfumes do ‘The New York Times’ e autor de ‘O Imperador do Olfato: Uma História de Perfume e Obsessão’ (Companhia das Letras), tem estilo bem-humorado e articulado, e faz aquele tipo de texto de quem tem repertório pop amplo e sabe manipulá-lo. Vai da citação literária à Wikipedia, sem cerimônia.

Segundo a Redação, a coluna tem boa audiência, na categoria de conteúdos específicos, e é bastante comentada pelo público. Com admiração por parte de uns e repúdio de outros.

Ponto para a publicação. E a apresentação no UOL valorizou a coluna, com destaque ao sistema de pontuação de perfumes, cujas categorias, criadas por Burr, já eram bem divertidas, como mostram as imagens deste post.’

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