Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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VOZ DOS OUVIDORES >

Mara Gama

23/06/2009 na edição 543

‘No dia 2 de junho, a ombudsman recebeu e-mail da assessoria de imprensa do secretário de esportes da cidade de São Paulo e deputado licenciado do PSDB, Walter Feldman, contestando dois textos publicados em UOL Esporte com opiniões do secretário sobre os locais dos jogos da Copa de 2014.

O primeiro deles de 31 de maio e o segundo de 2 de junho.

O principal ponto da contestação: o secretário não concorda com a posição que os dois textos atribuem a ele. Os textos (‘São Paulo tenta resolver divergências internas para ter papel de destaque’ e ‘Jornais revelam que Morumbi é pior estádio da Copa e pode reduzir capacidade’) afirmam que Feldman defende o estádio do Pacaembu e desqualifica o do Morumbi para os jogos.

Lê-se, no primeiro texto:

‘O secretário municipal de esportes, Walter Feldman, é o principal garoto-propaganda do Pacaembu, não por acaso de propriedade da Prefeitura. Sempre que pode, o político tenta, mesmo que sutilmente, desqualificar o Morumbi e deixar acesa a chama em torno do nome do estádio que tradicionalmente é utilizado para receber os jogos do Corinthians.

Mesmo assim, algumas vozes dentro do próprio município já demonstram insatisfação com a postura do colega. Presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Caio Luiz de Carvalho não esconde sua insatisfação com a ‘estratégia’ de Feldman. Mesmo sem reclamar publicamente, o político lamenta as declarações depreciativas do secretário municipal de Esporte em relação ao Morumbi e, principalmente, o ‘racha’ no projeto paulista.’

Lê-se, no segundo texto:

´’A escolha do Morumbi para ser a sede dos jogos em São Paulo na Copa do Mundo-2014 está longe de ser uma unanimidade. O assunto que tem provocado racha entre autoridades municipais é o estádio que representará a cidade no Mundial. O Morumbi, de propriedade do São Paulo e indicação oficial da capital paulista, é apoiado pelo governador e seus seguidores, mas tem encontrado barreiras na Prefeitura.

O secretário municipal de esportes, Walter Feldman, é um dos defensores do Pacaembu, não por acaso de propriedade da Prefeitura. Sempre que pode, o político tenta, mesmo que sutilmente, desqualificar o Morumbi e deixar acesa a chama em torno do nome do estádio que tradicionalmente é utilizado para receber os jogos do Corinthians.’

Em mensagem enviada para a Redação, a ombudsman pediu análise do caso e comentários das chefias. Na ocasião, dia 2 de junho, ponderei que se o ‘personagem’ da matéria quer dar sua opinião, não há por que não registrar, já que dele se fala nos dois textos. Em resposta, a Redação reiterou que a posição do secretário fora devidamente apurada.

Considero um erro confundir as duas coisas.

Acredito que a matéria esteja calcada em apuração. E está claro que o UOL pode publicar reportagem apoiada em fontes, com análises, mas isso não pode excluir a possibilidade de revelar ao público que o apurado e o declarado podem ser diferentes. E não se trata de submeter os fatos apurados às versões oficiais divulgadas. Trata-se de dar voz às partes.

O jornalismo do UOL tem de abrir espaço para a discussão real e as discordâncias geradas pelo material publicado. É no mínimo contraditório abrir fóruns e grupos de discussão onde qualquer um pode contestar qualquer coisa e não dar à pessoa mencionada em uma reportagem a possibilidade de contestar o que foi dito sobre sua posição. Deve haver regras, um formato e um modo de operar estas publicações. A publicação deve, por exemplo, ter relação com o texto que lhe deu origem, para que seja vista no contexto.

Conversei sobre o assunto com a Redação mais duas vezes. Obtive a promessa de que o assunto será discutido internamente com as chefias e deverá ser avaliada a possibilidade de implantação de um espaço para respostas e contestações.

Considero um bom desafio fazer isto de forma transparente e eficiente. Na minha maneira de ver, será uma oportunidade para o amadurecimento do jornalismo praticado pelo UOL.

Para exemplificar o que considero ser uma boa prática, pedi ao reclamante uma mensagem com sua opinião, para publicar aqui mesmo no blog. Segue a mensagem:

Ao UOL Esporte, aos cuidados de Mara Gama, ombudsman.

Antes de tudo, gostaria de agradecer a oportunidade que tenho de, mais uma vez, esclarecer minha posição junto ao UOL Esporte a respeito do local de disputa da Copa do Mundo de 2014 na cidade de São Paulo. Para ser bem objetivo: o Morumbi é o estádio paulistano para os jogos da Copa. Não há alternativa viável. E sempre deixei isto absolutamente claro. Como deixei claro também o desejo, um sonho até, de ver o Pacaembu ser utilizado durante a Copa. Mas como campo de treinamentos, como palco de amistosos preparatórios. E só.

Se já é difícil adequar o Morumbi às exigências da Fifa, é impensável fazer o mesmo com o Pacaembu, ainda mais com dinheiro público. O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho é deficitário. Seu custo supera em cerca de 1,2 milhões de reais a arrecadação anual com aluguel. Dinheiro público utilizado, basicamente, para manter a arena em que o Corinthians manda seus jogos. Em abril, através do democrático espaço da imprensa, iniciei a discussão na cidade sobre o futuro do estádio. O palco desta discussão agora é a Câmara Municipal de São Paulo, que montou uma comissão para decidir o futuro do estádio. Audiências públicas já foram realizadas e há duas semanas o Corinthians, por meio de seu diretor de marketing Luiz Paulo Rosemberg, apresentou à cidade projeto próprio para o estádio. A decisão da Câmara sairá em breve. Espero que seja reflexo da vontade de toda a cidade.

Aproveito também este espaço para desejar sorte ao São Paulo Futebol Clube na empreitada de transformar o Morumbi para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo. A competência dos dirigentes tricolores será, espero, a alegria de nossa cidade. E gostaria também de manifestar minha alegria em participar de todo e qualquer processo que sirva para aperfeiçoar algo: desde a gestão pública, passando pela atividade legislativa e, porque não, pelas relações entre a imprensa e suas fontes.

Atenciosamente,

Walter Feldman, deputado federal licenciado (PSDB) e Secretário de Esportes da Cidade de São Paulo

***

Chamadas que entregam o final da história (15/6/09)

(não leia se não quer saber o final de ‘O Procurado’ 1 e nem o plot de ‘A Mulher Invisível’)

O leitor Thiago enviou para a ombudsman reclamação sobre chamada que revela final de filme na home page do UOL: ‘Como usuário de internet desde 96, já estou acostumado a usar o UOL em meu ‘startlist’ toda vez que navego. Embora o UOL tenha falhas em sua cobertura jornalística, como todos os portais, ainda assim sempre tem um bom padrão de qualidade, e que jamais deixaria passar, por exemplo, o final de um filme em plena capa. Bom, isso ocorreu hoje, domingo, dia 14/06. O filme ‘O Procurado’ eu ainda não assisti. Mas um elemento provavelmente importante do final eu já estou sabendo. É no mínimo uma bela falta de respeito’.

Conversei com o responsável pela edição da home page do UOL, Alexandre Gimenez, que admitiu o erro e se comprometeu a intensificar o controle sobre este tipo de chamada, conhecido como ‘spoiler’.

Pedi ao editor de cinema, Alessandro Giannini, que desse sua opinião e informasse qual a política da estação de Cinema do UOL:

‘Em geral, e por princípio, procuro evitar. Mas há controvérsias sobre o tema. Muita gente, normalmente os cinéfilos e nerds, considera qualquer informação sobre a trama reveladora e, portanto, nociva a quem quer assistir ao filme no cinema.

Há também as pessoas que não se importam com isso e, portanto, leem até os textos que dizem conter os chamados ‘spoilers’. O que sempre causa confusão é o leitor, sem ter visto o filme, julgar que qualquer informação contida no texto vai estragar sua experiência no cinema. Explico e exemplifico: ‘A Mulher Invisível’ é sobre um cara deprimido que inventa uma mulher imaginária para compensar a solidão e o sentimento de abandono. Nunca veio reclamação de que isso é spoiler, mas a rigor seria se fossemos pensar que nos 20 minutos iniciais do filme ninguém tem a menor idéia de que a Luana Piovani é invenção da cabeça do Selton Mello. Mais: isso tudo está no trailer. Agora, um caso como o de ‘O Procurado’ me parece extremo. Porque, na verdade, a Jolie morre no fim do filme. Ou seja, revela mais do que a trama. Revela a solução dela’.

Pedi também um comentário dos editores do ‘Vírgula’, site parceiro do UOL responsável pela reportagenm e pela sugestão de chamada: ‘Mesmo tendo morrido no primeiro filme, Angelina Jolie está cotada para ‘O Procurado 2’, sugestão que foi enviada por e-mail e acatada pela home page do UOL.

O ‘Vírgula’ lamentou o ocorrido, afirmou que é a primeira vez que isso ocorre, e se comprometeu a alertar os leitores com destaque, no início dos textos, quando houver informação deste tipo publicada no site, de agora em diante. Ótima providência.

Na minha opínião, deveria ser regra não revelar os finais sem avisos, ainda que em filmes lançados há tempos. Em chamadas, o espaço diminuto impede a publicação. E você, o que acha?’

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